O alerta foi feito por Fernando Barbieri, wealth planner da Dynamis Advisors, durante o terceiro dia do Conexão Investidor 2026, realizado nesta semana.

Promovido pela Faz Capital, escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP, o evento reuniu especialistas para discutir economia, investimentos e planejamento patrimonial. A programação online e gratuita se encerrou nesta sexta-feira (23).

No painel Patrimônio no exterior: impostos, sucessão e estruturas internacionais , Barbieri conversou com Ângelo Passos, diretor comercial da Faz Capital, sobre os cuidados necessários para organizar investimentos internacionais e as dificuldades que podem surgir na transmissão do patrimônio aos herdeiros.

Imposto sobre herança nos EUA

Segundo Barbieri, estrangeiros não residentes nos Estados Unidos podem estar sujeitos ao imposto sucessório americano ( estate tax ) quando possuem determinados ativos no país.

O especialista destacou o limite de US$ 60 mil previsto nas regras aplicáveis a esses investidores. “Quando o estrangeiro tem ativos americanos que excedam U$ 60 mil, vai haver esse imposto de sucessão”, explicou.

De acordo com o especialista, as alíquotas podem variar de 18% a 40%. A incidência depende da natureza dos ativos e das regras tributárias aplicáveis, de modo que nem todos os investimentos recebem o mesmo tratamento.

Barbieri citou títulos de dívida, como os Treasuries americanos, entre os ativos que podem estar sujeitos a regras diferentes.

Além da tributação, a transmissão dos bens pode exigir a abertura de um processo de inventário nos Estados Unidos, com despesas jurídicas e demora na liberação dos recursos.

“A tributação em si já é pesada. O grande problema é que, para eu ter acesso a esses ativos, a família ter acesso a esses ativos, eu tenho que abrir um inventário nos Estados Unidos”, afirmou.

Segundo Barbieri, esse procedimento pode ultrapassar dois anos e envolver despesas jurídicas de dezenas de milhares de dólares, dependendo da complexidade do caso.

Quando considerar uma estrutura offshore?

Entre as alternativas discutidas durante o painel, Barbieri mencionou a constituição de empresas no exterior, conhecidas como offshores , como instrumento de planejamento patrimonial e sucessório.

Na avaliação do especialista, essas estruturas podem começar a fazer sentido econômico para investidores com patrimônios internacionais entre US$ 300 mil e US$ 500 mil, considerando os custos de constituição e manutenção.

“A gente sempre considera de US$ 300 mil para cima, para você já poder pensar em ter uma estrutura offshore”, afirmou.

O valor apresentado funciona como uma referência utilizada pelo especialista, e não como uma regra aplicável a todos os investidores. A avaliação depende das características do patrimônio, dos ativos envolvidos e dos custos da estrutura escolhida.

Barbieri também abordou o uso de trusts , instrumentos jurídicos que permitem estabelecer regras para a administração de bens e sua transmissão aos beneficiários.

Na conversa, Passos ressaltou que a estruturação patrimonial não deve considerar apenas a economia tributária. Segurança jurídica, organização familiar e continuidade da gestão dos investimentos também foram apontadas como fatores relevantes para a avaliação.

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