Flávio e Lula discutem dívidas dos brasileiros, salário mínimo e SUS, e trocam ataques com '9 dedos' e 'miliciano'

Veja o que é #FATO ou #FAKE nas falas de Flávio Bolsonaro e Lula no debate da Globo

O segundo bloco do debate teve discussões sobre políticas sociais, dívida pública e SUS. O presidente também se queixou da expressão “nove dedos”, usada pelo senador, que pediu desculpas.

Relembre o que foi dito no primeiro, terceiro e quarto bloco do debate da Globo.

Veja abaixo as perguntas e respostas do segundo bloco do debate.

Debate na Globo: Lula pergunta a Flávio sobre políticas sociais e licença-maternidade

Lula abriu a rodada perguntando por que Flávio, quando deputado estadual no Rio de Janeiro, votou contra a ampliação da licença-maternidade para 180 dias.

O senador disse que acreditava que a medida dificultaria a contratação de mulheres, reconheceu que errou e afirmou que hoje votaria de outra forma.

“Eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância de a mãe estar perto do filho por até mais de 180 dias, se possível”, declarou.

Lula associou a mudança à disputa pelo voto feminino. “Não votou quando podia votar”, rebateu. O presidente também cobrou explicações sobre a expressão “bolsa-farelo”, que o adversário usou, no passado, para se referir ao Bolsa Família.

‘Nove dedos’ e pedido de desculpas

O petista protestou contra a expressão “nove dedos”, usada por Flávio no primeiro bloco. Ao discutir o salário mínimo, o senador havia dito que o presidente “dá com uma mão e tira com os nove dedos”.

O petista relatou que perdeu o dedo aos 17 anos, enquanto trabalhava à noite, e chamou Flávio de “miliciano”.

"Ele me chamou de nove dedos e eu quero que ele saiba uma coisa. Se tem alguém que conhece o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando eu não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Ele nunca trabalhou na vida.”, disse o petista.

Flávio pediu desculpas e, em seguida, cobrou o presidente pela situação das pessoas que vivem nas ruas.

“Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de nove dedos, eu te peço desculpa, de verdade. Não queria te ofender. Agora, eu quero saber se você vai pedir desculpas aos moradores de rua, que dobraram durante o seu governo”, afirmou o senador.

Flávio teve direito de resposta concedido por ter sido chamado de "miliciano", mas não usou o tempo para rebater a acusação. Em vez disso, falou sobre a causa animal e defendeu a ampliação da Lei Sansão, que endureceu as penas para maus-tratos a cães e gatos, para incluir animais silvestres.

Lula também teve um direito de resposta concedido e aproveitou o tempo para abordar outro assunto. O presidente afirmou que ainda há muito a ser feito no Brasil e lembrou que o país levou mais de 400 anos após o descobrimento para ter sua primeira universidade.

Debate na Globo: Flávio Bolsonaro pergunta a Lula sobre dívida pública e juros

Flávio escolheu o tema e atribuiu aos gastos do governo os juros elevados e a inflação. Lula questionou a independência do Banco Central, defendida pelo senador como proteção contra interferências políticas.

Flávio prometeu renegociar dívidas pela Caixa Econômica Federal e suspender os pagamentos por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas.

Lula afirmou que a proposta reproduzia uma iniciativa de seu governo, que prevê negociar dívidas com descontos de até 95%.

“Ele está copiando uma coisa que eu já mandei para o Senado”, disse o presidente, que também defendeu o crescimento econômico como caminho para reduzir a dívida pública em relação ao PIB.

Debate na Globo: Lula pergunta a Flávio Bolsonaro sobre SUS e melhorias na saúde pública

Lula perguntou como Flávio pretende melhorar o SUS diante das propostas de cortes de gastos. Também afirmou que Claudio Lottenberg, anunciado pelo senador como eventual ministro da Saúde, já se posicionou contra a aplicação de mais recursos no sistema.

“Como é que você vai melhorar a saúde? É com o tesouraço?”, perguntou.

Na primeira resposta, Flávio criticou as filas, a falta de medicamentos e a gestão dos recursos. Lula cobrou uma resposta sobre investimentos e criticou a condução da pandemia pelo governo Jair Bolsonaro.

Após a cobrança, Flávio afirmou que investiria no sistema. “Eu vou manter, sim, vou investir no SUS, sim”, declarou.

O senador prometeu ampliar o Instituto Nacional de Câncer (Inca), refinanciar dívidas das Santas Casas e atualizar a tabela de pagamentos do SUS.

Nesta sexta-feira (23), a Globo realiza o último debate entre os candidatos à Presidência da República

Jornal Nacional/ Reprodução