A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o vereador Júnior Féfin (União Brasil), que também é agente da Polícia Federal, após a circulação de um vídeo gravado pelo próprio parlamentar em que ele aparece imobilizando a companheira com violência.
A informação foi confirmada pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP). A Câmara de Marília também irá votar na próxima sessão, segunda-feira (26), a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o vereador para apurar o caso.
Mulher foi imobilizada com violência pelo vereador que filmou a agressão em Marília
Nas imagens, que circulam nas redes sociais, o vereador aparece em cima da mulher, no chão, pressionando o pescoço dela com as pernas. Durante a gravação, a vítima afirma que está sendo sufocada e reclama de dores no braço.
Enquanto mantém a mulher imobilizada, Júnior Féfin afirma repetidamente que ela estaria "descontrolada" e pede que a companheira fique longe dele. Quando consegue se soltar, o parlamentar segue pedindo para que ela se afaste. Em seguida, ele vai até o banheiro e filma o próprio rosto diante do espelho. (Assista abaixo).
Vereador aparece em vídeo imobilizando companheira com violência em Marília
Segundo apuração do g1, a mulher chegou a procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Marília, mas, abalada, não concluiu o registro da ocorrência. Ela também buscou atendimento médico após o episódio.
Questionado pela TV TEM, Júnior Féfin informou que o fato ocorreu em ambiente pessoal e que a situação estaria resolvida. A ocorrência também é de conhecimento da Delegacia Seccional de Marília, mas o delegado Wilson Frazão informou que não iria se manifestar no momento.
O g1 questionou a Polícia Federal sobre a possibilidade de abertura de um processo disciplinar. Em resposta, a instituição informou que não comenta informações sobre procedimentos administrativos disciplinares que envolvam dados pessoais de pessoas identificadas ou identificáveis.
Comissão Processante na Câmara
Além das investigações policiais, a Câmara de Marília recebeu um pedido de abertura de Comissão Processante (CP) contra o vereador. A solicitação foi aceita na quarta-feira (21) pela procuradoria jurídica da casa.
O pedido foi formalizado pelo Comitê Municipal de Enfrentamento da Violência Contra a Mulher e será votado na próxima sessão ordinária do Legislativo, agendada para a segunda-feira (26).
O comitê foi criado há um ano para integrar a rede de proteção no município e reúne órgãos como Ministério Público, Polícia Militar, Polícia Civil, Secretarias Municipais e Centro de Referência da Mulher.
Por ser alvo da denúncia, Júnior Féfin não poderá participar da votação. O suplente, Fernando Líbano Domingos, será convocado para assumir a cadeira na sessão.
Vereador chega a filmar o próprio rosto no espelho após soltar a companheira e se trancar no banheiro em Marília
A análise do pedido ocorrerá em duas etapas: primeiro, o Plenário decidirá se a comissão processante será instalada e, em caso positivo, será realizado um sorteio para definir os vereadores membros. Se aprovado, o grupo terá prazo de 90 dias para concluir os trabalhos.
Nesta quinta-feira (22), Júnior Féfin entregou uma declaração à Procuradoria Especial da Mulher que encaminhou para a Secretaria da Câmara.
No documento assinado pela companheira, a mulher declara que mantém união estável com o vereador sem qualquer histórico de agressões. Ela também elogia a atuação do parlamentar nas ações de fiscalização do Poder Executivo e no combate à corrupção.
Quem é o vereador e agente federal Júniro Féfin
O vereador Júnior Féfin (União Brasil), que aparece em um vídeo gravado por ele próprio e divulgado nas redes sociais imobilizando com violência a companheira, é agente de classe especial da Polícia Federal e formado em Direito. Ele está no segundo mandato na Câmara Municipal de Marília (SP).
Natural de Tupã (SP), Oswaldo Féfin Vanin Júnior tem 50 anos, mora há quase 30 anos em Marília e é pai de uma adolescente de 15 anos.
Quem é o agente da Polícia Federal e vereador que aparece em vídeo imobilizando companheira com violência em Marília
Segundo informações divulgadas nas redes sociais do próprio parlamentar, ele está licenciado de suas funções na Polícia Federal desde que assumiu o cargo na Câmara Municipal. Ele afirma que optou por não receber o salário de vereador, de R$ 6,7 mil.
Segundo o Portal da Transparência do Governo Federal, a remuneração de um agente da Polícia Federal de classe especial ultrapassa R$ 25 mil. O g1 entrou em contato com a corporação para confirmar a situação funcional do servidor e saber se ele continua recebendo os vencimentos do cargo, mas não obteve retorno sobre o assunto até a última atualização desta reportagem.
Na política, Júnior Féfin está no segundo mandato consecutivo no Legislativo de Marília. Ele foi eleito pela primeira vez em 2020, quando utilizou o nome de campanha "Agente Federal Junior Féfin". Em 2024, foi reeleito para mais quatro anos na Câmara. Atualmente, é filiado ao União Brasil.
Júnior Féfin é agente da Polícia Federal e vereador que aparece em vídeo imobilizando companheira com violência em Marília
O que diz a Câmara Municipal
Em nota, a Câmara Municipal de Marília informou que acompanha o caso com "máxima atenção" e repudiou qualquer ato de violência. A Casa Legislativa reiterou o "compromisso com o respeito aos direitos humanos, a integridade física e a dignidade das pessoas".
A Câmara declarou ainda que os fatos estão sob apuração das autoridades competentes e que adotará as medidas cabíveis dentro de suas atribuições.
"No âmbito do Poder Legislativo, a Câmara atuará com rigor, transparência e responsabilidade institucional, observando estritamente os ditames legais, as normas regimentais e os princípios constitucionais", concluiu a nota.
Júnior Féfin é agente da Polícia Federal e vereador que aparece em vídeo imobilizando companheira com violência em Marília
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