# Ibovespa após o 2º turno: mira 230 mil ou volta abaixo dos 200 mil?

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mercados/ibovespa-apos-segundo-turno-230-mil-200-mil/)
- Publicado em: 2026-10-23T15:37:06.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1320061-ibovespa-apos-o-2-turno-mira-230-mil-ou-volta-abaixo-dos-200-mil

> O Ibovespa chega ao último pregão antes do segundo turno das eleições presidenciais em uma região decisiva do gráfico. Depois de renovar a máxima histórica em 209.713 pontos , o índice perdeu velocidade e passou a oscilar próximo dos…

Na manhã desta sexta-feira (23), esse equilíbrio seguia sendo testado. Às 12h35 , o Ibovespa operava praticamente estável, com alta de 0,19%, aos 204.509 pontos , depois de oscilar entre 203.428 e 204.899 pontos . No mês, acumula alta de 9,50% .

A questão técnica agora é o que pode acontecer depois da votação, quando o índice deixar essa região de consolidação. Acima do recorde, as projeções apontam inicialmente para 215 mil a 221 mil pontos e, em uma extensão do movimento, para a região dos 230 mil pontos . Uma correção mais forte, por outro lado, recoloca primeiro os 200 mil pontos — e depois suportes inferiores — no radar.

Ibovespa testa suporte no diário: o que separa os 230 mil de uma queda abaixo dos 200 mil?

Ibovespa lateraliza próximo da máxima histórica de 209.713 pontos; perda dos suportes atuais pode ampliar a correção, enquanto rompimento do topo abre espaço para novos recordes. Elaboração: Rodrigo Paz. Fonte: Nelogica

No gráfico diário, o Ibovespa ainda preserva a estrutura principal de alta, mas perdeu parte do impulso depois da aceleração que levou o índice ao recorde de 209.713 pontos .

Nas últimas sessões, o movimento passou a ser de consolidação próximo do topo. O índice também se aproximou das médias móveis mais curtas, enquanto segue acima da média de 200 períodos. O IFR (14), em 62,31 pontos , permanece abaixo da região clássica de sobrecompra, indicando perda de força em relação ao pico recente, mas sem caracterizar, por enquanto, reversão da tendência.

O primeiro ponto de atenção está na região dos 203.980 pontos . Na quinta-feira, o Ibovespa chegou a 203.051 pontos durante o pregão, mas encerrou novamente acima desse suporte.

Nesta sexta, voltou a perder a região durante a manhã, chegando a 203.428 pontos , mas no começo da tarde recuperava os 204 mil pontos . Mais relevante do que violações intradiárias, portanto, será observar se o índice consegue se sustentar acima desse suporte no fechamento ou se confirma sua perda.

Caso a pressão vendedora ganhe força, 199.354 pontos aparece como o próximo suporte relevante. É justamente essa região que coloca novamente a marca psicológica dos 200 mil pontos no centro da análise.

Abaixo dela, aumentaria o espaço para uma correção até 189.487 pontos e, posteriormente, para a faixa de 181.500 pontos . Uma deterioração mais profunda poderia levar o índice novamente em direção à mínima anual de 164.835 pontos .

Pelo lado comprador, o nível decisivo continua sendo o recorde de 209.713 pontos . Um rompimento consistente dessa faixa, preferencialmente acompanhado por aumento de volume, abriria espaço para os próximos objetivos em 215.630 pontos e 221.450 pontos .

Em uma extensão maior da tendência, aparece a região dos 230 mil pontos .

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Mercado chega ao 2º turno mais protegido e com Bolsa lateralizada

É nesse ponto que o segundo turno ganha importância para a leitura do gráfico. Com o Ibovespa ainda próximo da máxima histórica, investidores aumentaram a proteção para atravessar a votação, sinal de maior cautela com a reabertura do mercado na segunda-feira.

Entre os estrangeiros, o total de contratos de opções em aberto do EWZ , ETF que reúne as principais ações brasileiras negociado em Nova York, chegou a 12,2 milhões em 21 de outubro , ante 9,5 milhões em 2 de outubro . As posições de venda, usadas também como proteção contra quedas, cresceram proporcionalmente mais: passaram de 2,3 milhões para 3,5 milhões , elevando a relação entre puts e calls de 31% para 41%.

Isso não significa uma aposta predominante em queda. As calls ainda são maioria, mas o avanço mais rápido das proteções indica um investidor estrangeiro disposto a manter exposição ao Brasil e, ao mesmo tempo, limitar perdas após a eleição. Na B3, a demanda por hedge via opções de venda também cresceu mais de 90% entre o primeiro pregão após o primeiro turno e 20 de outubro.

Na sessão desta sexta-feira, o Ibovespa reforçava a leitura de espera. Depois de dois pregões de queda, operava perto da estabilidade enquanto investidores aguardavam a votação.

O índice quase parado escondia diferenças importantes entre seus principais componentes. PETR4 subia 2,46% , PETR3 avançava 1,78% e VALE3 ganhava cerca de 0,55% , enquanto BBDC4 recuava perto de 2% .

Essa dispersão ajuda a explicar a estabilidade do Ibovespa: Petrobras e Vale sustentavam parte do índice, enquanto outros grupos mostravam realização ou cautela. Para a análise técnica, o quadro continua sendo de um mercado preso na faixa de consolidação próxima das máximas , à espera de um gatilho para romper os 209.713 pontos ou corrigir em direção aos suportes.

Além da eleição, o pregão trouxe um dado doméstico favorável: o IPCA-15 de outubro ficou em 0,32% , abaixo do piso das projeções. O número reforçou apostas em nova redução da Selic, mas teve efeito secundário diante da proximidade da votação.

No semanal, tendência continua de alta — mas distância das médias aumenta

No gráfico semanal, Ibovespa mantém topos e fundos ascendentes, mas negocia afastado das médias móveis após a forte valorização dos últimos meses. Elaboração: Rodrigo Paz. Fonte: Nelogica

Quando a análise é ampliada para o gráfico semanal, a estrutura continua mais favorável aos compradores.

O Ibovespa mantém a formação de topos e fundos ascendentes e negocia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos. Mesmo a realização observada nas últimas sessões ainda não foi suficiente para alterar essa configuração.

Há, contudo, um sinal importante de esticamento.

O índice permanece afastado das médias móveis de curto prazo, atualmente próximas de 193.956 pontos e 180.801 pontos . O IFR (14) está em 67,07 pontos : ainda abaixo da região clássica de sobrecompra, mas já em patamar elevado.

Isso significa que uma correção em direção às médias pode ocorrer sem que, isoladamente, a tendência de médio prazo seja desmontada. É justamente essa diferença entre uma acomodação dentro da tendência de alta e uma deterioração mais relevante da estrutura que os próximos níveis ajudam a delimitar.

Se o Ibovespa superar os 209.713 pontos , as projeções do semanal apontam inicialmente para 216.350 pontos e depois para aproximadamente 228.200 pontos — região que converge com o alvo de 230 mil observado no gráfico diário.

Em uma extensão mais longa, aparecem 247.345 pontos , a marca psicológica dos 250 mil pontos e, posteriormente, a região de 257 mil pontos .

Para dar maior consistência a esse cenário, um rompimento do recorde acompanhado por expansão de volume seria um sinal técnico relevante.

No sentido contrário, a região dos 199.354 pontos volta a exercer papel importante. Sua perda ampliaria o risco de uma correção em direção às médias e aos suportes inferiores, com 181.520 pontos como próxima referência relevante e, depois, a mínima anual de 164.835 pontos .

Abaixo desse nível, a deterioração técnica seria bem mais significativa, abrindo espaço para 147.575 pontos e, em um cenário mais extremo, para a região dos 140 mil pontos .

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O que observar no Ibovespa depois do segundo turno?

O resultado das urnas pode funcionar como gatilho para tirar o índice da lateralização, mas dificilmente será o único fator capaz de definir a direção da Bolsa nas semanas seguintes.

Depois da eleição, temas como política fiscal, composição da equipe econômica, trajetória dos juros e sinalizações sobre reformas tendem a ganhar peso na precificação dos ativos. Bancos e estrategistas já vinham destacando que, passada a reação inicial às urnas, juros e fiscal devem voltar ao centro das atenções do mercado.

Para quem acompanha o gráfico, porém, a mensagem é mais objetiva.

Do lado de cima, os 209.713 pontos são a principal barreira. A superação dessa máxima abriria caminho para 215 mil, 221 mil e, posteriormente, para a região dos 230 mil pontos .

Do lado de baixo, a faixa dos 203 mil a 204 mil pontos funciona como primeira zona de atenção. A perda de 199.354 pontos daria maior peso ao cenário corretivo e colocaria novamente o Ibovespa abaixo da marca dos 200 mil pontos .

Entre esses dois extremos, o índice chega ao segundo turno ainda em tendência de alta, mas mais esticado, com volatilidade esperada maior e sinais de crescente seletividade entre os setores.

(Rodrigo Paz é analista técnico CNPI-T)

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