No primeiro pregão após a votação , o Ibovespa disparou 7,7%, registrando sua maior alta diária desde março de 2020 e ultrapassando pela primeira vez os 200 mil pontos. O dólar caiu mais de 4% frente ao real, enquanto a curva de juros futuros registrou forte fechamento. Bancos, varejistas, construtoras e empresas ligadas ao mercado de capitais lideraram os ganhos.
Entre os maiores destaques daquele movimento estiveram B3 ( B3SA3 ), XP ( XPBR31 ) e BTG Pactual ( BPAC11 ), que avançaram mais de 20%, além de Itaú ( ITUB4 ), Bradesco ( BBDC4 ) e Banco do Brasil ( BBAS3 ), com ganhos superiores a 10%. O mercado interpretou que uma eventual mudança no comando do país poderia reduzir o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros e aumentar as chances de consolidação fiscal nos próximos anos.
Já setores mais dependentes do ciclo doméstico foram os principais beneficiários da queda dos juros futuros. Magazine Luiza ( MGLU3 ), C&A ( CEAB3 ), Lojas Renner ( LREN3 ), Cyrela ( CYRE3 ), MRV ( MRVE3 ) e outras empresas sensíveis ao custo de capital estiveram entre as maiores altas da Bolsa desde o primeiro turno.
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Juros foram o principal motor do rali
Apesar da narrativa eleitoral dominar o noticiário, bancos e estrategistas apontam que o principal combustível da alta foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo.
Segundo o Goldman Sachs, cerca de 85% da valorização do Ibovespa após o primeiro turno pode ser explicada pela queda dos juros longos. O banco lembra que as ações mais sensíveis aos juros subiram entre 15% e 25% logo após a votação e vê paralelos com o comportamento observado após a eleição de 2018.
O banco manteve projeção-base de 215 mil pontos para o Ibovespa , mas avalia que o índice poderia alcançar 225 mil pontos caso o próximo governo entregue maior disciplina fiscal e consiga provocar nova rodada de fechamento dos juros reais.
A visão do UBS Wealth Management segue linha semelhante, elevando sua exposição para ações brasileiras e passou a projetar potencial adicional de cerca de 25% para a Bolsa. A instituição argumenta que a reprecificação iniciada após o primeiro turno ainda não capturou integralmente um eventual cenário de melhora fiscal e de redução estrutural do prêmio de risco Brasil.
Segundo o UBS, setores como financeiro, construção civil, utilities e small caps continuam entre os principais beneficiários potenciais de uma combinação de juros menores e melhora da percepção de risco do país.
Da euforia à cautela
Se os dias imediatamente posteriores ao primeiro turno foram marcados por forte otimismo, a semana seguinte trouxe uma acomodação dos ativos.
Com pesquisas mostrando uma disputa mais apertada entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), investidores passaram a realizar parte dos ganhos acumulados e a reduzir posições mais agressivas. O Ibovespa devolveu uma pequena parcela da alta, enquanto o dólar voltou a subir em alguns pregões.
Essa mudança de comportamento refletiu a percepção de que o mercado já havia incorporado boa parte do cenário considerado mais favorável e passou a exigir sinais concretos sobre equipe econômica, propostas fiscais e capacidade de implementação de reformas.
Mesmo assim, a leitura predominante entre grandes bancos segue construtiva. Tanto UBS quanto Goldman argumentam que a continuidade do movimento dependerá da credibilidade fiscal do próximo governo.
Assim, antes do segundo turno, o foco dos investidores continua concentrado em três fatores.
O primeiro são as pesquisas eleitorais, que permanecem sendo a principal fonte de volatilidade para ações, câmbio e juros. O segundo é a definição da equipe econômica e das propostas fiscais que serão apresentadas após a votação. O terceiro é a temporada de resultados corporativos, que começou nesta semana e servirá para medir quais empresas realmente conseguem sustentar o otimismo que impulsionou os preços das ações.
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