# Em virada histórica, Lula derrota Flávio e chega ao quarto mandato como presidente do Brasil

- Seção: Política
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/25/em-virada-historica-lula-derrota-flavio-e-chega-ao-quarto-mandato-como-presidente-do-brasil.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-26T00:09:23.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1357154-em-virada-historica-lula-derrota-flavio-e-chega-ao-quarto-mandato-como

> Em uma eleição acirrada marcada por uma virada histórica, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) presidente da República e conquistou seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto.

Às vésperas de completar 81 anos, o que ocorrerá na próxima terça-feira (27), o petista se tornou, ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL), o primeiro presidente da história do Brasil a ser eleito quatro vezes pelo voto popular.

A quarta vitória ocorre mais de duas décadas depois de chegar ao poder pela primeira vez, em 2002.

A virada histórica se deu após uma forte mobilização da campanha do petista, nas ruas e nas redes sociais.

No quarto mandato, Lula terá grandes desafios, como lidar com uma forte oposição no Congresso Nacional e equilibrar as contas públicas após ampliar benefícios durante campanha eleitoral e prometer reforçar programas sociais.

Um dos fundadores do PT, Lula foi eleito presidente em 2002, reeleito em 2006 e voltou ao Planalto em 2023, após vencer Jair Bolsonaro, pai de Flávio, nas eleições de 2022.

Sua trajetória também foi marcada por três derrotas presidenciais, condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), 580 dias de prisão e o retorno à disputa eleitoral.

A nova vitória consolida Lula como o principal personagem da política brasileira no século 21. E garante ao petista mais quatro anos à frente do Palácio do Planalto.

Depois de ficar atrás de Flávio no primeiro turno, 47% a 45% dos votos válidos, o petista protagonizou uma virada histórica na segunda etapa da disputa eleitoral.

Quem é Luiz Inácio Lula da Silva?

PT lança candidatura do presidente Lula à reeleição

Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. É o sétimo dos oito filhos do casal de lavradores Aristides Inácio da Silva e Eurídice Ferreira de Mello, conhecida como a dona Lindu.

O pai deixou Pernambuco quando Lula ainda era bebê e se mudou para o litoral paulista em busca de trabalho. Em dezembro de 1952, aos sete anos, Lula viajou com a mãe e os irmãos para São Paulo, em um caminhão pau de arara.

A família se instalou inicialmente no Guarujá, onde reencontrou Aristides, que já havia formado outra família e a dona Lindu acabou se separando do marido.

Em 1956, mãe e filhos se mudaram para a capital paulista, onde passaram a morar em um pequeno cômodo nos fundos de um bar.

Lula foi vendedor ambulante, engraxate e office boy, até conseguir emprego na Fábrica de Parafusos Marte.

Réplica da casa em que Lula passou a infância em Caetés, no Agreste de Pernambuco

San Costa/TV Globo

Aos 14 anos, ingressou na indústria e aos 18 anos concluiu o curso de torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Antes disso, aos 17 anos, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.

A vida pessoal de Lula também foi marcada por perdas familiares. Em 1969, casou-se com a operária Maria de Lourdes da Silva, que morreu gravida em 1971.

Em 1974, Lula se casou com Marisa Letícia, com quem viveu por mais de quatro décadas.

Lula e a 2ª esposa, Marisa Letícia, com os filhos Fábio Luiz, Sandro Luiz e Luiz Cláudio.

Lula e dona Marisa tiveram três filhos, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio. Lula também é pai de Marcos Cláudio, filho de Marisa de um relacionamento anterior, que foi adotado pelo petista, e de Lurian, fruto de outro relacionamento com Miriam Cordeiro.

Marisa acompanhou a ascensão política de Lula, desde o movimento sindical até a Presidência da República. Ela morreu em fevereiro de 2017, aos 66 anos, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).

Em maio de 2022, Lula se casou pela terceira vez, com a socióloga Rosângela da Silva, conhecida como Janja. A cerimônia ocorreu em São Paulo, durante a campanha que levaria o petista de volta à Presidência da República.

Movimento sindical e PT

Luiz Inácio Lula da Silva fala durante uma assembléia com os metalúrgicos da Ford, em abril de 1984. Durante as décadas de 70 e 80, Lula dedicou-se intensamente à atividade sindical, como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Clovis Cranchi/Estadão Conteúdo/Arquivo

Lula trabalhou na Indústria Villares, metalúrgica em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. Ingressou no movimento sindical por influência do irmão José, chamado de Frei Chico.

Foi suplente, primeiro-secretário e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

Reeleito presidente do sindicato, Lula ganhou visibilidade nacional pela liderança nas greves de metalúrgicos que paralisaram o ABC durante a ditadura militar (1964-1985). O governo ditatorial reagiu, e o sindicalista ficou 31 dias na cadeia em 1980, com base na antiga Lei de Segurança Nacional.

Também em 1980, Lula foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), junto com políticos, sindicalistas, intelectuais, lideranças rurais e religiosas. Dona Marisa, sua esposa na época, costurou a primeira bandeira do partido.

O país entrava na reta final da ditadura, com a abertura política "lenta e gradual" definida pelos militares, e ganhou alternativa de partido à esquerda.

A atuação de Lula também foi importante na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983. No ano seguinte, ele participou da campanha das Diretas Já, movimento que levou multidões às ruas para exigir a volta das eleições diretas para presidente da República.

A passagem do sindicalismo para a política eleitoral começou em 1982, quando Lula concorreu, sem sucesso, ao governo de São Paulo e ficou em quarto lugar. Quatro anos depois, em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou a Constituição de 1988.

Lula e Fernando Collor no debate presidencial de 2° turno em 1989.

Em 1989, o petista estreou na corrida ao Planalto na primeira eleição direta para presidente desde 1960. Ele chegou ao segundo turno, porém foi derrotado por Fernando Collor de Mello, à época no PRN, que em 1992 renunciou e foi condenado em um processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção.

Lula voltou a concorrer ao Planalto em 1994 e 1998, porém nas duas ocasiões foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), candidato impulsionado pelo êxito do Plano Real no combate à inflação.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ergue os braços do presidente eleito e recém empossado Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, em janeiro de 2003

Ed Ferreira/Estadão Conteúdo/Arquivo

Em 2002, Lula foi eleito com 52,7 milhões de votos. Derrotou no segundo turno José Serra (PSDB), candidato governista. Em 1º de janeiro de 2003, tornou-se o primeiro operário a governar o Brasil.

Definiu como meta a redução da miséria e da desigualdade, aprimorou políticas sociais e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família e ProUni.

Em 2006, Lula recebeu 58,2 milhões de votos e venceu Geraldo Alckmin, que estava no PSDB, no segundo turno. Reeleito, lançou novos programas, com destaque para a política de habitação do Minha Casa, Minha Vida e para as obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Lula foi badalado no exterior, ao ponto de ser chamado de “o cara” pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Com aprovação recorde de 87%, o petista se despediu em 2010 tendo sido decisivo na vitória de Dilma Rousseff (PT), sua ex-ministra, na corrida presidencial.

Lula iniciou o terceiro mandato em 2023 depois de vencer Jair Bolsonaro no segundo turno com 60,3 milhões de votos.

O petista recriou ministérios extintos no governo anterior, como o da Cultura. Também ampliou a estrutura administrativa, que hoje tem 38 pastas, com a criação de novos ministérios, como os da Igualdade Racial e o dos Povos Indígenas.

Lula passou por algumas crises nos últimos quatro anos, como o escândalo de fraudes no INSS, com os descontos indevidos em aposentadorias e pensões no período de 2019 a 2024. O caso levou à troca do comando do instituto e o indiciamento de ex-dirigentes do órgão, além da substituição de Carlos Lupi no Ministério da Previdência Social.

Também viu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a Polícia Federal a realizar investigações sobre o suposto tráfico de influência de seu filho Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no Ministério da Saúde e na Dataprev.

E, em junho, teve de retirar Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar baiano ser alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes bilionárias praticadas pelo Banco Master.

Na área econômica e social, o governo conseguiu aprovar a reforma tributária no Congresso Nacional e ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda.

O Brasil voltou a sair do Mapa da Fome e houve a ampliação de programas voltados à moradia e à transferência de renda, além da implementação de medidas para ampliar o acesso à saúde e para estimular investimentos.

Lula também precisou lidar com os reflexos de crises internacionais, como conflitos no Oriente Médio e a política tarifária adotada pelos Estados Unidos.

A condução das negociações comerciais e diplomáticas, que incluiu a resposta do governo brasileiro ao tarifaço norte-americano e os embates públicos com Donald Trump, foi um dos principais desafios do mandato.

Também no campo econômico, o presidente foi criticado por sua estratégia econômica, marcada pelo aumento dos gastos públicos e pelos ataques ao Banco Central em razão da taxa básica de juros.

Lula também voltou atrás de duas decisões recentemente na reta final das eleições.

O presidente articulou com o Congresso a aprovação do fim da taxa das blusinhas. No início de setembro, Lula sancionou a nova lei, que acaba com a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

E, antes do primeiro turno, o petista anunciou a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação inclui também jogos online e cassinos virtuais no país, como por exemplo, o "Jogo do Tigrinho".

Na reta final do terceiro mandato, Lula articulou a aprovação de uma mudança histórica na legislação trabalhista: o fim da escala 6x1.

O presidente participou, no Congresso Nacional, da sessão de promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleceu uma jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso, uma das principais conquistas da agenda trabalhista de seu governo.

Na mesma sessão, também foi promulgada a PEC que estabelece aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

Na cerimônia de promulgação das duas PECs, Lula esteve ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta, aliado do governo, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Lula e Alcolumbre protagonizaram episódios de tensão ao longo do mandato, mas voltaram a estreitar a relação durante o período eleitoral.

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, Lula anunciou medidas de forte apelo popular, como o programa Prospera MEI, voltado aos microempreendedores individuais, e o reajuste do Bolsa Família.

As iniciativas foram adotadas em meio à disputa eleitoral e receberam críticas de adversários, que as classificaram como eleitoreiras.

A campanha no segundo turno também foi marcada por uma grande mobilização da equipe do presidente nas redes sociais, com o canal "Exército do Lula", coordenado pelo deputado André Janones (Rede-MG), que contou com mais de 10 milhões de inscritos.

Em 2005 estourou o escândalo do mensalão. O então deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, delatou em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" um esquema de compra de apoio político no Congresso por meio de mesadas pagas a parlamentares de partidos da base de Lula.

O escândalo resultou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios e derrubou o ministro da Casa Civil, José Dirceu. O PT argumentava que o esquema se tratava de caixa dois, dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral.

Ainda em 2005, Lula foi à televisão para um pronunciamento em cadeia nacional no qual se disse “traído”. Sem usar a palavra mensalão, admitiu que o partido e o governo tinham errado e deveriam pedir desculpas.

Como ex-presidente, Lula viveu altos e baixos. Superou um câncer na laringe e viu o Supremo Tribunal Federal (STF) condenar 28 dos 38 réus na ação penal do mensalão.

Em 2014, ele comemorou a reeleição de Dilma. No mesmo ano, começou a Operação Lava Jato, que descobriu esquema de desvio de recursos públicos nas gestões petistas por meio de contratos da Petrobras. O dinheiro irrigava doleiros, executivos, partidos e políticos.

A operação avançou sob a condução de Sergio Moro, juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba. A Lava Jato gerou delações premiadas, devolução de parte do dinheiro desviado, prisões de empreiteiros e políticos e influenciou no impeachment de Dilma, em 2016. A cassação marcou a saída do PT do Planalto após 13 anos no poder.

Em 2017, Lula foi condenado por Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex em Guarujá (SP). A condenação, a primeira de um ex-presidente por crime comum no Brasil, foi confirmada no ano seguinte no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a segunda instância de Justiça Federal. Para três desembargadores Lula recebeu propina da construtora OAS por meio do triplex e de reformas no imóvel.

O petista negava os crimes e se dizia vítima de perseguição. Travou uma batalha nos tribunais nos últimos anos. Como o STF tinha entendimento de que era possível cumprir a pena após condenação em segunda instância, Lula foi preso em 7 de abril de 2018. Ele foi levado para uma sala na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde ficou encarcerado por 580 dias.

No mesmo ano, teve a candidatura à Presidência barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa.

Em 2019, Lula deixou a prisão após o STF decidir que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado.

Dois anos depois, em 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo ao petista os direitos políticos e tornando-o elegível novamente.

Em 2011, Lula foi diagnosticado com câncer na laringe, e superou a doença após o segundo mandato na Presidência.

Ao longo do terceiro mandato, o petista também enfrentou desafios relacionados à saúde.

Em 2023, Lula foi submetido a uma cirurgia no quadril para tratar dores provocadas por artrose. Em 2024, sofreu uma queda no banheiro do Palácio da Alvorada, que o levou a cancelar compromissos internacionais.

Em 2025, apresentou um quadro de labirintite e, em 2026, passou pela retirada de uma lesão cancerígena no couro cabeludo, seguida de sessões de radioterapia.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/25/em-virada-historica-lula-derrota-flavio-e-chega-ao-quarto-mandato-como-presidente-do-brasil.ghtml

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