Flávio terminou o 1º turno na liderança , com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista. Ao ver a vantagem ser invertida no 2º turno, tornou-se o 1º candidato a liderar a votação inicial e perder a disputa presidencial.

Lula, por sua vez, fez história em duas eleições consecutivas. Em 2022, tornou-se o 1º candidato a derrotar um presidente que disputava a reeleição, Jair Bolsonaro (PL). Agora, voltou a vencer a disputa presidencial depois de terminar o 1º turno atrás do adversário.

A campanha foi marcada por ofensivas dos 2 lados. Flávio explorou as suspeitas envolvendo o governo petista, com destaque para os casos relacionados ao INSS e a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Lula e seus aliados, por sua vez, exploraram as suspeitas envolvendo as negociações de Flávio com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse” , sobre Bolsonaro. O senador negou irregularidades.

O FUTURO DA DIREITA

A derrota abre uma nova etapa para o bolsonarismo.

Depois de escolher o filho mais velho para disputar o Planalto, Bolsonaro terá de lidar com mais um revés eleitoral e com a impaciência de setores da direita em relação à família.

O resultado não significa necessariamente o enfraquecimento definitivo do grupo. Mas é notável que o bolsonarismo tenha perdido o 2º turno de 2026 por uma diferença de aproximadamente o dobro da registrada em 2022. Há 4 anos, no 2º turno, Jair Bolsonaro ficou 2,139 milhões de votos atrás de Lula. Agora, Flávio ficou cerca de 4,350 milhões de votos atrás do petista.

Resta ao bolsonarismo o tamanho das bancadas no Congresso e a presença de aliados em governos estaduais que dão à direita instrumentos para fazer uma oposição ainda mais sistemática ao governo Lula. Só que manter influência política e conquistar a Presidência são desafios diferentes.

A derrota também pode reabrir a disputa por espaço entre os principais nomes da direita. Muitos políticos desse espectro político são menos ideológicos do que se imagina. Alguns são propensos a aderir a qualquer governo, não importa se de direita ou de esquerda.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) e outros políticos de destaque poderão tentar ampliar sua influência nesse campo.

Flávio, por sua vez, ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027, quando termina seu período no Senado. A candidatura foi uma decisão de Bolsonaro para manter o poder político da família, mas o resultado levanta dúvidas sobre a capacidade de transferir esse capital eleitoral adiante e de repetir o resultado de 2018.

O desafio da direita será decidir se mantém a família Bolsonaro no centro de sua articulação nacional ou se busca outros nomes capazes de reunir diferentes correntes para disputar a Presidência em 2030.