# Incêndio no AM dura 54 dias e atinge área de 5,6 mil campos de futebol; chamas avançam sobre terra indígena

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/23/incendio-no-am-dura-54-dias-e-atinge-area-de-56-mil-campos-de-futebol-chamas-avancam-sobre-terra-indigena.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-23T14:48:11.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1318938-incendio-no-am-dura-54-dias-e-atinge-area-de-5-6-mil-campos-de-futebol-chamas

> Incêndio avança por território tradicional do povo Mura, em Itacoatiara.

Liam Cavalcante/Rede Amazônica

Um incêndio florestal na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, está ativo há 54 dias e já atingiu mais de 4 mil hectares de vegetação, área equivalente a cerca de 5,6 mil campos de futebol. Nesta sexta-feira (23), as chamas continuavam avançando sobre parte da Terra Indígena (TI) Paraná do Arauató, território tradicional do povo Mura, apesar da atuação de equipes estaduais e federais no combate ao fogo.

O acesso difícil à região do Rio Urubu, que exige deslocamentos por estrada e, em alguns trechos, por embarcação, dificulta o trabalho de combate às chamas.

O incêndio também provoca fumaça que encobre o município e afeta a qualidade do ar. Na manhã desta sexta-feira, Itacoatiara registrou um dos piores índices entre as localidades monitoradas no estado.

Às 6h, a concentração de partículas finas suspensas no ar chegou a 250 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Às 8h15, o índice caiu para 148,8 µg/m³, mas a qualidade do ar permaneceu na categoria péssima.

Os dados são do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). As partículas finas estão presentes na fumaça das queimadas e podem penetrar profundamente nos pulmões.

Fumaça das queimadas encobre Itacoatiara, no interior do Amazonas, nesta sexta-feira (23)

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) afirma que a fumaça que encobre Itacoatiara também vem de incêndios em outros municípios do Baixo Amazonas e do oeste do Pará. Segundo a secretaria, a fumaça produzida pelas queimadas em Itacoatiara também é levada pelo vento para outras cidades e pode chegar a Manaus.

Aviões e brigadistas atuam no combate ao fogo

De acordo com o sistema Fire Information for Resource Management System (FIRMS), da Nasa, o primeiro foco de calor na região foi registrado em 30 de agosto, às margens do Rio Urubu.

Há uma semana, dois aviões do Prevfogo, programa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e uma aeronave da Defesa Civil do Amazonas atuam na região. As operações incluem lançamentos de água sobre as áreas atingidas, com apoio de bombeiros e brigadistas.

Apesar da mobilização, o incêndio ainda não foi controlado. A dificuldade de acesso à região e o surgimento de novos focos tornam o trabalho das equipes mais complexo.

Moradores relatam morte de animais e problemas de saúde

No dia 15 de outubro, moradores da Terra Indígena Paraná do Arauató relataram à Rede Amazônica que a fumaça e os incêndios constantes provocam a morte de animais silvestres e prejudicam a saúde da população indígena.

A cacica da Aldeia Paricá, Aldenora Maquinez Lima, que também atua como agente indígena de saúde, lamentou os impactos do fogo sobre a floresta e a fauna.

"Dá pena de ver os bichos morrer. Preguiça, pássaros que vão fugindo do fogo e vão se acabando", relatou.

A cacique Dina Marques, da TI Paraná do Arauató, também afirmou que brigadistas tentam conter o incêndio, mas a extensão da área atingida e o surgimento de novos focos dificultam o trabalho.

Segundo ela, enquanto as equipes combatem as chamas em um ponto, o fogo volta a aparecer em outro. A cacique pediu que as pessoas parem de provocar queimadas e que as autoridades reforcem a proteção do território.

Outros incêndios atingem a zona rural de Itacoatiar

O incêndio na região do Rio Urubu não é o único a atingir Itacoatiara. Outras áreas da zona rural enfrentam queimadas há mais de duas semanas.

Na região da Vila de Lindóia, outro incêndio já atingiu mais de 800 hectares, de acordo com o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

No local, além de bombeiros e equipes do governo, moradores e lideranças comunitárias estão mobilizados há vários dias para tentar conter as chamas. A população também ajuda com doações de combustível e alimentos para as equipes de combate ao incêndio.

Governo federal atua no combate a incêndios no AM

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a atuação de aeronaves, brigadistas e forças de segurança do governo federal ajudou a extinguir 338 incêndios florestais no Amazonas desde o início da operação de combate às queimadas.

O apoio federal se concentra principalmente em regiões isoladas e de difícil acesso.

Atualmente, a estrutura federal conta com 17 aeronaves. São seis aviões Air Tractor, dois aviões KC-390, oito helicópteros e uma aeronave Caravan. A operação também utiliza nove embarcações e 66 veículos. Os equipamentos são usados no transporte de equipes e materiais, além do combate direto às chamas.

A força-tarefa reúne 474 brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Também participam 54 militares da Força Aérea Brasileira (FAB) e 41 integrantes da Força Nacional.

Além disso, o governo federal custeia as diárias de 116 bombeiros do Amazonas.

Equipes atuando no combate aos focos de incêndio na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, na quinta-feira (22).

Liam Cavalcante/Rede Amazônica

Reportagem completa: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/23/incendio-no-am-dura-54-dias-e-atinge-area-de-56-mil-campos-de-futebol-chamas-avancam-sobre-terra-indigena.ghtml

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