O resultado vem do estudo de fase 3, a última etapa de testes antes do pedido de aprovação, e foi divulgado pelas empresas nesta quinta-feira (22).
Em agosto, as farmacêuticas já tinham anunciado que o tratamento tinha atingido seus objetivos, mas sem revelar números. Agora o efeito ganhou tamanho.
A pesquisa revelou que:
Dois anos após o tratamento, 82,2% dos pacientes que receberam a vacina com o imunoterápico Keytruda continuavam sem sinais da doença.
Entre os que usaram só o Keytruda, terapia padrão para o melanoma, o índice foi de 70%.
A combinação também diminuiu em 38% o risco de o câncer se espalhar para outros órgãos, a chamada metástase.
Os dados são os primeiros a mostrar, em um estudo desse porte, que uma vacina construída a partir das mutações do tumor de cada paciente, somada a um remédio que libera o sistema imune para agir, consegue manter a doença sob controle.
“Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não é por acaso”, afirmou o oncologista Hussein Tawbi, especialista em melanoma e um dos investigadores do estudo no MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas.
As empresas se preparam para pedir aprovação nos Estados Unidos. Segundo o presidente-executivo da Moderna, Stéphane Bancel, a expectativa é que a vacina chegue ao mercado em 2027. Os resultados completos serão apresentados neste sábado (24) no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri.
Como funciona a vacina
Batizada de intismeran autogene, a vacina não funciona como as usadas contra doenças infecciosas. Ela não evita que o câncer apareça: é produzida sob medida para tratar um tumor que já existe.
O processo começa com uma amostra do tumor retirado na cirurgia:
o material genético do câncer é sequenciado para identificar as mutações que só ele carrega, uma espécie de impressão digital daquele tumor;
com base nisso, é fabricada uma molécula de mRNA com instruções para até 34 desses alvos;
injetada no paciente, ela faz as células produzirem cópias dessas mutações, e o sistema imune aprende a localizar e destruir as células cancerosas que as exibem.
O Keytruda atua em outra frente. Tumores usam uma proteína chamada PD-1 como uma espécie de freio, que impede as células de defesa de atacá-los. O medicamento bloqueia esse freio.
Juntos, os dois tratamentos se complementam: a vacina aponta o alvo, e o imunoterápico deixa o sistema imune livre para atingi-lo.
Para Bancel, a capacidade de gerar células de defesa específicas contra o tumor de cada pessoa tem impacto clínico profundo e, como já se viu na fase anterior dos testes, duradouro.
%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2FS%2FW%2FBmPFf6Tf6Ra9hisUiCvg%2F2026-10-22t205926z-1-lynxmpem9l1zk-rtroptp-4-health-coronavirus-vaccine.jpg&w=800&output=webp&q=75)
