# Vacina de mRNA contra câncer reduz em 42% risco de morte ou volta do melanoma

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/10/23/vacina-de-mrna-contra-cancer-reduz-em-42percent-risco-de-morte-ou-volta-do-melanoma.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-23T10:57:09.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1315855-vacina-de-mrna-contra-cancer-reduz-em-42-risco-de-morte-ou-volta-do-melanoma

> A vacina contra o câncer desenvolvida pela Moderna e pela MSD reduziu em 42% o risco de morte ou de retorno do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele.

O resultado vem do estudo de fase 3, a última etapa de testes antes do pedido de aprovação, e foi divulgado pelas empresas nesta quinta-feira (22).

Em agosto, as farmacêuticas já tinham anunciado que o tratamento tinha atingido seus objetivos, mas sem revelar números. Agora o efeito ganhou tamanho.

A pesquisa revelou que:

Dois anos após o tratamento, 82,2% dos pacientes que receberam a vacina com o imunoterápico Keytruda continuavam sem sinais da doença.

Entre os que usaram só o Keytruda, terapia padrão para o melanoma, o índice foi de 70%.

A combinação também diminuiu em 38% o risco de o câncer se espalhar para outros órgãos, a chamada metástase.

Os dados são os primeiros a mostrar, em um estudo desse porte, que uma vacina construída a partir das mutações do tumor de cada paciente, somada a um remédio que libera o sistema imune para agir, consegue manter a doença sob controle.

“Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não é por acaso”, afirmou o oncologista Hussein Tawbi, especialista em melanoma e um dos investigadores do estudo no MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas.

As empresas se preparam para pedir aprovação nos Estados Unidos. Segundo o presidente-executivo da Moderna, Stéphane Bancel, a expectativa é que a vacina chegue ao mercado em 2027. Os resultados completos serão apresentados neste sábado (24) no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri.

Como funciona a vacina

Batizada de intismeran autogene, a vacina não funciona como as usadas contra doenças infecciosas. Ela não evita que o câncer apareça: é produzida sob medida para tratar um tumor que já existe.

O processo começa com uma amostra do tumor retirado na cirurgia:

o material genético do câncer é sequenciado para identificar as mutações que só ele carrega, uma espécie de impressão digital daquele tumor;

com base nisso, é fabricada uma molécula de mRNA com instruções para até 34 desses alvos;

injetada no paciente, ela faz as células produzirem cópias dessas mutações, e o sistema imune aprende a localizar e destruir as células cancerosas que as exibem.

O Keytruda atua em outra frente. Tumores usam uma proteína chamada PD-1 como uma espécie de freio, que impede as células de defesa de atacá-los. O medicamento bloqueia esse freio.

Juntos, os dois tratamentos se complementam: a vacina aponta o alvo, e o imunoterápico deixa o sistema imune livre para atingi-lo.

Para Bancel, a capacidade de gerar células de defesa específicas contra o tumor de cada pessoa tem impacto clínico profundo e, como já se viu na fase anterior dos testes, duradouro.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/10/23/vacina-de-mrna-contra-cancer-reduz-em-42percent-risco-de-morte-ou-volta-do-melanoma.ghtml

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