A beira do campo sempre foi o lugar Dyego Coelho como jogador. Foi ali, pelo corredor direito do campo, que ele construiu carreira como lateral de clubes como Corinthians e Atlético-MG. Atualmente, ele segue por ali, só que do lado de fora do gramado.
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A trajetória como técnico tem progredido. Hoje Coelho luta pelo acesso na Segunda Divisão do Campeonato Mineiro, que corresponde à terceira e última divisão estadual, e tenta conduzir o Nacional de Muriaé à promoção e ao título.
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Dyego Coelho tem começo arrasador como técnico do Nacional de Muriaé
Apesar do momento atual ser este, Coelho não se esquece dos caminhos que o levaram até onde está. Bem à vontade em Minas Gerais, onde vive com a família há alguns anos, o treinador se mostra feliz e grato a quem abriu os caminhos de sua trajetória no estado.
Ele faz questão de reconhecer o ex-técnico que o levou para Minas ainda como jogador e também o Corinthians, clube que lhe deu a primeira oportunidade como treinador e lhe permitiu entender de perto como o contexto social dos jovens impacta a formação dentro e fora de campo.
Conhecimento e consciência social
Não é todo mundo que tem a possibilidade de ter a experiência de se moldar como treinador em um clube grande, seja na formação de atletas ou no profissional. Coelho pode se dizer um felizardo, porque conseguiu as duas coisas e em um clube onde tinha identificação.
Foi no Parque São Jorge que o ex-jogador pôde entender o dia a dia de um técnico de futebol. Entre 2015 e 2018 e, posteriormente, em 2020, ele esteve à frente do Timão nas categorias sub-19 e sub-20.
Dyego Coelho Corinthians x Fortaleza
Neste período, ele foi auxiliar de Osmar Loss no título da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017 e também conduziu a equipe ao vice-campeonato da Copa do Brasil da categoria em 2015, e do Paulistão, em 2020.
Além disso, Coelho teve a oportunidade de participar do dia a dia do time principal a partir de 2015 e de dirigir o profissional em 2019 e 2020, em momentos onde atuou com interino enquanto o clube acertava as saídas e chegadas de outros treinadores. Entre o período na base e as chances na equipe de cima, o treinador fez cursos e se capacitou.
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Apesar do bom desempenho no clube paulista, pelo qual foi campeão estadual e do Brasileirão como jogador, Coelho afirma que o Timão proporcionou ainda mais a ele.
— É algo até difícil de expressar, principalmente para quem conhece o clube como eu. A base te traz muita chance de experimentar as coisas como treinador, dá um alicerce muito bom para você seguir a carreira como técnico. Principalmente nesta questão do ser humano, porque a base te traz jogadores que vem de lugares que você precisa ter atenção, principalmente fora de campo — disse.
Dyego Coelho teve bastante sucesso como técnico na base do Corinthians
“Aprendi a ser um ser humano melhor vendo alguns atletas passarem por alguma dificuldade. A gente ter condição de ajudar com relação a isso fortalece muito a nossa mente, faz com que a gente repense muito sobre o que é a vida, socialmente falando, mas trazendo para dentro de campo ajudar os nosso atletas”.
— O Corinthians te traz esta bagagem toda no profissional igualmente. Tive a sorte de ter grandes jogadores ao meu lado e sorte de ter a confiança de um dos maiores presidentes que o Corinthians já teve, se não for a maior. O Andrés Sanches é mais do que um amigo para mim. É como se fosse um pai. A gente sabia como lidar.
Em “casa” nas Minas Gerais
Depois de deixar o Timão, Coelho teve outras experiências como técnico e auxiliar. Ele passou por Guarani, Metropolitano-SC, São Bento, Inter de Limeira, Cuiabá, São Bento e Portimonense-POR até rumar para Minas Gerais.
Antes mesmo de chegar ao Nacional de Muriaé, onde disputa hoje a fase final do Hexagonal Final da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro, Coelho comandou o Democrata SL no Módulo 2. O treinador foi demitido do cargo cinco jogos depois do início do torneio, com duas vitórias, um empate e duas derrotas.
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Poucos meses depois, o treinador foi anunciado pelo NAC para tentar devolver o time ao Módulo 2, já que o time de Muriaé caiu para a Segundona em 2025. De acordo com ele, a adaptação foi facilitada pelo maneira como ele foi recebido em Muriaé.
— A cidade é muito acolhedora. As pessoas tratam a gente de uma maneira muito especial e a gente só tem que fazer o nosso melhor para dar um pouco de alegria ao nosso torcedor e fazer com que isso seja visto pela cidade. O futebol traz isso, esta junção — disse.
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Este sentimento de mineiridade é algo que Coelho conhece bem. Um dos principais momentos da carreira de jogador foi no Atlético-MG, quando morou durante anos em Belo Horizonte. Até hoje, os três filhos do jogador moram na capital mineira, com a mãe e ex-companheira do treinador.
De acordo com Coelho, viver em Minas Gerais em 2007 e depois entre 2009 e 2010, fizeram com que ele se apaixonasse pelo Estado.
— É um lugar onde me sinto muito bem. Hoje tenho o prazer de estar vivendo com pessoas acolhedoras demais. É algo onde quero permanecer. Ficar em Minas Gerais é muito importante — contou, antes de rasgar elogios à capital mineira.
— Sou fã número 1 de Belo Horizonte. Comer aquela barriguinha de torresmo, um feijão-tropeiro, uma cervejinha gelada em um domingo à tarde... são coisas simples que eu gosto e que a cidade nos permite fazer com o povo acolhedor que tem.
Muito desta admiração por Minas se deve a um nome. Coelho afirma que Levir Culpi tem grande parcela de responsabilidade pela chegada dele ao Atlético-MG. Segundo ele, o cuidado que o treinador teve com a parte pessoal e familiar fizeram com que Coelho e a família viessem para Minas Gerais de maneira mais tranquila. O ex-lateral-direito também fez menção à torcida do Galo como um dos fatores para adotar Minas Gerais como “casa”.
Coelho destacou a importância do técnico Levir Culpi tanto profissional, quanto pessoalmente
Bruno Cantini / Atlético-MG
— Ele é o “culpado” por este bem feito em minha vida. Sou muito grato pela forma como fui recebido aqui, sobretudo pelo torcedor atleticano. O torcedor do Galo tem uma parcela de momentos incríveis na minha vida — contou, destacando a postura de Levir com os atletas:
— Tenho um carinho muito grande pelo Levir Culpi. Ele foi o primeiro treinador que perguntou como eu estava e como minha família estava. Isso foi em 2007. Era um cara que se preocupava muito com o ser humano antes do atleta. É algo que ficou marcado para mim quando cheguei no Galo, este cuidado com a comissão e com todos os jogadores
Início promissor e luta pelo acesso
Base bem feita, adaptação à cidade, alegria por progredir na carreira. Tudo isso é importante para Dyego Coelho, mas não se compara à necessidade por motrar resultados. E isso tem aparecido dentro de campo.
O técnico conduziu o NAC à classificação na primeira fase da Segundona com três vitórias — todas nos três primeiros jogos — um empate e uma derrota. A equipe marcou sete gols e sofreu três, na terceira posição do Grupo A e com a quinta colocação geral do torneio entre os 12 times do campeonato.
Coelho afirma que o bom começo no Nacional foi fundamental para ter tranquilidade no trabalho e divide o mérito com outros agentes do processo.
— A gente sempre espera começar bem. A gente sabe da nossa dificuldade que foi o início. E este início, com estas vitórias, tem a responsabilidade e os nomes de Fábio Barroso e Marcelinho Paulista, que estão no clube há meses e vem fazendo um trabalho extraordinário não só no profissional, mas principalmente no sub-20, onde usamos muitos jogadores, que foram criados praticamente por eles — falou.
Dyego Coelho tem 100% de aproveitamento no NAC
Coelho se disse satisfeito com a estrutura que ganhou para poder trabalhar em Muriaé. Segundo ele, o Nacional tem um potencial grande para alçar voos maiores.
— O NAC tem acima de tudo uma margem de crescimento gigantesca. Tem um CT de onde a gente não precisa sair para lugar algum para treinar. A gente tem um estádio em que a gente pode usufruir de todas as formas. O Dr. Alex, investidor que veio para somar e faz um trabalho incrível com o Fábio Barroso, é algo que nos dá confiança, e os jogadores sabem disso.
Vanderlei Luxemburgo e Mano Menezes são duas referências para Coelho
Alexandre Vidal/Fla Imagem
— Todos sabem deste potencial. A gente tenta dar o maior suporte porque a gente vive no mundo há bastante tempo e sabe a projeção que isso pode atingir, não só para o clube, mas para os atletas que estão com a gente. É melhorar a condição física destes atletas para que nosso jogo continue cada vez mais agressivo. Nossa evolução é essa: ter a mente forte, evoluir fisicamente, mentalmente, buscar sempre o nosso objetivo que é a vitória para conseguirmos algo legal aqui — destacou.
Apesar de não ter uma inspiração como técnico, Coelho afirma que teve muita sorte por trabalhar com profissionais muito experientes quando era jogador, como Mano Menezes, Vanderlei Luxemburgo, Levir Culpi e Daniel Passarella.
Ele afirma que beber da mesma fonte de treinadores como os citados acima é inevitável e construtivo profissionalmente.
“São treinadores te trazem muito conhecimento. Eles têm até hoje aquele cuidado de passar a informação correta aos atletas. Isso a gente vai levando e tentando colocar em prática... não tão bem como eles (risos), mas a gente espera chegar lá”.
— Sou um treinador que gosta muito de incomodar o time adversário, principalmente com a questão do comportamento. Ser agressivo com a bola, fazer com que as coisas funcionem no dia a dia. Isso é a palavra-chave no futebol, com mudanças de uma função para a outra. Taticamente falando, fazer um trabalho de posse (de bola) e, ao mesmo tempo fazer uma transição defensiva. Sem a bola você tem que ser agressivo também. É uma série de situações que o campo te dá e que te mostra o quanto o comportamento em vários setores e momentos precisa mudado ou precisa ser mantido — contou.
O Nacional de Muriaé terá pela frente o Hexagonal Final da competição, no qual enfrentará Venda Nova, Novo Esporte, Paracatu, Betim B e São João del-Rei. A estreia será contra o Paracatu, sábado, a partir das 15h, no Estádio Frei Norberto, em Paracatu.
A carreira como treinador começou em 2015, no próprio Corinthians, como auxiliar da equipe sub-20. Poucos anos depois, assumiu o comando do time de juniores e, posteriormente, foi técnico interino da equipe profissional em duas oportunidades: novembro de 2019, com a saída de Fábio Carille, e setembro de 2020, após a demissão de Tiago Nunes.
Depois de passagens por clubes como Metropolitano-SC e Inter de Limeira, Coelho trabalhou por quase três temporadas no Portimonense, de Portugal, dirigindo o time sub-23. Em 2025, retornou ao Brasil para comandar o São Bento antes de fechar com o Cuiabá, onde foi campeão sul-mato-grossense sub-20.
Coelho comemora gol do Corinthians com Tévez, Carlos Alberto e Jô
Diário de São Paulo
Em março deste ano, Dyego Coelho comandou o Democrata-SL no Módulo 2 do Campeonato Mineiro, mas teve a sua saída anunciada pela diretoria após derrota para o Villa Nova.
Revelado pelo Corinthians, Coelho teve uma trajetória de destaque como jogador. Ele conquistou o Campeonato Brasileiro de 2005 e um título do Paulista pelo Timão. Ele também defendeu o Atlético-MG, onde foi campeão mineiro duas vezes. Coelho teve passagens internacionais por Bologna, da Itália, e Karabukspor, da Turquia. No Brasil, também vestiu as camisas de Bahia, Guaratinguetá e Atlético Sorocaba.

