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O aperto tem época certa para chegar. Para 41% dos consumidores, a terceira e a quarta semanas são os períodos mais difíceis para equilibrar as finanças, enquanto 13% dizem enfrentar dificuldade durante todo o mês. Além disso, 28% precisam fazer cortes, adiar pagamentos ou lidar com contas que não conseguem quitar dentro do próprio mês.

— Fazer o dinheiro durar até o fim do mês exige olhar tanto para o valor das despesas quanto para as datas em que precisam ser pagas — explica Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. — Mas os dados também mostram que o desafio vai além da organização: quando os gastos essenciais consomem grande parte da renda, a margem para ajustes fica menor.

Depois da alimentação, os itens mais citados pelos entrevistados são moradia, aluguel ou financiamento (40%) e as contas da casa (32%).

A pesquisa ouviu 1.008 pessoas, por meio de entrevistas on-line em todo o país, entre 29 de setembro e 5 de outubro. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.

Cortes, bicos e cartão

Quando percebem que o salário pode não chegar ao fim do mês, 29% reduzem gastos não essenciais e 22% correm atrás de dinheiro extra. A rotina também muda: 36% deixaram de sair de casa para economizar e 21% aceitaram trabalhos ou bicos que normalmente não fariam.

O cartão de crédito foi o principal socorro usado nos últimos 12 meses para cobrir despesas na falta de dinheiro, citado por 28% dos participantes. Por outro lado, 25% dos entrevistados disseram que a fatura é o compromisso financeira que ficar sem pagamento quando falta dinheiro.

— O limite do cartão não deve ser tratado como uma extensão da renda. Antes de utilizá-lo para cobrir uma despesa, é importante verificar como a fatura será paga e quanto das próximas receitas já está comprometido com parcelas. Caso contrário, a solução para um mês pode aumentar a dificuldade no seguinte — alerta Aline.

Planejar não basta

A maioria (75%) afirma planejar os gastos com frequência antes do início do mês. Para isso, 46% usam caderno e anotações. Outros 21% recorrem a planilhas. Segundo a pesquisa, porém, o hábito não elimina o sufoco diante do peso das despesas essenciais, dos imprevistos e da renda disponível.

Acompanhar as contas semana a semana pode ajudar a identificar a necessidade de ajustes antes que o dinheiro acabe.

— O planejamento precisa continuar ao longo do mês. Registrar os gastos, acompanhar o saldo disponível e revisar as próximas contas ajuda a perceber o aperto antes das semanas finais. A ferramenta pode ser um caderno, uma planilha ou um aplicativo: o importante é manter as informações atualizadas para orientar as decisões — recomenda a especialista.

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