A expectativa em torno da eleição deixou em segundo plano durante o dia o resultado do IPCA-15 de outubro e a alta dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
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No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,86%, em baixa de 3 pontos-base ante o ajuste de 12,886% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,735%, com recuo de 3 pontos-base ante 12,762%.
O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados com 50% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial, que acontecerá no próximo domingo.
Na semana passada, Flávio tinha 51% e Lula somava 49% dos votos válidos, que não consideram brancos, nulos e indecisos.
No primeiro turno, Flávio venceu com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
Considerando as intenções de votos totais, Flávio somou 47% e Lula teve 46% na pesquisa mais recente, com 2% de indecisos e 5% de brancos, nulos ou que não pretendem votar.
Apesar do acirramento da disputa, boa parte do mercado seguiu posicionado para uma vitória de Flávio . A percepção de muitos agentes é de que, apesar da aproximação, Flávio se mantém à frente de Lula e haveria pouco tempo para uma virada.
“Flávio Bolsonaro é o favorito por uma margem estreita no segundo turno de domingo, mas Lula reduziu a diferença nas pesquisas a um empate estatístico. Uma virada de Lula não é impossível; porém, as pesquisas subestimaram Flávio no primeiro turno, e é mais difícil mobilizar o eleitorado de base de Lula”, pontuou em relatório Mario Lima, analista sênior para Brasil da Medley Advisors.
A leitura de boa parte dos agentes ainda é de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas – mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
“Uma vitória de Flávio prolongaria o rali nos mercados, mas a falta de um plano fiscal detalhado encerraria a lua de mel em poucos meses”, alertou Lima.
A taxa do DI para janeiro de 2035 chegou a marcar a máxima de 12,865% (+10 pontos-base) às 10h31 desta sexta-feira, na esteira dos números do Datafolha e da alta dos rendimentos dos Treasuries no exterior, mas durante a tarde ela zerou as perdas e, na reta final, passou a exibir leve baixa.
O movimento ocorreu em sintonia com o enfraquecimento do dólar e a alta do Ibovespa, com alguns investidores antecipando operações na expectativa de uma vitória de Flávio.
Deixado em segundo plano por conta da eleição, o IPCA-15 de outubro, divulgado pela manhã pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), subiu 0,32% ante o mês anterior, após aumento de 0,70% em setembro. A desaceleração foi maior que o esperado pelo mercado, que projetava taxa de 0,43%.
Considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA-15 acumulou alta de 4,62% nos 12 meses até outubro – abaixo da projeção de 4,73% do mercado, mas ainda acima do teto de 4,50% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.
Os dados do IPCA-15 mostraram que a deflação dos preços de energia e de passagens aéreas em outubro ajudou a compensar a aceleração de alimentos e combustíveis.
A abertura do IPCA-15 mostrou ainda que a alta dos serviços desacelerou de 0,59% em setembro para 0,22% em outubro, enquanto a taxa de serviços subjacentes, que excluem alguns itens mais voláteis, passou de 0,28% para 0,45% no período, conforme cálculos do banco Bmg.
A inflação de serviços intensivos em mão de obra permaneceu em 0,56%.
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Ainda de acordo com o Bmg, a taxa média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central variou de 0,34% para 0,32%.
Conforme o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, os resultados não alteraram sua perspectiva de novo corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic no início de novembro, já após a eleição, e de nova redução de 25 pontos-base em dezembro. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries subiram durante todo o dia, após despencarem na véspera. Às 16h34, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – subia 4 pontos-base, a 4,995%.

