A fabricante também trabalha para superar 50% de componentes nacionais no início de 2027. O avanço depende da conclusão das obras e dos testes nas áreas de estamparia, soldagem e pintura da unidade baiana.
Em setembro, a BYD emplacou mais de 22 mil veículos no Brasil, garantindo uma fatia de 8,5% do mercado nacional. – Imagem: Divulgação/BYD
Obras avançam enquanto demanda supera produção
A BYD planeja produzir 25 mil carros por mês até o fim de 2026. A procura, porém, já supera esse volume. Segundo Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da empresa no Brasil, a demanda média chega a 30 mil veículos mensais.
“Nossa demanda tem ficado em uma média de cerca de 30.000 carros por mês, o que significa que estamos deixando de faturar cerca de 5.000 a 6.000 vendas adicionais”, afirmou Baldy à Reuters.
O aumento da produção também está ligado à necessidade de atender a mercados vizinhos. A empresa recebeu pedidos de 50 mil veículos do México e outros 50 mil da Argentina . Segundo o executivo, a BYD estará apta a atendê-los a partir de 2027, com o avanço da nacionalização de componentes.
A dependência de peças importadas e o uso de tarifas temporariamente reduzidas já motivaram críticas de grupos da indústria automobilística brasileira. Para avançar na produção local, a montadora precisa colocar em operação as novas etapas industriais.
“A gente trabalha para inaugurar 2027 já ultrapassando essa posição e termos essas etapas em operação para sermos considerados um fabricante local”, disse Baldy.
A nacionalização de mais de 50% das peças é o passo crucial para a BYD iniciar a exportação de veículos na América Latina. – Imagem: Bruno Capozzi/Olhar Digital.
Investimento e presença regional
O investimento na fábrica já ultrapassou R$ 5,5 bilhões. Inaugurada em 9 de outubro de 2025, a unidade ocupa um complexo industrial que pertenceu à Ford e emprega cerca de 9 mil pessoas. A expectativa é ampliar a equipe para aproximadamente 10 mil trabalhadores até o fim de 2026.
O desempenho comercial também dá dimensão à operação brasileira. Em setembro, a BYD registrou 22.209 veículos emplacados no país, o equivalente a 8,5% do mercado, segundo dados da própria companhia. A empresa espera atingir 200 mil veículos faturados acumulados na unidade brasileira em 2026.
A fabricante já lidera o mercado uruguaio e ocupa posições de destaque na Argentina e na Colômbia. No Brasil, sua meta é se tornar a maior montadora em volume de vendas até 2030.
Entre os principais indicadores da expansão estão:
Capacidade projetada: 600 mil veículos por ano, condicionada às licenças necessárias.
Nacionalização: superar 50% de componentes locais no início de 2027.
Mercados externos: pedidos de 50 mil veículos cada para México e Argentina.
Emprego: previsão de chegar a cerca de 10 mil trabalhadores até o fim de 2026.
A ampliação da fábrica de Camaçari deve ajudar a BYD a atender à demanda brasileira e avançar nos mercados vizinhos. O ritmo dessa expansão dependerá da entrada em operação das novas áreas industriais e do cumprimento das exigências para a produção local.
O post BYD quer produzir 600 mil carros por ano em fábrica no Brasil apareceu primeiro em Olhar Digital .

