Casada com Bruno Cumer Barbosa e mãe de Arthur, de 15 anos, e Miguel, de 11, Eliane viu sua rotina familiar ser atravessada pelo medo e pela incerteza. Após a confirmação do diagnóstico, precisou passar por uma cirurgia para retirada do útero. Durante esse período, encontrou na fé em Deus e na devoção a Nossa Senhora Aparecida forças para enfrentar o tratamento.

Eliane com a família na igreja (Foto: Arquivo pessoal/Eliane Guarnieri Cumer Barbosa)

Em entrevista exclusiva ao Tribuna de Jundiaí , ela relembrou os momentos mais difíceis, contou como a espiritualidade a ajudou durante a recuperação e explicou por que decidiu compartilhar publicamente sua história de fé, gratidão e recomeço.

Exame solicitado fora da rotina revelou o câncer

Tudo começou em 2024, quando Eliane procurou atendimento para realizar os exames ginecológicos anuais. Além do Papanicolau, procedimento que já fazia regularmente, a médica solicitou uma colposcopia, exame ao qual ela nunca havia sido submetida.

Na consulta de retorno, o resultado do Papanicolau estava normal. Entretanto, o laudo da colposcopia apontava adenocarcinoma , um tipo de câncer que se desenvolve em células glandulares.

A diferença entre os resultados causou estranhamento na profissional, que chegou a considerar a possibilidade de um erro na identificação dos exames.

“Ela me disse assim: ‘Eliane, tem alguma coisa errada, acho que trocaram seus exames’. Aí perguntei: ‘Por quê, doutora?’. Ela me respondeu: ‘O Papanicolau está tranquilo, porém a colposcopia deu que você está com câncer’”, recordou.

Sozinha no consultório, enquanto o marido aguardava do lado de fora, Eliane sentiu o impacto da notícia. “Eu, então, ali na sala sozinha, meu corpo amoleceu. Meu marido estava esperando fora” , contou.

Diante da divergência, a médica solicitou a repetição dos exames. Eliane procurou atendimento novamente e, no retorno, recebeu a confirmação do diagnóstico.

Apesar do choque, uma fala da médica marcou profundamente aquele momento. Segundo Eliane, a profissional perguntou se ela acreditava em Deus e explicou que não havia uma razão específica para ter solicitado aquele exame adicional .

“Ali caiu a minha ficha que Deus já estava agindo e comecei a todo momento só agradecer”, afirmou.

Para Eliane, o pedido inesperado da colposcopia representou uma intervenção divina em sua trajetória. A descoberta da doença passou a ser interpretada por ela como um sinal de proteção e uma oportunidade de buscar tratamento.

Cirurgia para retirada do útero trouxe medo e incertezas

Com o diagnóstico confirmado, Eliane recebeu a indicação de uma cirurgia para retirada do útero, procedimento conhecido como histerectomia.

A notícia provocou uma mistura de sentimentos , especialmente pela preocupação com os filhos, o marido e o futuro da família.

“Quando soube que precisaria passar por uma cirurgia para a retirada do útero, muitos sentimentos passaram pela minha cabeça. É impossível não sentir medo diante de uma situação assim. A gente pensa na própria vida, na família e em tudo o que ainda deseja viver”.

Mesmo diante das incertezas, ela decidiu confiar no acompanhamento médico e buscar conforto na espiritualidade. A oração passou a fazer parte de sua preparação emocional para enfrentar a cirurgia.

Eliane conta que procurou entregar suas preocupações a Deus , sem deixar de seguir as orientações da equipe responsável pelo tratamento.

Recuperação trouxe alívio e uma nova maneira de enxergar a vida

Depois da cirurgia, a moradora de Jundiaí iniciou um período de recuperação marcado por cuidados, paciência e expectativas em relação à evolução de sua saúde .

Uma das notícias mais importantes veio após o procedimento: segundo Eliane, não seria necessário realizar sessões de quimioterapia ou radioterapia .

“A recuperação foi um período de cuidado, paciência e gratidão. Saber que não precisaria fazer radioterapia nem quimioterapia foi um alívio imenso e representou uma nova oportunidade de viver com ainda mais intensidade”.

A experiência também transformou sua percepção sobre o cotidiano. Momentos com os filhos, encontros familiares e situações antes consideradas simples passaram a ganhar outro significado .

“Para mim, esse resultado trouxe um sentimento muito profundo de gratidão a Deus. Passei a valorizar ainda mais a vida, minha família e cada novo dia”, destacou.

Após vencer o câncer, Eliane compartilha sua história de fé e superação (Foto: Arquivo pessoal/Eliane Guarnieri Cumer Barbosa)

Devoção a Nossa Senhora Aparecida começou ainda na infância

A fé que acompanhou Eliane durante o tratamento faz parte de sua história desde pequena. A devoção a Nossa Senhora Aparecida foi transmitida pela mãe e pela avó , tornando-se uma tradição familiar que ganhou ainda mais importância após o diagnóstico.

Para ela, a imagem da santa representa acolhimento, proteção e a presença materna nos momentos de maior fragilidade. “Vejo Nossa Senhora como mãe, como aquela a quem recorremos nos momentos de alegria, mas principalmente quando estamos frágeis e precisamos de colo, proteção e intercessão”.

Durante o enfrentamento do câncer, essa ligação espiritual se intensificou . Eliane encontrou na oração uma maneira de lidar com a ansiedade e de renovar a esperança, especialmente quando não sabia o que esperar das próximas etapas.

Ela ressalta, entretanto, que a fé não eliminou completamente o sofrimento emocional.

“A fé foi o que me sustentou em muitos momentos. Isso não significa que eu não tenha sentido medo ou chorado, sou humana e também tive minhas fragilidades. Mas mesmo nos dias difíceis, a oração me ajudava a encontrar forças para continuar”.

Com o passar do tempo, Eliane compreendeu que acreditar não significava ter respostas para todas as perguntas, mas encontrar confiança para enfrentar o desconhecido .

“Aprendi que ter fé não significa ter todas as respostas, mas confiar em Deus mesmo quando não entendemos o que está acontecendo”.

Comunidade do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida ofereceu apoio

Além da família e dos amigos, Eliane encontrou acolhimento na comunidade do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida , em Jundiaí.

O local, que já fazia parte de sua vivência religiosa, tornou-se ainda mais significativo depois da descoberta do câncer.

Durante o período da cirurgia, integrantes da comunidade se mobilizaram em orações e demonstrações de carinho . Mensagens e ligações ajudaram a moradora a se sentir amparada em um dos momentos mais delicados de sua vida.

“Eu sou e serei eternamente grata à comunidade do santuário, que todos que ficaram sabendo da minha cirurgia rezaram por mim, mandaram mensagens, ligações e recebi muito carinho de todos, família, amigos e a comunidade inteira do Santuário”.

Hoje, participar das missas e visitar o espaço religioso representa também uma oportunidade de agradecer pela recuperação e pelas pessoas que estiveram ao seu lado.

“O Santuário tem um significado muito especial para mim, pois representa um lugar de oração, acolhimento e encontro com Deus” , afirmou.

História de superação se transforma em testemunho de esperança

Depois de enfrentar o diagnóstico e a cirurgia, Eliane decidiu compartilhar sua experiência para levar uma mensagem de acolhimento a outras pessoas que vivem situações semelhantes.

Ela explica que não pretende apresentar sua trajetória como uma caminhada sem dificuldades. Pelo contrário, deseja mostrar que sentir medo, chorar e precisar de ajuda também fazem parte do enfrentamento de uma doença.

“Não compartilho meu testemunho para dizer que a caminhada foi fácil, mas para mostrar que, em meio ao medo e às incertezas, a fé pode ser uma fonte de esperança e sustentação”.

A moradora acredita que falar sobre os próprios sentimentos pode ajudar quem acaba de receber um diagnóstico difícil ou está passando por um tratamento de saúde.

Para ela, a experiência não se resume ao câncer, mas inclui as transformações que vieram depois dele.

“O que mais me marcou foi perceber como essa experiência transformou a minha maneira de enxergar a vida e fortaleceu a minha fé. Em meio a tantas incertezas, aprendi a valorizar as pequenas coisas, os momentos com a família e a presença das pessoas que amo”.

Ao olhar para trás, Eliane reconhece o impacto da doença, mas também destaca a importância das relações familiares, da comunidade religiosa e do apoio recebido durante sua recuperação.

“A minha história não é apenas sobre uma doença, mas também sobre esperança, fé e recomeço”.

Eliane deixa mensagem para quem enfrenta o câncer

Ao falar com pessoas que estão passando por um diagnóstico semelhante, Eliane reforça a importância de buscar apoio e respeitar os próprios sentimentos durante o tratamento.

Ela reconhece que existem momentos em que o medo pode parecer maior do que a capacidade de enfrentar a situação, mas acredita que ninguém precisa atravessar esse período sem companhia.

“Eu diria para não perder a esperança. Sei que receber um diagnóstico de câncer é assustador e que existem dias em que o medo parece maior do que as nossas forças. Mas não precisamos ser fortes o tempo todo, e ninguém precisa enfrentar tudo sozinho”.

Para além da espiritualidade, Eliane destaca a importância do acompanhamento médico e do acolhimento das pessoas próximas.

“Busque apoio na família, nas pessoas que ama, na oração e nos profissionais de saúde. Confie no tratamento e permita-se viver um dia de cada vez”.

Atualmente, a moradora da Vila Rami compartilha sua história como um testemunho pessoal de fé e gratidão. Sua mensagem final é dedicada especialmente a quem ainda está enfrentando os desafios da doença.

“Hoje, meu sentimento é de profunda gratidão. Gratidão pela vida, pela oportunidade de recomeçar e por tudo o que essa experiência me ensinou”, diz. “Que Deus fortaleça cada pessoa que está passando por uma batalha e que Nossa Senhora Aparecida cubra todos com seu manto de amor e proteção. Que nunca falte fé, esperança e coragem para seguir em frente” , completa.