# Trump respeitará eleição no Brasil, mesmo se Lula for eleito, diz Amorim

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/trump-respeitara-eleicao-no-brasil-mesmo-se-lula-for-eleito-diz-amorim/)
- Publicado em: 2026-10-23T11:36:48.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1316692-trump-respeitara-eleicao-no-brasil-mesmo-se-lula-for-eleito-diz-amorim

> Celso Amorim, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirma que Donald Trump (Partido Republicano) respeitará o resultado das eleições brasileiras mesmo que o petista vença o 2º turno. A declaração foi dada em…

&#8220;Acho que o presidente Trump vai respeitar. Não significa que vai sair correndo para reconhecer e dizer &#8216;que bom&#8217;, mas vai respeitar na prática&#8221;, disse o ex-chanceler. Amorim acrescentou que o republicano pode ter preferências, mas não deixará de reconhecer o chefe de Estado brasileiro . &#8220;Não sei se ele vai elogiar ou não, se vai dizer &#8216;viva o Lula&#8217;. Ele desejou boa sorte ao Lula em telefonema. Ele pode gostar mais de alguém ou de outro, mas respeita o presidente Lula&#8221;, afirmou.

Trump não esconde seu apoio ao Flávio Bolsonaro (PL). Depois do 1º turno, que o republicano chamou de &#8220;grande vitória&#8221; ao ver o candidato do PL terminar à frente de Lula, o presidente norte-americano tem sido evasivo e não declarou apoio explícito a nenhum dos candidatos. O governo dos EUA também enfrenta tensões com Brasília; há pressões envolvendo sanções a autoridades brasileiras, tarifas e a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington.

O Departamento de Estado norte-americano, em resposta recente a parlamentares democratas, afirmou apoiar o direito dos brasileiros a eleições livres e justas. A declaração, no entanto, não assumiu expressamente o compromisso solicitado pelos parlamentares de respeitar o processo eleitoral.

Amorim classificou como &#8220;muito grave&#8221; o episódio a Meta, em que perfis ligados a Lula sofreram prejuízo algorítmico enquanto contas associadas a Flávio foram impulsionadas pela plataforma. Para o assessor especial, o incidente provocou &#8220;danos irreparáveis&#8221; e representa &#8220;uma interferência que já deixa uma marca, qualquer que seja o resultado&#8221; .

O ex-chanceler lembrou que empresas como a Meta, também relevante no setor de inteligência artificial, são próximas do governo Trump. &#8220;Isso é uma prova clara de que as grandes redes podem e por vezes interferem nas decisões políticas dos outros países&#8221; , disse. Amorim, porém, não atribuiu o episódio diretamente à Casa Branca. &#8220;Você teria que entrar numa discussão de saber se as elites do poder lá se interconectam ou não. Eu tenho a impressão que sim, mas eu não posso fazer uma acusação&#8221; , afirmou.

Escudo das Américas e Itamaraty

Amorim vê riscos ao Brasil na adesão ao Escudo das Américas, iniciativa norte-americana de combate ao narcotráfico com aliados ideológicos no continente. Flávio sinalizou que, se eleito, quer integrar o Brasil ao programa. Em entrevista anterior, Amorim descreveu a iniciativa como um &#8220;cerco&#8221; ao país.

&#8220;Você viu o que aconteceu no Caribe [ataques dos EUA a embarcações], e não estou falando nem da Venezuela, que já é uma coisa mais complexa. Ninguém sabe quantas pessoas foram mortas, ninguém se preocupou em provar nada. Nós não queremos ter esse tipo de risco conosco, isso não tem cabimento&#8221; , disse o assessor especial.

Um dos principais apoiadores do Escudo das Américas é o presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) , aliado próximo de Trump. Milei tem feito ataques públicos a Lula e ao Poder Judiciário brasileiro. Em reação, o governo brasileiro retirou seu embaixador de Buenos Aires por tempo indeterminado. Amorim classificou as declarações do argentino como &#8220;lamentáveis&#8221;. &#8220;Não são dignas de um presidente, para falar a verdade. Mas espero que seja passageiro, que a gente possa recuperar, porque a relação Brasil-Argentina é muito importante&#8221; , afirmou.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio e hoje residente nos EUA com trânsito próximo ao governo Trump, tem prometido uma &#8220;faxina&#8221; no Itamaraty. Ele ameaçou diplomatas ideologicamente alinhados ao governo Lula e defendeu reformas no Serviço Exterior brasileiro. Amorim chamou de &#8220;terrível&#8221; a perspectiva. &#8220;Não vejo risco [ao Itamaraty] porque eu acho que [Flávio] não vai ganhar. Mas, se fosse isso, ou se houvesse influência desse tipo de ideia, seria uma coisa terrível&#8221; , disse.

O assessor preferiu não comentar a gestão do ministro Mauro Vieira no Itamaraty, mas elogiou o colega e defendeu a atuação da pasta durante todos os mandatos petistas. Ele reconheceu que há gargalos na progressão de carreira e citou o aumento nos concursos e no número de diplomatas como avanços. A insatisfação interna no ministério envolve também atrasos em reembolsos, problemas orçamentários e falta de avanço em políticas de ações afirmativas de gênero e raciais.

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