# Abstenção em fluxos normais aproxima a disputa, mas não a inverte

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/abstencao-em-fluxos-normais-aproxima-a-disputa-mas-nao-a-inverte/)
- Publicado em: 2026-10-23T09:00:23.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1314968-abstencao-em-fluxos-normais-aproxima-a-disputa-mas-nao-a-inverte

> A redução da abstenção no 2º turno, por si só, pode diminuir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não seria suficiente para mudar o resultado da disputa presidencial. A…

O petista precisaria levar às urnas de 10 milhões a 25 milhões de eleitores que se abstiveram no 1º turno para alcançar o empate, segundo o estudo. Ao todo, 33.469.244 (21,08%) não foram às urnas em 4 de outubro.

A mudança exigiria uma queda de 3 a 13 pontos percentuais na abstenção nacional, movimento inédito na série histórica brasileira. A taxa aumentou em todos os 2º turnos das eleições presidenciais realizadas desde 2002, com exceção de 2022, quando houve uma queda muito tímida de um turno para o outro.

Dois fatores ajudam a explicar esse comportamento: a desmotivação dos eleitores em Estados onde os governadores foram eleitos no 1º turno e a dificuldade de transferir os votos de candidatos derrotados.

PERFIL DOS ELEITORES

Na simulação do BTG Pactual, 5,5 milhões de eleitores que não votaram no 1º turno compareceriam às urnas no 2º. Ao mesmo tempo, outros 5 milhões, que participaram da primeira votação, deixariam de votar. O saldo positivo seria de 500 mil eleitores, próximo ao registrado em 2022. Com isso, a abstenção cairia de 21,08% para 20,77%, uma redução de 0,31 ponto percentual.

A queda, por si só, não seria suficiente para inverter o resultado projetado. O efeito sobre a disputa dependeria de como os votos se distribuiriam entre os eleitores que passariam a votar e aqueles que deixariam de comparecer às urnas.

Segundo as pesquisas consideradas pelo BTG, Lula receberia de 53% a 65% dos votos dos novos eleitores. O banco também considera cenários em que 50% a 70% dos que deixariam de votar seriam eleitores de Flávio Bolsonaro. O relatório informa, porém, que não há pesquisas que meçam diretamente esse percentual.

A participação ou não desses eleitores, combinada com a transferência de votos de candidatos derrotados no 1º turno, poderiam reduzir a vantagem projetada de Flávio de 5,05 milhões para um intervalo de 300 mil a 4,7 milhões de votos. A vantagem do senador diminuiria, mas não o suficiente para inverter o resultado projetado.

A 2 dias do 2º turno das eleições gerais, marcado para domingo (25.out), os candidatos à Presidência buscam conquistar eleitores que ainda não definiram o voto e assegurar o comparecimento nas urnas. Até o momento, Flávio já gastou R$ 74,6 milhões na campanha, enquanto Lula desembolsou R$ 65,7 milhões .

O senador aposta na campanha digital para conquistar eleitores e mobilizar apoiadores do bolsonarismo. O presidente, por sua vez, tem usado a máquina pública em benefício da campanha, com a antecipação do pagamento do Bolsa Família , acompanhada de reajuste, a poucos dias do 2º turno, e a divulgação de ações do governo por aplicativos de mensagens .

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