Em nota, a Ouvidoria da PM afirmou ter recebido as denúncias com “extrema preocupação” e defendeu uma apuração rápida e independente.

Segundo o órgão, caso as acusações sejam confirmadas, as condutas podem envolver violações de direitos fundamentais, abuso de autoridade, constrangimento ilegal e eventual tratamento cruel ou degradante.

A Ouvidoria também ressaltou que a atuação policial deve ser independente de partidos, governos ou correntes ideológicas e que eventuais irregularidades precisam ser apuradas com respeito ao devido processo legal.

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O que diz a PM

A Polícia Militar informou que a ocorrência começou após uma denúncia feita pelo telefone 190. S egundo a versão oficial, o denunciante relatou que três pessoas estariam vendendo drogas e que usavam camisetas relacionadas à candidatura de Lula à reeleição, além de afirmar que um dos suspeitos estaria armado.

O vereador Renan Paes (PL) divulgou nesta quinta-feira (22) um áudio que, segundo ele, corresponderia à ligação recebida pelo 190. Na gravação, o denunciante afirma que os suspeitos estariam usando camisetas brancas e diz acreditar que uma delas seria “do Lula”.

A PM não confirmou a autenticidade do áudio divulgado pelo parlamentar.

A PM afirmou ainda que tomou conhecimento das acusações envolvendo agressões e de que os detidos teriam sido obrigados a vestir as camisetas e informou que os fatos estão sendo apurados.

Testemunhas contestam versão sobre roupas

Testemunhas ouvidas pelo Grupo EP no local afirmaram que os três envolvidos não usavam camisetas de campanha no momento da abordagem.

Uma delas relatou que um dos jovens estava vestido de cinza, outro usava moletom azul e o terceiro estava de bermuda jeans e camiseta branca.

A testemunha também disse ter presenciado agressões durante a ação policial.

A mãe de um dos jovens fez relato semelhante e afirmou que os policiais teriam entrado na residência da família. Segundo ela, sua filha de 14 anos também teria sido agredida.

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PM é acusada de obrigar suspeitos a vestir camisetas de campanha de Lula. (Foto: Divulgação/ PM)

Deputada acionou Corregedoria

A deputada estadual Professora Bebel (PT) afirmou que apresentou representação à Corregedoria da Polícia Militar. Segundo ela, as camisetas vistas posteriormente nos detidos eram peças utilizadas por pessoas contratadas para atuar na campanha eleitoral.

O PT também acionou a Procuradoria-Geral da República e pediu investigação do Ministério Público Eleitoral sobre o episódio.

O partido sustenta que as roupas teriam sido colocadas nos jovens depois da abordagem para criar uma associação entre a campanha e os suspeitos. A alegação ainda está sob apuração.

Defesa contesta acusações

A advogada Joice Vanessa dos Santos, que representa um dos policiais militares, afirmou que as denúncias não retratam adequadamente o contexto da ocorrência.

Segundo ela, será necessário esclarecer os motivos da abordagem e a sequência completa dos fatos. A defesa afirmou ainda que apresentará sua versão e os elementos que considerar pertinentes às autoridades responsáveis pela investigação.

Um suspeito foi solto

Um dos envolvidos, de 17 anos, foi encaminhado à Fundação Casa. Os outros dois passaram por audiência de custódia nesta quinta-feira (22). Um deles, de 21 anos, foi solto, já o mais velho, de 24, permaneceu preso.

A Defensoria Pública informou que participou das audiências e que os relatos apresentados foram considerados pelo Judiciário na análise do caso.

Publicação teve repercussão nas redes

A chegada dos detidos à delegacia foi filmada e o vídeo acabou divulgado nas redes sociais pelo senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP). Em nota, Derrite afirmou que a publicação tinha como objetivo chamar atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas e que não fez menção às camisetas usadas pelos suspeitos.

A assessoria informou ainda que ele defende a apuração das acusações pelos órgãos competentes.

Até a última atualização, a publicação acumulava mais de 358 mil curtidas e quase 25 mil comentários.

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