# Roblox, fandoms e bloquinho: como a  geração Z entrou na disputa entre Flávio e Lula

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/24/roblox-fandoms-e-bloquinho-como-a-geracao-z-entrou-na-disputa-entre-flavio-e-lula.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-24T07:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1330032-roblox-fandoms-e-bloquinho-como-a-geracao-z-entrou-na-disputa-entre-flavio-e

> Roblox, fandoms e bloquinhos: a disputa entre Lula e Flávio na geração Z

De carreatas digitais a mobilizações musicais, a disputa entre os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) envolveu jovens da geração Z. Online e offline, os eleitores entre 16 e 30 anos de idade criaram novas formas de engajamento que marcaram as duas campanhas.

Algumas dessas iniciativas foram adotadas por apoiadores dos dois candidatos, como:

Mobilizações em universidades

Carreatas no Roblox

Outras, embora não sejam exclusivas de um dos lados, se destacaram em campanhas específicas. Do lado de Flávio, por exemplo, foram ações como:

Paródias de funk

'Bloquinho do 22'

Entre os eleitores jovens de Lula, há outros exemplos:

Envolvimento de fandoms de artistas

Adesivos com estética jovem e referências pop

Roblox, fandoms e bloquinho: como a geração Z entrou na disputa entre Flávio e Lula

Essas iniciativas refletem uma aproximação maior entre a política e o entretenimento, especialmente nas redes sociais, diz Issaaf Karhawi, professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e pesquisadora da cultura dos influenciadores digitais.

Segundo ela, estes novos formatos ajudam a levar o debate político às novas gerações.

"Isso também é fazer comunicação política, reconhecer que há diferentes gerações e que é preciso conversar com cada uma delas por vários meios", afirma.

Renato Meirelles, presidente do instituto de pesquisa Locomotiva, afirma que essas novas ferramentas reinventam e potencializam um comportamento político característico das gerações mais novas.

"O jovem sempre se mobilizou com as ferramentas, a estética e a cultura que tinha na mão. Foi assim no movimento estudantil, nos festivais de música, com os caras-pintadas, com o hip-hop. O que muda agora é a escala. A internet se universalizou, e com ela uma cultura que nasce e circula na rede: o jogo online, o fã-clube, o funk, o meme", diz.

Ações adotadas pelos dois lados

Carreatas no Roblox

Manifestações e carreatas pró-Lula e pró-Flávio são organizadas no Roblox.

Uma das iniciativas mais inusitadas, as carreatas virtuais no Roblox mobilizam apoiadores das duas campanhas. Elas simulam atos do mundo real e contam com buzinaços, faixas e até "showmícios" de avatares de artistas que já morreram, como Kurt Cobain e Renato Russo (clique para ler mais).

👉🏻 O Roblox é uma plataforma de jogos on-line que permite aos usuários jogar experiências criadas por outros jogadores e desenvolver seus próprios ambientes virtuais.

Após dias de tentativas, o g1 conseguiu participar de um evento organizado pelos apoiadores de Flávio. A reportagem também teve acesso a um grupo no Instagram que organiza as carreatas virtuais pró-Lula.

Na carreata observada pelo g1, apoiadores do candidato do PL vestiam roupas com as cores verde e amarela e davam voltas por uma espécie de cidade do jogo. Além dos carros, os participantes utilizavam uma viatura policial e até um cavalo.

Eles levavam placas como "Fora Lula" e "Aqui é 22" e uma simulação de um carro de som do "Bloquinho do 22" (leia mais abaixo sobre estes blocos).

Já no grupo de apoiadores de Lula, mensagens sobre as carreatas realizadas nas últimas semanas mostravam uma tentativa de coordenar a participação dos jogadores no evento.

"Galera, para fazermos uma carreata bonita, todos têm que colaborar. Ninguém ultrapassa ninguém, todos devem manter a mesma velocidade. Vamos fazer uma carreata muito bonita!", escreveu o organizador.

Imagens de carreatas do petista que circulam na internet mostram uma dinâmica parecida com a realizada pelos eleitores de Flávio. Os carros seguem em fila e os avatares, vestidos de vermelho, levantam placas em apoio ao presidente que busca a reeleição.

Atos em frente a universidades

Estudantes de universidades em SP fazem atos em prol de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)

A cidade de São Paulo foi um exemplo de como apoiadores dos dois candidatos realizaram manifestações em torno de universidades.

No início de outubro, após a primeira ida às urnas, estudantes do Mackenzie convocaram uma manifestação na Rua Maria Antônia, em frente à universidade, em apoio a Lula.

Alunos de outras instituições de ensino da capital, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), também participaram do ato, que foi organizado após a divulgação de um comunicado interno do Mackenzie proibindo manifestações partidárias dentro da instituição, depois da convocação de uma assembleia pró-Lula.

Dias depois da mobilização em apoio ao petista, estudantes do Mackenzie e de universidades como Insper, ESPM e Ibmec se reuniram para demonstrar apoio a Flávio Bolsonaro. O ato aconteceu em frente ao Insper, na Rua Quatá, na Vila Olímpia.

Ao som de músicas com críticas à esquerda, os estudantes dançaram e gritaram palavras de ordem contra Lula, inclusive o funk que marcou a campanha (leia mais abaixo).

Os dois atos também foram marcados por presenças de políticos. No fim do ato dos apoiadores de Lula, falaram as recém-eleitas deputadas federais Luna Zarattini (PT) e Natalia Boulos (PSOL). Já os universitários apoiadores de Flávio foram acompanhados pelo deputado estadual Lucas Bove (PL) e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que participou por videochamada.

Atos de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL)

Funk de campanha

Funk de campanha do Flávio viralizou entre os jovens

O funk ganhou espaço e foi hit entre os jovens que apoiam o candidato do PL. Músicas populares tiveram suas letras adaptadas com mensagens de apoio ao candidato e críticas ao PT. Uma das versões que mais ganharam destaque traz o refrão "Quem ficar parado é petista disfarçado", usado para incentivar o público a dançar e pular durante as manifestações.

A música foi dançada por Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano para comemorar a eleição dos dois para deputado federal e estadual, respectivamente, pelo PL, em vídeo que viralizou após o 1º turno. Depois, até cantores sertanejos que apoiam Flávio gravaram um vídeo dançando ao som do funk.

O funk embalou atos de campanha em diferentes cidades. Em Vitória (ES), o próprio Flávio dançou ao som do funk em cima de um trio elétrico, acompanhado de aliados como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

'Bloquinho do 22'

Flávio Bolsonaro e aliados em ato de campanha na Paulista

Atos de Flávio no 2º turno foram inspirados nos blocos de carnaval, usando um termo que se tornou popular entre jovens nos últimos anos. O chamado "Bloquinho do 22" levou seus apoiadores às ruas durante o segundo turno das eleições.

Os atos foram convocados pelo deputado federal Nikolas Ferreira, que tem os jovens entre seus principais públicos nas redes sociais.

A participação do parlamentar ajudou a mobilizar esse eleitorado para as manifestações, que incorporaram elementos de festas populares, como trios elétricos, músicas e danças.

Apesar do termo no diminutivo, alguns dos "Bloquinhos" tiveram grandes públicos, como o do dia 18 de outubro na Av. Paulista, que reuniu 71,9 mil pessoas em seu auge, segundo metodologia da USP.

Atos de apoiadores de Lula (PT)

Mobilização dos "fandoms"

Mobilização de 'fandoms' marcou campanha do Lula.

Ao subir no carro de som da Av. Paulista em 11 de outubro, Lula agradeceu a aliados tradicionais e novos: “Não sei se começo minha fala dizendo ‘companheiros e companheiras’, ou se começo dizendo ‘fandoms do Brasil, obrigado pela iniciativa de vocês’”.

A partir do final do primeiro turno, a campanha do PT passou a contar com apoio de donos de perfis dedicadas a famosos, de grupos conhecidos como fandoms. Admiradores brasileiros de artistas como Taylor Swift, Beyoncé, Anitta e do grupo sul-coreano BTS também entraram na disputa eleitoral.

A mobilização levou para a política estratégias já utilizadas por essas comunidades de fãs, como mutirões de publicações, compartilhamento de conteúdos e uso de hashtags para ampliar o alcance de determinados assuntos nas redes.

O movimento também ganhou espaço fora da internet: no dia 11 de outubro, representantes dos fandoms se reuniram com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e participaram do ato na Av. Paulista, onde receberam o agradecimento público de Lula citado acima.

Adesivos de campanha de Lula (PT)

Os tradicionais adesivos de campanha também ganharam novas versões entre os apoiadores jovens de Lula. Em vez de materiais apenas com o nome e o número do candidato, frases bem-humoradas, como "Gostosas com Lula", passaram a ser usadas para demonstrar apoio ao petista.

Nas redes sociais, os adesivos também passaram a ser tratados como itens de coleção. Usuários comparam os diferentes modelos a cartas de jogos, comentam sobre a dificuldade de encontrar determinadas versões e mostram suas coleções na internet.

Esse interesse por colecionar materiais políticos também aparece em publicações sobre adesivos de outros candidatos. Um dos exemplos é um vídeo publicado pela influenciadora Bel, conhecida pelo canal Bel para Meninas, em que ela apresenta sua coleção de adesivos do deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP), aliado de Lula.

As duas iniciativas se cruzaram: os fandoms distribuíram adesivos que misturavam o apoio a Lula e aos artistas.

O que as pesquisas eleitorais dizem sobre os jovens?

Nas pesquisas do instituto Datafolha realizadas antes do primeiro turno, Lula liderou numericamente entre os eleitores de 16 a 24 anos ao longo de toda a série e chegou a 46%, contra 32% de Flávio Bolsonaro, na véspera da votação.

Já nas pesquisas de segundo turno, o cenário mudou de direção no primeiro levantamento: Flávio apareceu com 50% a 43% no recorte etário em 8 de outubro, mas Lula passou numericamente à frente por 50% a 43% na pesquisa de 15 de outubro. Na pesquisa mais recente, de 23 de outubro, a diferença diminuiu: Lula 47% x 42% Flávio. A margem de erro é de 6 pontos percentuais.

Veja a evolução das pesquisas por idade aqui

Segundo Renato Meirelles, o jovem chega dividido à reta final da eleição. Mas, para o especialista, é preciso fazer uma distinção.

"Falar de 'o jovem' no singular esconde a principal divisão dessa geração, que é de gênero. As jovens mulheres tendem mais ao governo. Os jovens homens tendem mais à oposição, ao Flávio Bolsonaro", diz.

"Isso nasce da vida concreta. A jovem mulher usa mais o serviço público: a creche, o posto de saúde, a escola do irmão. Valoriza a família unida e rejeita o discurso radicalizado que muitas vezes associa à direita. O jovem homem olha mais para o próprio corre e desconfia de quem promete proteção do Estado", explica.

Like e engajamento viram voto?

Para Meirelles, não é necessariamente o evento online, como as carreatas, que impacta a escolha do eleitor.

"Raramente é a carreata no Roblox que muda um voto. Avatar não vota. O que muda o voto é o eleitor que se engajou por causa dela e passa a conversar com colegas, amigos e família. É dessa conversa que sai o voto. Numa eleição apertada, o cabo eleitoral mais eficiente pode ser o filho, o primo, o neto", afirma.

Para além do impacto nas urnas, o engajamento nas redes e os novos formatos aproximam a política do cotidiano.

"[O impacto real] é aproximar a política do dia a dia dessas pessoas. Ela deixa de ser coisa de Brasília e vira assunto da roda de amigos, do grupo da escola, da fila do jogo", disse.

Sobre as mobilizações online, Issaaf Karhawi afirma que a "arquitetura das plataformas" muitas vezes dificulta o engajamento de pessoas fora de uma bolha específica.

Isso porque os algoritmos das redes sociais selecionam e priorizam conteúdos semelhantes aos interesses de cada usuário. Por isso, mesmo quando uma publicação política viraliza, não significa que ela tenha alcançado pessoas fora do grupo de apoiadores de determinado candidato.

"Há muito mais conteúdo, postagens, textos, vídeos, publicados nas redes do que nós seríamos capazes de consumir em uma vida. Então, os sistemas algorítmicos executam essa tarefa de filtragem e isso vai nos colocando em bolhas", diz.

Contudo, nas redes que de fato permitem o contato entre pessoas conhecidas, mas de diferentes bolhas, esses conteúdos podem, sim, influenciar a decisão de voto.

"E eu não estou falando de celebridades e influenciadores, mas de pessoas comuns que podem compartilhar uma opinião e a família lê aquilo e pensa sobre aquilo. Ou um colega de trabalho, um amigo distante", diz.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/24/roblox-fandoms-e-bloquinho-como-a-geracao-z-entrou-na-disputa-entre-flavio-e-lula.ghtml

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