# Alívio no IPCA-15 veio de preços voláteis e inflação em 12 meses passou teto da meta

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/economia/ipca-15-outubro-previa-inflacao-fura-meta/)
- Publicado em: 2026-10-23T15:03:29.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1319612-alivio-no-ipca-15-veio-de-precos-volateis-e-inflacao-em-12-meses-passou-teto-da

> O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 ( IPCA-15 ), considerado uma prévia da inflação, registrou alta de 0,32% em outubro , desacelerando em relação aos 0,70% de setembro e abaixo da projeção do mercado, que era de um avanço…

Para os economistas, a desaceleração mensal esconde uma deterioração qualitativa da inflação. O resultado foi puxado para baixo por itens de alta volatilidade e não por uma tendência de queda geral de preços. Além disso, os núcleos e preços essenciais à rotina do consumidor seguem sob forte pressão.

O dado não deve mudar a perspectiva de corte de 0,25 ponto percentual no juro na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas pode indicar pausa futura no ciclo de calibração.

Queda foi puxada por energia e passagens aéreas

A surpresa positiva no dado geral foi puxada pela energia elétrica e passagens aéreas.

Os preços de energia elétrica recuaram 0,89%, ante alta de 7,42% no mês anterior, devido à mudança da bandeira tarifária.

Passagens aéreas recuaram 9,24%, o que foi considerado pelos economistas uma reversão da alta acumulada em setembro, quando o item subiu 9,82%.

A XP, que projetava uma alta de 0,43% para o IPCA-15, destaca que a composição interna do dado de outubro foi &#8220;pior do que o headline sugere&#8221;, afirma Basiliki Litvac, economista da casa.

Além disso, ela destaca que a inflação de serviços piorou em outubro, tanto nas medidas de núcleo quanto nos serviços intensivos em trabalho, que aceleraram de forma sequencial e anual, segundo a economista.

&#8220;Em nossa visão, a combinação de demanda doméstica resiliente e condições ainda apertadas do mercado de trabalho segue pressionando os componentes mais inerciais da cesta, e esse continua sendo o principal ponto de atenção à frente&#8221;, avalia Litvac.

Variação do IPCA-15 (%) Indicadores Setembro Outubro Índice Geral 0,7 0,32 Alimentação e bebidas 0,4 0,88 Habitação 2,07 -0,1 Artigos de residência 0,55 0,28 Vestuário 0,41 0,53 Transportes 0,6 0,05 Saúde e cuidados pessoais 0,13 0,15 Despesas pessoais 0,96 0,55 Educação 0,03 0,09 Comunicação 0,54 0,43

Inflação mais espalhada entre os setores

Excluindo os itens voláteis, o que os dados do IPCA-15 mostram é uma economia com tensões inflacionárias persistentes e cada vez mais espalhadas.

O índice de difusão, indicador que afere o espalhamento dos aumentos de preços por diferentes setores, avançou de 53,7% para 58,86% em outubro, mostrando que as remarcações ficaram mais abrangentes, segundo Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord.

Leonardo Costa, economista do ASA, advertiu que o balanço qualitativo corrobora um diagnóstico de persistência, visto que a inflação subjacente de serviços &#8220;continua operando acima de níveis compatíveis com o teto do regime de metas&#8221;.

O economista-chefe da Galapagos Capital, Claudio Ferraz, reforçou a análise ao constatar uma alta espalhada entre os principais itens de serviços subjacentes, detalhando que a média móvel trimestral (anualizada e dessazonalizada) do setor saltou rapidamente de 5,6% para 6,6%.

Carlos Lopes, economista do banco BV, avalia que o comportamento dos preços nos últimos três meses é pior do que o observado no acumulado de 12 meses, o que reforça a necessidade de atenção ao cenário inflacionário.

O Goldman Sachs também destaca que a piora do ímpeto inflacionário atingiu todo o espectro de métricas do setor de serviços, com os itens intensivos em mão de obra avançando para um patamar &#8220;muito elevado&#8221; de 7,5% na média trimestral anualizada e ajustada sazonalmente. Ramos alerta que as pressões no setor &#8220;permanecem muito intensas e disseminadas&#8221;.

Diante dessa dinâmica inflacionária desafiadora, somada aos riscos do El Niño sobre os alimentos, incertezas pós-eleitorais e um cenário externo turbulento — com juros mais altos nos países desenvolvidos —, o banco avalia que há &#8220;espaço limitado para cortes de juros&#8221;, exigindo uma calibração conservadora da política monetária por parte do Banco Central.

Impacto do El Niño no orçamento familiar

Enquanto a energia elétrica puxou para baixo os números do grupo de Habitação, o custo das compras básicas pesou na fatura.

O grupo de Alimentação no Domicílio registrou alta de 0,88% e respondeu pela maior parcela isolada de impacto no IPCA-15, de 60%, destacou André Valério, economista sênior do Inter.

Essa pressão altista foi impulsionada pelo clima, atingindo os produtos in natura e os mais sensíveis à quebra de safra de curto prazo.

Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, listou altas agressivas em itens como tomate (24,54%), cebola (13,63%) e batata-inglesa (10,96%).

Julio Barros, economista do banco Daycoval, projetou que o cenário hostil no campo e os indícios do El Niño devem manter esse quadro. &#8220;Daqui para frente, os preços dos alimentos devem continuar subindo em função justamente desse clima mais adverso&#8221;, diz.

Projeção para a inflação

Diante dos dados, a XP não mudou a projeção de inflação total para 2026, que está estimada em 5,1%. Para 2027, a projeção é de 4,4%.

O ASA também estima que a inflação total do ano deve fechar em 5,1%. O Daycoval projeta IPCA de 5%, com viés de alta. O C6 Bank mantém o mesmo percentual, de 5%, no acumulado do ano, assim como o PicPay.

Para Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, o cenário deve perpetuar uma inflação acima da meta até o segundo semestre de 2027.

Como ficam os juros

Segundo economistas, o Copom ainda deve cortar mais 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 13,75%.

Gabriel Foglieni, gerente de investimentos da Eleva Invest, avaliou que a leitura fria do mês pode até aliviar a pressão imediata sobre o comitê, mas como o dado acumulado suplantou o teto da meta, &#8220;a cautela deve prevalecer&#8221;.

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, também fala em cautela e incertezas em torno da política fiscal do próximo governo, o que permitiria um corte de baixa intensidade.

Para Roberto Troster, economista e coordenador do CEFEB/Fipe, o recuo mensal do IPCA-15 fornece respaldo técnico para um novo corte da Selic, mas não assegura uma via de mão única para as reduções. &#8220;Ganhou-se uma batalha contra a inflação, mas a guerra ainda não acabou&#8221;, diz Troster.

Para o PicPay, a Selic deve ter mais um corte e fechar o ano em 13,50%. Em 2027, a projeção é de juro em 11,50%.

Para Gabriel Pestana, economista da Genial, o Banco Central terá &#8220;dificuldades em justificar o aumento do ritmo de corte de juros baseado na dinâmica da inflação&#8221;. Ele mantém a estimativa de taxa Selic terminal em 13,25% para o fechamento de 2026.

A XP projeta a mesma taxa terminal, justificando que, embora os cortes devam prosseguir pela fraqueza da atividade econômica geral, o juro básico deve encerrar 2026 em 13,25%, recuando para 11,50% no final de 2027.

O C6 Bank projeta Selic pausada em 13,75% até o fim do ano, mas não descarta a possibilidade de mais um corte neste ano.

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