No entanto, eles ainda não formalizaram um plano, com várias missões diplomáticas ainda discutindo com seus governos sobre a melhor forma de proceder, acrescentaram as fontes.

O senador Flávio ‌Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno no início do mês na liderança, está empatado com o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 50% dos votos válidos, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira.

Dois embaixadores disseram à Reuters que temem que o presidente dos EUA, Donald Trump, ou seu governo, possam questionar o resultado caso Lula vença por uma margem estreita .

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“Não me surpreenderia se Trump ou (o presidente argentino de direita Javier) Milei declarassem Bolsonaro vencedor antes mesmo das autoridades ⁠eleitorais”, ‌disse um embaixador, acrescentando temer que tal cenário possa provocar uma grave crise institucional.

O embaixador, que falou sob condição de ⁠anonimato devido à delicadeza do assunto, disse que não estava envolvido em discussões com outros governos.

O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada norte-americana em Brasília não responderam às perguntas sobre se Trump se comprometeria a reconhecer o vencedor do segundo turno conforme for anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil. O tribunal não respondeu a um pedido de comentário.

Um embaixador disse que sua preocupação com Trump surge após os comentários do líder norte-americano sobre ​recentes eleições na América Latina, incluindo a eleição presidencial de 2025 em Honduras. Em meio a atrasos na apuração dos votos, Trump alegou fraude sem apresentar provas e disse que haveria “consequências terríveis” se Honduras alterasse os resultados preliminares ​que colocavam seu candidato preferido na liderança.

Um reconhecimento prematuro por parte de Trump ou de outra pessoa “poderia levar a uma crise institucional que ninguém deseja”, disse esse embaixador.

‘CONFIANÇA NO SISTEMA BRASILEIRO’

Nas eleições de 2022 no Brasil, governos estrangeiros, incluindo os Estados Unidos, a União Europeia e muitos países latino-americanos, desempenharam um papel importante ao reconhecer a vitória de Lula sobre o então presidente Jair Bolsonaro, que se recusou a admitir a derrota durante dias.

Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi ‌posteriormente condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado depois ​que sua derrota naquelas eleições levou seus apoiadores a invadirem violentamente as sedes dos Três Poderes.

“Nosso principal objetivo é reconhecer o resultado de uma eleição que esperamos que seja realizada de acordo com bons padrões. Temos confiança no sistema eleitoral brasileiro”, disse um embaixador europeu à Reuters, acrescentando que “a ⁠rapidez é a principal preocupação”.

Flávio Bolsonaro ficou à ​frente de Lula no primeiro ​turno das eleições, em 4 de outubro, o que fez os mercados dispararem com o otimismo de que ele estava bem posicionado para vencer e aprovar ⁠reformas econômicas que favorecem as empresas, com a ajuda de um ​novo Congresso dominado por seus aliados.

Flávio mantém uma pequena vantagem sobre Lula nas pesquisas à medida que se aproxima o segundo turno, mas as pesquisas sugerem que essa vantagem está diminuindo à medida que a votação se aproxima.

“Se Lula vencer, especialmente por uma margem estreita, é ​inevitável que pelo menos alguns digam que a votação foi, de alguma forma, fraudada a seu favor”, disse um embaixador, que afirmou que esse cenário hipotético aumenta a pressão sobre as autoridades eleitorais brasileiras ​e os observadores internacionais para que ⁠confirmem rapidamente o resultado da votação.

Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, disse que a eventual recusa de Trump em reconhecer rapidamente uma vitória ⁠de Lula seria um ponto baixo nas relações bilaterais.

“Acho que esse é um cenário que precisamos manter no radar”, disse.

Os embaixadores ouvidos pela Reuters expressaram confiança no processo eleitoral e nas instituições brasileiras, e afirmaram que as preocupações não se referiam a um candidato específico, mas ao possível negacionismo eleitoral, que poderia afetar a confiança já em declínio nas instituições democráticas do Brasil.

“Não me importa se Lula ou Bolsonaro vencer”, disse um embaixador. “O que me importa é o estado da democracia brasileira após esta eleição.”

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