Em 23 de outubro de 1940, nascia Edson Arantes do Nascimento, na cidade de Três Corações (MG). Pelé, como seria conhecido eternamente, completaria 86 anos nesta sexta-feira (23). Em paralelo ao sucesso absoluto no futebol, ele já se aventurou em outras áreas durante a sua vida como músico, ator, garoto-propaganda e até como Ministro dos Esportes. No dia do aniversário do Rei, o g1 traz curiosidades e versões de Pelé que nem todos conhecem.
Pelé iniciou a carreira futebolística pelo Santos FC, onde atuou até 1974, quando foi transferido para o Nova York Cosmos (EUA). Além dos clubes, ele fez história na Seleção Brasileira, com três Copas do Mundo conquistadas. Com seus 1.283 gols e toda a passagem no Santos Futebol Clube, Pelé também ficou marcado pela sua atuação em carreiras paralelas ao esporte.
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No dia em que Pelé completaria 86 anos, o g1 visita e relembra episódios marcantes e curiosidades sobre a vida de Edson Arantes do Nascimento:
Edson, Dico ou Pelé?
Rei foi cantor, compositor e atleta ao mesmo tempo
Trapalhões e Sylvester Stallone: Pelé também foi ator
Ministro do Esporte no Governo FHC
Pelé na Fórmula 1
Pelé na Copa de 1970
Edson, Dico ou Pelé?
Nascido no interior de Minas Gerais, Edson foi o filho do meio do casal formado por Celeste Arantes e o ex-jogador João Ramos do Nascimento, conhecido como Dondinho. Ainda jovem, recebeu o apelido de Dico, como foi chamado pelos familiares por toda a vida. O nome Pelé apareceria anos depois.
Fã de um goleiro chamado Bilé, o garoto gritava pelo nome do ídolo ao jogar futebol na rua. Sem entender o porquê dos gritos, os colegas o apelidaram como Pelé. Em entrevista ao ge em 2010, Raul Marçal da Silva, um de seus melhores amigos na infância, contou mais sobre a origem do nome, rejeitado pelo jovem no primeiro momento.
"Nós não entendíamos nada quando ele defendia uma bola e falava isso. Ninguém sabia quem era esse goleiro. Então, com essa de Bilé para cá e para lá, começamos a chamá-lo de Pelé. Ele não gostou, e foi aí que o apelido pegou mesmo.", contou Raul.
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Pelé toca as jabuticabeiras originais no quintal da casa onde viveu em Três Corações, MG.
Samantha Silva / G1
Cantor e compositor
Pelé iniciou a sua carreira na música quando ainda era jogador. Em 1968, estreou como compositor, com os singles "Gosto tanto de você" e "Recado à criança", gravados por Wilson Simonal e Jair Rodrigues, respectivamente. Um ano depois, em parceria com a cantora Elis Regina, iniciou a trajetória como cantor, com duas músicas de sua autoria: Perdão, não tem e Vexamão.
Sua vivência no mundo musical seguiu até 2016, quando lançou a música "Esperança", para celebrar a realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que aconteceria naquele ano.
Conforme apurado pelo g1, ele tem 34 obras musicais e 15 gravações cadastradas no banco de dados do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). As músicas do Rei mais regravadas foram "ABC do Bicho Papão", "Pelé Agradece" e "Cidade Grande".
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Capa do single 'Esperança', lançado por Pelé em 2016
Com a mídia gerada por sua trajetória esportiva, Pelé também estrelou uma série de campanhas publicitárias, para variadas marcas de diferentes setores. Nas ações, contracenou com Xuxa, Carlos Moreno, Cristiano Ronaldo, Zinedine Zidane e Diego Maradona.
Como garoto-propaganda, realizou ações publicitárias para marcas como Atari, Biotônico, Bombril, Café Pelé, Casas Bahia, Coca-Cola Japão, Emirates, Honda, Head & Shoulders, Louis Vitton, Monark, Nokia, Pepsi, Pfizer, Rayovac, Vitasay, Vivo e Volksvagen.
De remédio para disfunção erétil a marca de luxo francesa, Pelé teve extensa carreira como garoto-propaganda; relembre
Uma das ações marcantes de Pelé na televisão foi promovida pelo Ministério da Educação. O ex-jogador cantou o jingle “Toda criança na escola”, em campanha que ficou famosa à época, criada com o objetivo de incentivar a alfabetização infantil.
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Pelé dividiu tela com Cristiano Ronaldo em comercial da companhia aérea Emirates.
Sem contar as produções em que foi citado, homenageado ou interpretado, Pelé atuou em, ao menos, 14 filmes e participou de duas novelas: Os Estranhos (1969), da extinta TV Excelsior, e O Clone (2002), da TV Globo.
Entre os filmes mais destacados, está o longa "Fuga para a Vitória", onde Pelé contracenou com Sylvester Stallone, Michael Caine, Bobby Moore, Osvaldo Ardiles e Kazimierz Deyna. Na obra dirigida por John Huston, eles são prisioneiros de guerra que armam um plano de fuga enquanto se preparam para uma partida de futebol contra a seleção alemã.
"Se tivesse que me dar uma nota como ator, bem, acho que daria 10", brincou o craque sobre a atuação no filme, na época.
Pelé como ator: Rei do Futebol se arriscou em novelas e filmes; confira
No âmbito nacional, o Rei do Futebol estrelou um filme dos Trapalhões. Ele interpretou Nascimento, um repórter esportivo, que atua por um time de futebol em crise, onde Cardeal (Renato Aragão), Fumê (Mussum), Elvis (Dedé Santana) e Tremoço (Zacarias) trabalhavam como roupeiros e faxineiros.
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Pelé em cena do filme 'Fuga para vitória'
Ministro do Esporte
Além de tudo o que foi feito dentro das quatro linhas, Pelé também teve um papel importante para o futebol na área política. De 1995 a 1999, foi o primeiro ministro do Esporte da história do país, nomeado por Fernando Henrique Cardoso, Presidente da República recém-eleito à época.
🎩 Um ano antes de assumir o cargo federal, Pelé foi Diretor de Relações Internacionais do Santos FC, no mandato de Miguel Kodja Neto. Em determinado período, o ídolo se afastou e retornou ao posto ainda em 1994, na gestão do presidente Samir Abdul-Hack, acumulando a função de Diretor das Categorias de Base do clube.
Durante o tempo no cargo, o ex-jogador ficou eternizado na Lei Pelé, aprovada em 1998. Entre as alterações, estavam as mudanças nas regras sobre o passe dos jogadores, a determinação para que os clubes fossem transformados em empresas e a extensão dos direitos do consumidor ao público de eventos esportivos.
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Fernando Henrique Cardoso e,Edson Arantes do Nascimento, Pelé, durante encontro em São Paulo em janeiro de 1994. Pelé foi nomeado o primeiro ministro [extraordinário] dos Esportes do país no governo FHC
Luiz Prado/Estadão Conteúdo/Arquivo
Pelé na Fórmula 1
Diretamente envolvido com os esportes, Pelé se aventurou na Fórmula 1, mas não como piloto. Em 2002, foi escalado para dar a bandeirada de chegada para o vencedor do Grande Prêmio do Brasil na Fórmula 1. O alemão Michael Schumacher foi o primeiro colocado, mas a vitória ficou marcada para os brasileiros em razão de outro episódio.
Quando Michael estava prestes a cruzar a linha, uma pessoa chamou Pelé para avisar que o alemão estava próximo. Porém, no atendimento ao chamado, ele se virou para trás e perdeu a chegada de Schumacher, bandeirando com um certo atraso.
"Olha aí o Pelé pra dar a bandeirada... Vai passar, Pelé!!! Passaram os dois... Passaram tão rápido que o Pelé não viu!!!", narrou o locutor Galvão Bueno.
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Bandeirada Pelé GP do Brasil de 2002
Pelé morreu no dia 29 de dezembro de 2022, depois de um mês internado no Hospital Albert Einstein, na capital paulista. Ele tratava de um câncer no cólon. O quadro sofreu agravamento no dia 21 de dezembro, quando o boletim médico indicava "progressão oncológica", com necessidades de cuidados para as funções renais e cardíacas.
O corpo foi levado na madrugada de 2 de janeiro daquele ano para a Vila Belmiro, onde foi velado por 24h, até às 10h do dia 3.
Depois do velório, o corpo passou pelas ruas da cidade, em cortejo em carro aberto conduzido pela Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, chegando no Memorial às 14h. O cemitério informou que o sepultamento durou 25 minutos e contou com aproximadamente 120 pessoas.

