Na França, o Ministério do Interior informou que 410 mil pessoas participaram dos protestos em todo o país. Quase 1.000 pessoas foram presas, segundo o ministro Laurent Nuñez. Na Espanha, cerca de 25.000 manifestantes se reuniram em Madri para defender as aposentadorias públicas. Já na Albânia, manifestantes pediram a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, acusado de corrupção.
Embora não façam parte de um movimento único, os protestos refletem a insatisfação com as condições econômicas e a resposta dos governos às demandas da população.
As pautas variaram conforme o país. Na França, os manifestantes cobraram mais recursos para escolas e serviços públicos, em meio à pressão do governo para conter os gastos e o endividamento.
Na Itália, os atos tiveram como foco o custo de vida, os preços dos combustíveis e problemas nas áreas de emprego, saúde, educação e moradia. Caminhoneiros, agricultores e metalúrgicos também organizaram bloqueios.
Os atos foram pacíficos em Milão, apesar de palavras de ordem contra a polícia. Em Turim, agentes usaram cassetetes e escudos para conter manifestantes que tentavam avançar pelo centro da cidade.
Na Bélgica, os manifestantes protestaram contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. Em Bruxelas, centenas de pessoas marcharam entre duas das principais estações ferroviárias. Houve registro de policiais agredindo manifestantes com socos, chutes e golpes de cassetete.
Na Espanha, a mobilização defendeu as aposentadorias públicas e cobrou medidas para enfrentar a crise habitacional . A esquerda espanhola afirma que a direita favorece uma privatização parcial do sistema previdenciário. A manifestação percorreu cerca de 2 km entre a estação de Atocha e a rua Alcalá, sem incidentes.
Na Albânia, os manifestantes cobravam o combate à corrupção, mais empregos e melhorias na educação. Em Tirana, manifestantes lançaram pedras contra policiais, que responderam com canhões de água.
Parte das reivindicações se dá em um cenário de pressão sobre as contas públicas e o orçamento das famílias. O aumento dos custos de energia e combustíveis com os conflitos no Oriente Médio encarece as despesas cotidianas, enquanto o elevado endividamento limita a capacidade de alguns governos de ampliar os gastos.
No 2º trimestre de 2026, a dívida pública correspondia a 139,9% do Produto Interno Bruto da Itália, 119,1% do francês, 110,2% do belga e 101,4% do espanhol, segundo o Eurostat, órgão de estatísticas da União Europeia.
Na Itália, a inflação chegou a 4,2% em setembro, acima dos 3,8% registrados na zona do euro . Na Espanha, a taxa foi de 5%, enquanto na Bélgica chegou a 4,5%. Na França, a inflação ficou em 3,4%, abaixo da média do bloco.
FRANÇA TEM 1.000 PRESOS
Na França, os protestos foram realizados em cidades como Paris, Marselha e Lyon. Na capital, cerca de 110 mil pessoas participaram de uma marcha pacífica, segundo a polícia. No fim do ato, agentes usaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos de jovens encapuzados.
Em Marselha, manifestantes incendiaram latas de lixo, bloquearam ruas e lançaram pedras e garrafas contra policiais. O Ministério do Interior contabilizou 410 mil participantes em todo o país, mas os sindicatos estimaram o dobro.
Quase 1.000 pessoas foram presas e 70 mil agentes foram mobilizados para reforçar a segurança.

