Em entrevista à live especial Poder Eleições , transmitida ao vivo no canal do Poder360 no YouTube, D’Angelo afirmou que Fachin deveria ter atuado diante da decisão de Zanin, tomada pouco antes do encerramento previsto da votação.

“Me estranha, por exemplo, hoje, a ausência de manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin”, declarou.

O jornalista afirmou que, em sua avaliação, Fachin poderia ter suspendido a decisão de Zanin, que determinou a prorrogação da votação e posteriormente teve seu alcance esclarecido.

“Um ministro do STF profere uma decisão que se sobrepõe ao Tribunal Superior Eleitoral e o Fachin tem aí na sua alçada o poder de cassar essa decisão do ministro Zanin, o que ele não fez. Deixou o barco correr também”, disse.

D’Angelo classificou o episódio como uma demonstração de falta de coordenação entre as instituições.

“Nós estamos numa situação de ausência de institucionalidade, deixando vácuos”, afirmou.

O analista também criticou o uso de decisões monocráticas em questões eleitorais e disse que o STF assumiu protagonismo excessivo durante a disputa presidencial.

“O Supremo Tribunal Federal sequestrou o processo eleitoral aqui no Brasil em 2026”, declarou.

REFORMA DO JUDICIÁRIO

D’Angelo avaliou que a controvérsia envolvendo a prorrogação da votação deverá colocar a reforma do Judiciário no centro das negociações políticas a partir de 2ª feira (26.out.2026).

Segundo ele, o tema poderá influenciar a composição do próximo governo, independentemente de quem vencer a eleição entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O jornalista citou a escolha dos futuros ministros da Justiça e da Defesa, além de eventuais indicações ao STF, como decisões que poderão ser influenciadas pela discussão.

“A partir de amanhã, o que se vai discutir é uma reforma do Poder Judiciário. Não dá para se viver com tamanha insegurança jurídica” , afirmou.

Apesar das críticas, D’Angelo disse considerar remota a possibilidade de contestação do resultado da eleição presidencial com base na decisão de Zanin.

Segundo ele, as informações disponíveis durante a apuração não indicavam problemas em escala suficiente para justificar uma contestação ampla do resultado.