Em relatório publicado nesta quarta-feira (21), o Research da XP considera que o fator das exportações nos dois países pode ser compensado com a melhora observada no segmento US Beel. Outro ponto que os analistas destacam como possível detrator no balanço são os maiores custos de gado nessas regiões.

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A receita esperada pela XP é de US$ 22,8 bi, o que representa 1% de avanço no ano e queda de 5% no trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ficaria em US$ 1,3 bilhão, com margem Ebitda de 5,8% nas estimativas do Research da corretora.

“No geral, esperamos que o 3T26 seja mais um trimestre desafiador e enxergamos potencial de revisão negativa para as estimativas de consenso. Dito isso, nossas projeções já incorporam um cenário operacional mais fraco”, afirmam.

A XP considera que a melhora dos volumes de exportação no Brasil e na Austrália, combinada com a continuidade da recuperação de margens em US Beef, sustentaria a visão de que o ciclo de revisões negativas de resultados já ficou para trás, com revisões positivas devendo ganhar espaço gradualmente daqui em diante .

Na avaliação do Morgan Stanley, a JBS continua sendo uma das principais recomendações de compra do setor global de proteínas. O banco reconhece que o curto prazo pode trazer volatilidade adicional para as ações, mas argumenta que os investidores devem olhar além das dificuldades momentâneas do terceiro trimestre e focar no potencial de melhora dos resultados no próximo ano.

Refletindo um desempenho mais fraco no período, o Morgan Stanley reduziu sua estimativa de EBITDA para o trimestre em cerca de 15%, passando a projetar aproximadamente US$ 1,24 bilhão. A revisão levou também ao corte do preço-alvo dos papéis de US$ 19,50 para US$ 18,50. Ainda assim, a instituição manteve recomendação Overweight e vê potencial de valorização expressivo para as ações.

O banco destaca que a percepção negativa do mercado está concentrada em fatores de curto prazo. Mesmo após a revisão do trimestre, a projeção de EBITDA para 2027 foi reduzida em apenas 2%, reforçando a avaliação de que os fundamentos de longo prazo permanecem praticamente intactos.

O principal foco de preocupação esteve na operação de carne suína nos Estados Unidos. Segundo o Morgan Stanley, a demanda por produtos como carne suína fresca, bacon e presunto defumado ficou abaixo das expectativas, pressionando as margens da unidade. A instituição calcula que a margem EBITDA da divisão deve recuar para 6,5% no terceiro trimestre, representando uma queda de 2,4 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

No Brasil, os resultados também foram impactados pela forte desaceleração das exportações de carne bovina para a China ao longo do trimestre. Os embarques diminuíram significativamente em relação ao segundo trimestre, afetando tanto o volume exportado quanto as margens da operação brasileira.

Apesar disso, o Morgan Stanley vê essa pressão como temporária. O banco ressalta que os embarques para a China já estão se normalizando e acredita que o aumento da demanda relacionada à formação de estoques para o Ano Novo Chinês deve impulsionar uma recuperação rápida da rentabilidade da operação brasileira no quarto trimestre.

A Austrália foi outro ponto de pressão para os resultados. A combinação entre alta dos custos do gado, recuo nos preços de exportação da carne bovina e concorrência crescente de exportadores sul-americanos no mercado americano reduziu a rentabilidade da operação local durante o trimestre.

O Bradesco BBI compartilha a visão de que o terceiro trimestre deverá ser desafiador, chegando a projetar EBITDA consolidado de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, nível que considera abaixo das expectativas predominantes do mercado. Ainda assim, a casa entende que o trimestre oferece mais sinais sobre a recuperação futura do que propriamente sobre uma deterioração estrutural dos negócios.

Para o banco brasileiro, o principal destaque positivo deve ser justamente a operação de carne bovina nos Estados Unidos. A expectativa é de retorno das margens ao território positivo diante da redução dos custos do gado, indicando que a recuperação do segmento começa a ganhar força após um período prolongado de rentabilidade pressionada.

O Bradesco acredita que a dinâmica da divisão de carne bovina norte-americana terá papel central na geração de valor da companhia nos próximos anos. Como essa operação representa cerca de um terço das receitas consolidadas da JBS, uma recuperação consistente de margens pode compensar eventuais fraquezas observadas em outras unidades de negócios.

A instituição também avalia que o mercado deve direcionar gradualmente sua atenção para o ritmo dessa recuperação ao longo de 2027. Segundo o banco, a melhora da operação americana tem potencial para se tornar o principal catalisador para os papéis nos próximos trimestres.

No segmento de aves, entretanto, o cenário é menos favorável. O Bradesco espera uma desaceleração dos resultados em comparação ao trimestre anterior, refletindo a recuperação da oferta de frango nos Estados Unidos e um ambiente de consumo ainda moderado no Brasil.

Apesar da expectativa de alguma normalização dos lucros do negócio de aves, o banco considera que as margens devem permanecer saudáveis. Além disso, fatores como custos de alimentação animal, dinâmica de oferta global e possíveis impactos sanitários continuarão sendo acompanhados de perto pelos investidores.

Tanto o Morgan Stanley quanto o Bradesco convergem na avaliação de que os desafios do terceiro trimestre não alteram a tese estrutural da JBS. As duas instituições enxergam 2027 como um potencial ponto de inflexão para os resultados da companhia, sustentado principalmente pela recuperação do ciclo da carne bovina nos Estados Unidos, pela normalização das exportações brasileiras e pela capacidade da empresa de converter a melhora operacional em crescimento de lucros, geração de caixa e dividendos.

Nesse cenário, ambas mantêm uma visão positiva para as ações, apostando que o mercado ainda não incorporou totalmente o potencial de recuperação da companhia no médio prazo.

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