A obra é consenso entre as campanhas dos 2 candidatos à Presidência e receberão prioridade da área de infraestrutura do próximo governo, independentemente de quem saia vencedor neste domingo (25.out.2026). Durante o debate de 6ª feira (23.out), tanto Lula como Flávio disseram que pretendem concluir o empreendimento durante o próximo mandato.

O projeto da Transnordestina já se arrasta há pelo menos 20 anos. Idealizada como um dos maiores empreendimentos de infraestrutura do país, junto com a transposição do Rio São Francisco, a obra foi iniciada em 2006, sob responsabilidade da TLSA (Transnordestina Logística S.A), empresa controlada pelo Grupo CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).

Originalmente criada com o nome de Companhia Ferroviária do Nordeste S.A, a TLSA incorporou os ativos existentes e o direito de concessão referente à malha Nordeste.

Em 2007, a Transnordestina foi integrada pela 1ª vez ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Inicialmente, a ferrovia teria 1.753 quilômetros, conectando 81 municípios do Ceará, Piauí e Pernambuco, com objetivo de escoar a produção agrícola, minérios e combustíveis aos portos do Pecém (CE) e do Suape (PE), 2 dos principais pontos de escoamento do país.

Ao longo dos anos, o projeto sofreu com uma série de atrasos, paralisações, repactuações, adiamentos da entrega e aumentos no orçamento, além de ter se tornado alvo de processos judiciais e litígios. Durante os governos Lula e Dilma Rousseff (PT), a estimativa para a conclusão mudou diversas vezes. Em 2016, apenas 600 quilômetros dos 1.753 inicialmente projetados estavam concluídos.

A projeção do orçamento do projeto, que começou em cerca de R$ 5 bilhões, foi aumentando ao longo dos anos. Segundo o governo, o empreendimento soma investimento estimado de R$ 15 bilhões , dos quais R$ 11 bilhões já foram aplicados. Atualmente, o traçado estimado soma 1.206 quilômetros, com projeção de atravessar 53 municípios.

Desde o princípio, a obra está dividida em 3 fases: o maior trecho, de 1.053 quilômetros, que liga o sul do Piauí ao Porto de Pecém, já está 83% concluído e tem previsão de entrega no fim de 2027.

A fase 2, toda dentro do Piauí, também passou a avançar neste ano. A conclusão dessa etapa está prevista para dezembro de 2029. A fase 3, que liga Salgueiro ao Porto de Suape, em Pernambuco, ainda não tem previsão de início.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, a Transnordestina já tem trechos operacionais, que somam 700 quilômetros, e terminais logísticos posicionados ao longo do traçado. Em entrevista concedida ao Poder360 em junho, ele defendeu que a ferrovia mudará a configuração logística da região Nordeste do Brasil.

“As ferrovias eram pensadas no passado para carregar carga própria apenas do dono da ferrovia, do operador da ferrovia. Hoje a gente pensa a ferrovia para carregar a carga de todos os brasileiros e conectando os modais ferroviário, rodoviário e hidroviário. É muito importante que a Transnordestina conecte cargas que venham do centro do país. E ela corta o Matopiba nos principais locais. Então ela tem uma característica muito interessante para ser um grande corredor logístico brasileiro” , declarou.

Atualmente, CSN e TLSA executam e gerenciam as obras do projeto principal e o Governo Federal atua em parceria no empreendimento, com aportes e financiamentos de órgãos como Infra S.A, BNDES, BNB (Banco do Nordeste), Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste.

VAI E VEM DE PERNAMBUCO

Em dezembro de 2022, no fim do governo Jair Bolsonaro (PL), a TLSA decidiu devolver a concessão da fase 3, o trecho ferroviário Salgueiro-Suape, que ligaria o porto de Pernambuco a Pecém e ao sul do Piauí.

Na ocasião, a concessionária alegou inviabilidade econômico-financeira de operar simultaneamente os portos de Suape e Pecém. A decisão teve aprovação do TCU (Tribunal de Contas da União), tornando o trecho pernambucano suspenso temporariamente.

Com a mudança de governo e o início da gestão do presidente Lula, o trecho pernambucano foi reinserido no projeto. O ramal entre Salgueiro e Suape passou a fazer parte do Novo PAC (Novo Programa de Aceleração do Crescimento) e a estatal Infra S.A foi designada para conduzir a construção e operação desse trecho, assegurando que Pernambuco voltasse a integrar a ferrovia oficialmente.

Na última semana, a Infra S.A disse que pretende finalizar até o fim do ano o estudo de viabilidade técnica, econômica e ambiental necessário para avançar com a obra. As informações serão apresentadas ao TCU, de modo a atender exigências feitas pelo Tribunal.