A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão , órgão do MPF, considerou as justificativas insuficientes . Na 4ª feira (21.out.2026), recomendou medidas urgentes para evitar restrições indevidas e garantir a liberdade de expressão nas redes sociais.
A Meta tem prazo de 48 horas para informar se acatará as recomendações e quais providências adotará no 2º turno, no domingo (25.out.2026) . Também deve apresentar um relatório conclusivo em até 30 dias .
A atuação do órgão começou depois de representações das organizações Artigo 19 , Conectas Direitos Humanos , Sleeping Giants Brasil e CTRL+Z . As entidades reuniram mais de 1.000 relatos de remoções de posts, suspensões de contas e restrições de alcance no período eleitoral .
Entre os afetados estão veículos de comunicação, jornalistas, entidades estudantis, movimentos sociais e cidadãos . Segundo o MPF, parte das restrições foi aplicada sem justificativa individualizada ou com classificações inadequadas em categorias graves, como terrorismo e exploração sexual infantil .
O QUE O MPF COBRA DA META
Na recomendação, o órgão solicita procedimentos mais transparentes e menor dependência de sistemas automáticos em decisões sobre circulação de conteúdo .
Entre as medidas solicitadas estão:
Revisão humana de bloqueios decorrentes de denúncias em massa ou classificações por infrações graves ;
Restabelecimento imediato de publicações e contas quando forem identificados erros ;
Comunicação individualizada aos usuários sobre os motivos e a duração das restrições ;
Criação de um canal gratuito e de fácil acesso para contestar bloqueios, com análise humana ;
Auditoria independente dos algoritmos de moderação utilizados pela empresa .
O MPF também ingressou com uma ação civil pública na Justiça Federal de Porto Alegre (RS) para impedir restrições consideradas arbitrárias . O pedido exige que as decisões de bloqueio não sejam tomadas exclusivamente por algoritmos e que os recursos sejam analisados por equipes humanas especializadas . A ação fixa multa diária de R$ 500 mil por conta em caso de descumprimento de determinação judicial .
O QUE DIZ A META
Em comunicado atualizado na 4ª feira (21.out), a Meta informou que restringe conteúdos gerados ou alterados por IA para cumprir resolução do Tribunal Superior Eleitoral. Leia a íntegra do comunicado (PDF – 198 kB).
A plataforma declarou que aplicativos de edição de imagens, vídeos e áudios podem inserir nos arquivos sinais técnicos indicativos de IA . Esses indicadores são identificados automaticamente pela rede, que oculta os conteúdos no Brasil .
A Meta afirma que as restrições relacionadas à regra eleitoral serão mantidas até as 23h59 de 2ª feira (26.out.2026), quando os posts temporariamente ocultados voltarão a ficar visíveis .
O comunicado não esclarece se todos os bloqueios passam por revisão humana nem os mecanismos utilizados para distinguir edições simples de conteúdos sintéticos proibidos pelo TSE .
A investigação do MPF é anterior ao início da restrição temporária de IA para o 2º turno, iniciada em 22 de outubro, e abrange outras práticas de moderação adotadas na campanha . A cobrança ocorre enquanto as plataformas ampliam os mecanismos de identificação de conteúdos produzidos com IA na reta final da disputa .
O Poder360 procurou a Meta para questionar sobre os critérios utilizados para restringir os conteúdos, a existência de revisão humana das decisões automatizadas e os procedimentos para reverter bloqueios indevidos. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

