O pai baleado pelo próprio filho durante um ataque à família em Alenquer, no oeste do Pará, relatou a dor de perder a esposa e o filho na mesma noite e contou por que acredita que uma das filhas precisou atirar contra o irmão para sobreviver. Em entrevista à imprensa, André Pereira disse que, diante das ameaças do jovem, as meninas também corriam risco de morrer.

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“Eu não queria perder nenhum dos meus filhos, né? Mas como ela já tinha matado a mãe dele numa crueldade dessa, né? Ele poderia matar as duas também”, afirmou o pai.

O caso aconteceu na noite de quinta-feira (22), na comunidade de Patuazal, na região do Mamiá, zona rural de Alenquer. Segundo a Polícia Civil, Max William da Silva Fagundes, de 19 anos, atacou a mãe, Eide Dalila Silva, com golpes de terçado, atirou contra o pai e, depois, coagiu uma das irmãs a disparar contra ele. O jovem morreu no local.

A mãe não resistiu aos ferimentos e morreu durante o trajeto para o hospital. André sobreviveu ao tiro e precisou de atendimento médico.

Pai foi baleado ao chegar ao local

André contou que estava fora de casa, trabalhando, quando recebeu a notícia de que o filho havia atacado a mãe. Uma das filhas foi avisá-lo, e ele seguiu de moto até a comunidade.

Ao chegar, chamou pelo nome do filho e foi atingido por um disparo de arma de fogo.

“Quando eu cheguei, chamei pelo nome dele, aí ele deu o tiro”, relatou.

Segundo André, ele conseguiu correr para a casa de um vizinho. Mesmo ferido, decidiu acompanhar a esposa durante o socorro, pois ela ainda estava viva.

Jovem mata e atira no pai em Alenquer

“Eu não vou sem minha esposa. Ela ainda estava viva”, contou.

O casal foi colocado em uma ambulância, mas Eide morreu durante o percurso, nas proximidades da região conhecida como Perpétuo.

Jovem ameaçou matar as irmãs, diz pai

Tragédia em Alenquer deixou saldo de duas mortes e um ferido.

Durante a entrevista, André relatou que soube, enquanto estava na ambulância, que o filho havia ameaçado as duas irmãs. Segundo ele, o jovem teria dito que elas precisariam matá-lo ou seriam mortas por ele.

“Ele falou com elas: ‘Ou vocês me matam, ou eu mato vocês duas’”, relatou o pai.

De acordo com o delegado de Polícia Civil Jonivaldo Carneiro, Max William obrigou a irmã de 12 anos a atirar contra ele sob ameaça de morte. Diante da coação, a criança disparou, e o jovem morreu no local.

André disse que ficou abalado ao saber da morte do filho. Max William era o primogênito da família, e o pai contou que vivia com Eide havia cerca de 20 anos.

“Eu não queria perder nenhum dos meus filhos”, lamentou.

Pai diz que ajudava a sustentar o filho

André também falou sobre a relação com Max William. Segundo ele, o jovem trabalhava desde criança, mas, com o tempo, deixou de obedecer aos pais.

O pai afirmou que comprava alimentação, roupas e outros itens para o filho. Ele também relatou que o jovem tinha o hábito de cheirar gasolina e disse que as discussões familiares não eram constantes.

Ao falar sobre o que aconteceu, André lamentou a perda da esposa e do filho e afirmou que agora pretende se recuperar dos ferimentos para cuidar das filhas.

O caso é investigado pela Polícia Civil, que instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do ataque e da morte do jovem. O Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar a criança envolvida no episódio e garantir assistência após o trauma.

A comunidade de Patuazal fica na região do Mamiá, em uma área rural de difícil acesso, a cerca de 110 quilômetros da sede de Alenquer, no oeste do Pará.

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