Funcionários e ex-funcionários do Hospital de Base, em Brasília, denunciam as condições precárias no setor de Anatomia Patológica, para onde vão corpos para autópsia, órgãos removidos durante cirurgias e materiais coletados para análise.

Vídeos mostram sujeira, falha na proteção dos trabalhadores e recipientes improvisados para armazenamento de órgãos (veja detalhes abaixo). Em uma das imagens, é possível ver que a tranca de gavetas onde ficam os corpos não fecham (assista vídeo acima). Por dentro da estrutura, muita sujeira.

Os funcionários dizem ainda que precisam usar equipamentos de proteção vencidos. No mês passado, uma reclamação foi registrada na ouvidoria do GDF por um funcionário que diz ser vítima de perseguição, constrangimento e condutas hostis.

Após questionamento, a reportagem foi convidada a conhecer o setor de Anatomia Patológica e encontrou uma situação diferente das imagens denunciadas (veja mais detalhes no fim da reportagem). Funcionários afirmam que houve uma grande faxina durante toda a madrugada anterior à visita.

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Armazenamento de órgãos

Funcionários denunciam condições precárias no Hospital de Base, em Brasília

Outras imagens mostram o local de armazenamento de materiais biológicos, que já passaram ou vão passar por biópsia. É possível ver potes de plástico, inclusive de sorvete.

"A gente leva da nossa própria casa. A manteiga que a gente terminou de usar na copa vai para lá, para a gente poder usar e armazenar esses órgãos que a gente recebe do centro cirúrgico", disse um ex-funcionário que preferiu não se identificar.

Os órgãos que chegam ao setor são cedidos pelas famílias para serem usados na residência médica. No entanto, segundo o ex-funcionário, o protocolo de como deveria ser feito o armazenamento não é seguido.

"Tem fungo, ainda tem esse risco biológico", afirma.

O que diz o Hospital de Base

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges) – que faz a gestão do Hospital de Base – afirmou à reportagem que as imagens não refletem como está o setor atualmente, já que houve uma mudança recente na gestão do setor.

A gerente-geral do Serviço de Diagnóstico de Imagem, Marlucy Mendes Soares, negou que a faxina feita no local teve relação com a ida da reportagem ao local. A gestora disse ainda que a limpeza é periódica e afirmou que não há irregularidade nas imagens feitas pelos funcionários.

"A resolução diz que o pote precisa estar fechado, identificado e a peça estar acondicionado com formol diluído em água. Todas as peças que foram mostradas no vídeo estavam nessas condições."

Marlucy Mendes Soares declarou ainda que as geladeiras passam por manutenção e limpeza com regularidade.

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