# Plano de Trump para usar energia de Itaipu em empresas de inteligência artificial pode reduzir fornecimento ao Brasil, dizem especialistas

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2026/10/23/plano-de-trump-para-usar-energia-de-itaipu-em-empresas-de-inteligencia-artificial-pode-reduzir-fornecimento-ao-brasil-dizem-especialistas.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-23T06:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1313109-plano-de-trump-para-usar-energia-de-itaipu-em-empresas-de-inteligencia

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O plano anunciado pelo governo de Donald Trump para utilizar energia da usina de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, para abastecer empresas de inteligência artificial pode reduzir a quantidade de eletricidade destinada ao mercado brasileiro nos próximos anos. O alerta é de especialistas em energia ouvidos pelo g1, após o anúncio de uma parceria entre uma empresa americana e uma empresa paraguaia nesta quarta-feira (21).

Segundo os pesquisadores, o Paraguai tem ampliado o consumo da energia que lhe pertence na hidrelétrica binacional. Com a instalação de novos empreendimentos de grande porte, a tendência é que o país utilize uma parcela cada vez maior da eletricidade e diminua o excedente atualmente disponibilizado ao Brasil.

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O acordo anunciado pelos Estados Unidos envolve a empresa americana Crusoe, que desenvolve infraestrutura para inteligência artificial, e a desenvolvedora de projetos de energia e infraestrutura paraguaia Araico. A previsão é que a primeira fase do empreendimento entre em operação em meados de 2027.

Delegação americana visita a Usina de Itaipu, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai

Embaixada dos EUA no Paraguai

O projeto utilizará energia produzida por Itaipu para abastecer uma estrutura de processamento de dados instalada no Paraguai. Segundo o governo americano, a instalação atenderá clientes dos Estados Unidos e da América Latina. O anúncio não detalhou a quantidade de energia que será contratada.

O Brasil não participou das negociações anunciadas pelo governo americano. Ao g1, Itaipu informou que não participou do encontro entre as autoridades e que a utilização da energia destinada a cada país é uma decisão nacional, conforme as regras do tratado binacional.

Para Victorio Oxilia, doutor em Energia e professor da Faculdade Politécnica da Universidade Nacional de Assunção, no Paraguai, a redução do excedente destinado pelo lado paraguaio ao Brasil já está em andamento e pode se acelerar com a chegada de novos consumidores.

"O que dá para prever é que talvez a quantidade disponível de energia para o Brasil diminua bastante. É muito difícil que suma totalmente, mas vai diminuir bastante", afirma Oxilia.

O especialista explica que o crescimento da demanda paraguaia se intensificou a partir de 2021 e 2022, principalmente pela instalação de empresas que utilizam grandes quantidades de eletricidade, como as dedicadas à mineração de criptomoedas.

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O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Tomaz Espósito, também considera que os empreendimentos podem reduzir a disponibilidade de energia para o Brasil e tornar mais complexas as negociações entre os países.

"Com um novo consumidor, as negociações do Anexo C se tornarão mais complexas, pois o Paraguai poderá ter outros consumidores, como essas empresas. No curto prazo, isso significa uma possibilidade de redução da oferta de energia ao mercado brasileiro", explica.

⚡ O Anexo C do Tratado de Itaipu estabelece as regras financeiras e de comercialização da energia produzida pela hidrelétrica, compartilhada entre Brasil e Paraguai. O documento define, entre outros pontos, como são calculados os custos da eletricidade e a compensação paga pela energia que um país não utiliza e disponibiliza ao outro.

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Brasil não corre risco de desabastecimento

Apesar da possibilidade de redução, os especialistas não apontam risco imediato de desabastecimento no Brasil. Oxilia avalia que o país possui um sistema elétrico diversificado, com outras fontes de geração capazes de reduzir os impactos.

"O Brasil vai sentir essa redução de energia disponível, porém tem um sistema tão grande, com tantas opções hoje em dia, que esse impacto vai ser mínimo", afirma.

Espósito, por outro lado, chama atenção para a importância da energia de Itaipu no abastecimento do Centro-Sul brasileiro.

"Ainda que o Brasil tenha um superávit de energia, com grande potencial solar, uma reserva importante de energia do Centro-Sul vai diminuir ao longo do tempo."

Ainda não há uma estimativa oficial de quanto o empreendimento poderá reduzir a energia disponibilizada ao Brasil, nem confirmação de eventuais impactos na conta de luz dos consumidores brasileiros.

Aproximação com o Paraguai

Os presidentes do Paraguai, Santiago Peña, e dos Estados Unidos, Donald Trump

O acordo para a instalação da estrutura de computação faz parte de uma série de iniciativas anunciadas pelo Departamento de Estado para ampliar os investimentos americanos no Paraguai.

Segundo o governo americano, durante a visita de Landau, uma delegação empresarial dos EUA discutiu oportunidades em setores como tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística.

Além do projeto ligado a Itaipu, a empresa americana Uranium Energy Corp. anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver uma de suas concessão de urânio no Paraguai.

Na área de segurança, os dois governos também assinaram um acordo de assistência para interceptação aérea. A iniciativa pretende ampliar a capacidade paraguaia de monitorar e proteger o espaço aéreo contra voos suspeitos de transportar drogas.

Os Estados Unidos anunciaram ainda US$ 5,5 milhões em assistência para ações contra o financiamento do terrorismo, o combate ao narcotráfico e o reforço da segurança nas fronteiras.

Outros US$ 6,25 milhões serão destinados à cooperação bilateral contra o crime organizado transnacional.

Os dois países também iniciaram negociações para estabelecer um acordo de cooperação no uso pacífico da energia nuclear.

Se o entendimento entrar em vigor, será criado um marco legal para permitir que empresas americanas exportem equipamentos e materiais nucleares para o Paraguai, sob regras de segurança e não proliferação.

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2026/10/23/plano-de-trump-para-usar-energia-de-itaipu-em-empresas-de-inteligencia-artificial-pode-reduzir-fornecimento-ao-brasil-dizem-especialistas.ghtml

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