O Ministério Público Eleitoral (MPE) defendeu que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeite o registro de candidatura de Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado das últimas eleições no Rio de Janeiro. Ele foi preso na 8ª fase da Operação Unha e Carne, no último dia 15 de outubro.
Ele é investigado por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e formação de cartel, entre outros crimes. Segundo a investigação, Canella é apontado como o articulador do grupo criminoso suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.
Segundo o relatório do MPE, elementos demonstram que o candidato nomeou conhecidas lideranças milicianas para o primeiro escalão da administração eleitoral quando era prefeito de Belford Roxo.
O documento foi assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa.
MPE defende rejeição do registro de Márcio Canella
Canella foi eleito como prefeito da cidade da Baixada Fluminense nas eleições de 2024. Ele renunciou ao cargo para, inicialmente, se candidatar ao cargo de senador.
Em julho deste ano, Canella foi preso em flagrante por posse ilegal de arma na 6ª fase da Operação Unha e Carne. Na ocasião, policiais federais encontraram um fuzil no carro dele. Canella afirmou que a arma não lhe pertencia.
Depois da operação, ele concorreu ao cargo de deputado estadual e conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, com 197.178 votos, segunda maior votação estadual.
“Ao assumir o cargo de Prefeito de Belford Roxo em janeiro de 2025, o candidato projetou essa aproximação para a estrutura da administração municipal, alçando ao primeiro escalão do governo pessoas apontadas como lideranças milicianas na região”, afirma um trecho do pedido do MPE.
O MPE afirma que existe um conjunto probatório robusto que mostra a relação do candidato com grupos de milicianos. Segundo os promotores, mesmo não havendo uma condenação criminal por tais fatos na Justiça, isso não impede o reconhecimento de um impedimento.
O documento afirma que as relações de Canella não se restringiram com grupos milicianos. Segundo o MPE, a Operação Barricada Zero, divulgada como uma ação de retirada de barricadas, envolveu acordos informais com integrantes do Comando Vermelho.
"É possível afirmar, portanto, a existência de elementos seguros e convergentes que demonstram não apenas a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por intermédio do candidato, como também o apoio eleitoral ostensivo por elas prestado à sua campanha e a sua atuação destacada como articulador de organização criminosa armada", afirma o MPE.
A defesa de Márcio Canella afirmou que o Ministério Público Eleitoral não impugnou o registro de candidatura quando provocado em setembro deste ano e que espera que o TSE reconheça que não há nenhuma alteração da situação jurídica do candidato.
Segundo os advogados de Márcio Canella, o deputado estadual eleito confia na Justiça e espera o deferimento da candidatura pela Corte Superior Eleitoral.

