Rodolfo Landim e Luiz Eduardo Baptista, o Bap, os dois mais recentes presidentes do Flamengo, não viram limites para o futuro rubro-negro. O primeiro falou em tornar o clube “a primeira potência sul-americana” e “ser dominante por 50 anos”. O segundo disse que o Flamengo era uma ilha dentro do futebol brasileiro e projetou transformá-lo no “Real Madrid das Américas”.
Não há crime algum nas declarações. Eles não foram os primeiros dirigentes de futebol a investir na grandiloquência. Mas o discurso cobra um preço. E ele costuma vir em formato de frustração.
O Flamengo foi eliminado pelo Estudiantes, nesta quinta-feira, no Maracanã, nas semifinais da Libertadores, depois de dois jogos em que não conseguiu fazer um gol – e nos quais pouco ameaçou o adversário. Antes, havia caído para o Vitória na Copa do Brasil. São duas decepções que ajudam a devolver o clube para as fronteiras da realidade.
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Porque é isso que vai acontecer. O Flamengo seguirá ganhando muito, talvez mais do que todos os concorrentes no Brasil, mas perderá mais do que ganha. Ao perder, terá que lidar com as expectativas que criou em sua torcida.
É uma armadilha na qual a excelência não basta, na qual só a perfeição satisfaz. E o Flamengo não será perfeito. Dirigentes errarão na escolha de treinadores, treinadores errarão na escolha de jogadores, jogadores errarão ao bater pênaltis decisivos.
Calibrar expectativas também é função de um dirigente. O técnico Leonardo Jardim foi mal na eliminação para o Estudiantes, e isso trouxe à tona um fantasma que ainda mora no armário rubro-negro: Filipe Luís deveria ter sido demitido lá no começo do ano ou foi um erro de leitura da diretoria, justamente por esperar mais do que a realidade pode oferecer.
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Nada disso apaga o sucesso do projeto rubro-negro, iniciado com a reformulação promovida por Eduardo Bandeira de Mello – que teve o mérito justamente de entender a concretude dos fatos e agir para resolvê-los. Os torcedores seguem com motivos para se orgulhar daquilo que o Flamengo se tornou (ou daquilo que sempre foi, mas esteve escondido por décadas). E o título brasileiro, mais um, continua sendo um caminho aberto.
Esta é, afinal, a realidade do Flamengo. Ser muitas vezes, mas não sempre, campeão. Ser um clube muito grande, mas não uma ilha. Ser o Flamengo, não o Real Madrid.
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