MAXIMILIEN LAMY / AFP
Mais de 50 mil pessoas morreram em consequência do calor na Europa durante o verão de 2026, apontam estimativas de um estudo divulgado nesta sexta-feira (23).
A pesquisa analisou 854 cidades de 30 países europeus e concluiu que cerca de 32,6 mil dessas mortes, o equivalente a 65% do total, estão relacionadas ao aquecimento global provocado pelas atividades humanas, principalmente pela queima de combustíveis fósseis.
O levantamento foi realizado por pesquisadores de duas instituições britânicas, o Imperial College London e a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, e publicado na revista científica "Nature Health".
Ao todo, foram estimadas 50.391 mortes associadas ao calor entre junho e agosto, o maior número da série analisada, iniciada em 2000.
O resultado supera os verões de 2022, com cerca de 29,5 mil mortes, e de 2003, com 28,5 mil.
O verão de 2026 foi o terceiro mais quente já registrado na Europa e o mais quente da história na parte ocidental do continente, segundo o serviço climático europeu Copernicus.
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Nas cidades analisadas, as temperaturas ficaram, em média, 2,4°C acima do padrão observado entre 1991 e 2020.
Quase um terço das mortes ocorreu entre 17 de junho e 1º de julho, quando as temperaturas médias diárias ficaram 5,3°C acima do habitual.
A Itália foi o país com o maior número de mortes estimadas, seguida por França, Espanha, Alemanha e Reino Unido. Veja os números:
Itália: 13.303 mortes.
França: 7.268 mortes.
Espanha: 6.824 mortes.
Alemanha: 6.340 mortes.
Reino Unido: 4.354 mortes.
O sul da Europa concentrou o maior número de mortes, com 22,2 mil casos. A região também apresentou a maior taxa de mortalidade associada ao calor.
Os idosos foram os mais afetados. Cerca de 22,5 mil vítimas tinham 85 anos ou mais, embora os pesquisadores também tenham estimado aproximadamente 6 mil mortes entre pessoas com menos de 65 anos.
O calor pode agravar doenças preexistentes e contribuir para mortes que nem sempre são atribuídas diretamente às altas temperaturas nos registros de óbito.
Como foi feito o estudo?
Para chegar aos resultados, os cientistas combinaram dados de temperatura, população e mortalidade. Depois, compararam o verão de 2026 com uma simulação de como teriam sido as temperaturas sem o aquecimento global provocado pelas atividades humanas.
Os números são estimativas, não uma contagem direta de óbitos, e consideram apenas as cidades estudadas, que reúnem cerca de 173 milhões de habitantes.
Por isso, o total de mortes associadas ao calor em toda a Europa pode ser maior.
“Podemos afirmar com bastante confiança que o verão de 2026 provavelmente foi o mais letal já registrado em relação às mortes causadas pelo calor em grande parte da Europa”, afirmou Clair Barnes, pesquisadora do Imperial College London e uma das autoras do estudo.
Os pesquisadores defendem a redução das emissões de gases de efeito estufa e a ampliação de medidas para proteger a população durante períodos de calor extremo.
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