# Lula x Flávio: como os candidatos chegaram à eleição mais apertada da história

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/politica/lula-x-flavio-como-os-candidatos-chegaram-a-eleicao-mais-apertada-da-historia/)
- Publicado em: 2026-10-25T00:30:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1341287-lula-x-flavio-como-os-candidatos-chegaram-a-eleicao-mais-apertada-da-historia

> Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao segundo turno das eleições presidenciais, neste domingo (25), após três semanas de campanha em que o presidente conseguiu reagir à derrota nas urnas e reduzir a…

A mobilização petista ganhou força nas ruas e nas redes sociais, mas terminou sem produzir uma inversão das posições nos principais levantamentos. Flávio preservou a vantagem numérica e encerrou a campanha com uma postura mais moderada no último debate.

As pesquisas divulgadas neste sábado (24) mostram a dimensão do equilíbrio. Datafolha e Quaest registraram o mesmo placar em votos válidos: 51% para Flávio e 49% para Lula. Os dois levantamentos apontam empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

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A AtlasIntel/Bloomberg também mostrou o senador numericamente à frente, com 50,8% dos votos válidos, contra 49,2% do presidente. A diferença de 1,6 ponto percentual está dentro da margem de erro de um ponto para cada candidato.

Os números encerram uma campanha em que Lula recuperou parte do terreno perdido, mas Flávio conseguiu manter a dianteira observada no primeiro turno. Em 4 de outubro, o senador recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

Mesmo com a liderança do senador nos principais levantamentos, a disputa permanece indefinida. A diferença observada nas pesquisas é pequena, e o comparecimento dos eleitores poderá ter peso relevante no resultado deste domingo.

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Lula reagiu, mas não conseguiu ultrapassar

O resultado do primeiro turno levou a campanha petista a mudar sua estratégia. Diante da possibilidade concreta de derrota, Lula intensificou a mobilização dos apoiadores e passou a buscar votos entre eleitores que haviam escolhido outros candidatos ou não compareceram às urnas.

A operação de vira-voto reuniu influenciadores digitais, parlamentares recém-eleitos e grupos organizados nas redes sociais. A campanha também ampliou a exposição de medidas como a redução da jornada de trabalho, a renegociação de dívidas de microempreendedores e a proposta de transporte público gratuito nos fins de semana.

A reação apareceu nos levantamentos. Na primeira pesquisa Datafolha após o primeiro turno, Flávio tinha 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. A diferença diminuiu nas rodadas seguintes e chegou ao empate numérico de 50% a 50% na quinta-feira (22).

O movimento, porém, perdeu força na medição final. Neste sábado, o instituto voltou a registrar 51% para Flávio e 49% para Lula , ainda dentro da margem de erro. A Quaest também terminou com o senador numericamente à frente.

Os resultados indicam que a mobilização petista ajudou a estreitar a disputa, mas não produziu uma ultrapassagem mensurável nos levantamentos divulgados antes da votação.

Para o cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), a reação da base de Lula esteve associada à percepção de que a derrota havia se tornado uma possibilidade real.

Em entrevista ao Mapa de Risco , do InfoMoney , na quarta-feira (21), o pesquisador avaliou que a mobilização digital e nas ruas contribuiu para reduzir a diferença entre os candidatos.

Flávio ampliou vantagem

A escolha de Flávio como candidato de Jair Bolsonaro, anunciada no fim de 2025, provocou dúvidas iniciais entre aliados que defendiam outros nomes, especialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O senador conseguiu consolidar sua candidatura e atrair grande parte do eleitorado do pai, que permanece inelegível. A vitória no primeiro turno reforçou sua posição dentro do PL, que elegeu 121 deputados federais e terá 28 senadores na próxima legislatura.

No segundo turno, Flávio buscou ampliar sua interlocução com empresários, partidos de centro-direita e eleitores menos identificados com o bolsonarismo. A campanha passou a dedicar mais espaço às propostas econômicas, especialmente ajuste fiscal, redução de impostos e segurança pública.

Tarcísio participou das articulações políticas e ajudou na preparação do senador para o último debate presidencial. A aproximação também teve como objetivo reforçar a imagem de Flávio como um candidato capaz de dialogar com diferentes setores da direita.

Um dos desafios da campanha era reduzir a rejeição do senador entre eleitores moderados, sem comprometer o apoio de sua base tradicional.

Último debate teve mais propostas e mudança de postura

O último confronto entre os candidatos, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23), mostrou mudanças em relação ao primeiro debate do segundo turno, promovido pela Band em 18 de outubro.

Na Band , Lula e Flávio concentraram parte importante das intervenções em acusações envolvendo corrupção, familiares e relações políticas. As duas campanhas identificaram problemas no desempenho de seus candidatos.

Aliados de Lula avaliaram que o presidente reagiu excessivamente às provocações, enquanto a equipe de Flávio se preocupou com os gestos e ironias do senador durante as falas do adversário.

Na Globo , os candidatos dedicaram mais tempo à discussão de propostas nos três primeiros blocos, que tinham temas definidos previamente.

Flávio apresentou medidas relacionadas à economia, ao custo de vida, à segurança pública e ao endividamento das famílias. Também evitou repetir parte das provocações que haviam provocado críticas no primeiro confronto.

Lula procurou destacar as realizações de seus governos e comparar políticas já implementadas com as promessas apresentadas pelo adversário.

O encontro, entretanto, não ficou livre de ataques. No último bloco, de tema livre, os candidatos voltaram a trocar acusações envolvendo o Banco Master, familiares e relações políticas.

A estratégia de Flávio permitiu ampliar o espaço dedicado a suas propostas e amenizar comportamentos que haviam sido apontados como erros na reta final. Lula, por sua vez, conseguiu apresentar resultados de governo com maior frequência.

As pesquisas divulgadas no sábado, realizadas durante o período do debate e no dia seguinte, não permitem atribuir uma eventual mudança de intenção de voto exclusivamente ao confronto.

Abstenção pode ser decisiva

Uma das novidades da pesquisa Datafolha deste sábado foi a divulgação de uma estimativa que considera a propensão dos eleitores a comparecer às urnas. Entre os entrevistados classificados como mais propensos a votar, Flávio aparece com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula.

Esse grupo representa 76% do eleitorado pesquisado e reúne principalmente pessoas que votaram no primeiro turno e moram mais perto de seus locais de votação .

Entre os 24% classificados com propensão média ou baixa de comparecimento, a relação se inverte: Lula tem 52%, contra 48% de Flávio.

O resultado ajuda a explicar a importância atribuída pelas campanhas à mobilização. Mais de 33 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno, número muito superior à diferença entre os dois candidatos.

Parte desses eleitores vive em estados onde as eleições para governador foram decididas em outubro, reduzindo os cargos em disputa neste domingo.

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Murilo Medeiros destacou no Mapa de Risco que o comparecimento poderia influenciar especialmente o resultado no Sudeste, onde Flávio obteve votação expressiva, e entre jovens e idosos, grupos em que Lula apresentava maior apoio nas pesquisas.

O recorte divulgado pelo Datafolha indica que a capacidade de levar eleitores às urnas poderá ter importância semelhante à conquista de novos votos na reta final.

A disputa pelo eleitor moderado

Flávio procurou construir uma imagem de candidato com propostas econômicas próprias e capacidade de diálogo com o mercado. Para isso, deu visibilidade a integrantes de sua equipe, como Daniella Marques, responsável pela área econômica, e Guilherme Derrite, ligado às propostas de segurança pública.

Lula concentrou parte de sua estratégia em renda, emprego e benefícios sociais, além de destacar a experiência acumulada em seus três mandatos presidenciais.

As duas campanhas também buscaram alianças com lideranças regionais e apoios de partidos que não participaram diretamente da disputa presidencial no primeiro turno.

Para o cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o bolsonarismo chega a esta eleição com uma estrutura partidária mais robusta do que possuía em 2018.

Em entrevista ao Mapa de Risco , na segunda-feira (19), Chaloub destacou a influência do PL e de seu presidente, Valdemar Costa Neto, na articulação de diferentes setores da direita.

O pesquisador também observou que o PT preservou sua estrutura eleitoral, mas perdeu parte da capacidade de formar alianças amplas com o centro político.

O que está em jogo além da Presidência?

O resultado definirá qual projeto político comandará o país diante de restrições fiscais e de um Congresso fortalecido. Flávio promete substituir o atual arcabouço fiscal, reduzir ministérios, rever pontos da reforma tributária e endurecer a política de segurança pública.

Lula defende a continuidade de sua política econômica, a ampliação dos programas sociais, novos investimentos públicos e maior participação da União no combate ao crime organizado.

Ambos terão de lidar com uma dívida pública próxima de 83% do PIB e despesas obrigatórias que comprometem grande parte do Orçamento.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, destacou no Mapa de Risco de quinta-feira (22) que o próximo presidente precisará negociar medidas fiscais com um Congresso cada vez mais autônomo na definição dos gastos públicos.

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Flávio contará com uma bancada partidária fortalecida, embora dependa de alianças para aprovar reformas. Lula enfrentará um Legislativo mais à direita e precisará construir maiorias para executar sua agenda.

Como os candidatos chegam à votação?

O balanço do segundo turno mostra que Lula conseguiu ampliar a mobilização e recuperar parte da distância registrada após a derrota de 4 de outubro. A estratégia de vira-voto produziu uma disputa mais apertada, mas não foi suficiente para colocar o presidente numericamente à frente nas pesquisas finais.

Flávio preservou a vantagem observada no primeiro turno, consolidou apoios políticos e chegou ao último debate com uma estratégia voltada à apresentação de propostas e à redução do tom confrontador.

Os levantamentos de sábado mostram o senador à frente em termos numéricos, mas dentro das margens de erro. O resultado permanece em aberto.

A votação deste domingo indicará o peso da mobilização das campanhas, da rejeição aos candidatos e, sobretudo, do comparecimento dos eleitores em uma das disputas presidenciais mais equilibradas desde a redemocratização.

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