O MSCI Brazil acumulou ganhos de cerca de 13% em dólares em outubro, superando com folga outros mercados globais, como o MSCI Emerging Markets, o S&P 500 e o Nasdaq. Embora os estrategistas mantenham uma visão construtiva para o mercado brasileiro no médio prazo, especialmente diante da expectativa de cortes de juros em 2027, eles avaliam que “a parte mais fácil da reprecificação já ficou para trás”.

O principal argumento é que as ações brasileiras deixaram de negociar com o desconto expressivo observado meses atrás. O MSCI Brazil é negociado atualmente a 9,3 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, apenas 7% abaixo de sua média histórica próxima de 10 vezes. Em junho, esse desconto era de cerca de 20%.

Para o BBI, isso significa que novos ganhos dependerão menos da expansão dos múltiplos e mais da entrega efetiva de resultados corporativos e de avanços na agenda econômica e fiscal.

Crescimento mais fraco em 2027

O banco também chama atenção para um ambiente macroeconômico menos favorável no próximo ano. As projeções dos economistas da instituição apontam para desaceleração do crescimento do PIB brasileiro para 1,0% em 2027, ante 1,7% em 2026.

Além disso, a expectativa é de aumento da taxa de desemprego, desaceleração do crédito e crescimento mais moderado das vendas no varejo. O consenso de mercado prevê expansão de apenas 2% nos lucros por ação das empresas brasileiras em 2027, bem abaixo do crescimento nominal da economia.

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Os estrategistas destacam ainda que o desafio fiscal permanece no radar, com a dívida bruta devendo avançar de 83,6% para 88,2% do PIB, o que mantém a atenção dos investidores voltada para a capacidade do novo governo de apresentar medidas de equilíbrio das contas públicas.

Rotação para nomes defensivos

Diante desse cenário, o Bradesco BBI promoveu uma importante reorganização de sua carteira para a América Latina. O banco reduziu exposição a ações que haviam se beneficiado diretamente do movimento de queda dos juros e da melhora do fluxo para a Bolsa.

Entre os papéis retirados da carteira estão Banco do Brasil ( BBAS3 ), Petrobras ( PETR4 ), B3 ( B3SA3 ), Equatorial ( EQTL3 ), Cogna ( COGN3 ), Cyrela ( CYRE3 ) e EcoRodovias ( ECOR3 ).

No lugar, os estrategistas passaram a privilegiar empresas exportadoras e negócios com receitas mais previsíveis. As inclusões foram Sabesp ( SBSP3 ), JBS (JBSS3), WEG ( WEGE3 ), Embraer ( EMBJ3 ), Suzano ( SUZB3 ), BB Seguridade ( BBSE3 ) e Cury ( CURY3 ).

Na visão do banco, exportadoras ganharam pouco durante o rali recente e agora oferecem uma combinação atrativa de receitas em dólar e proteção contra uma eventual desaceleração da economia doméstica. Já empresas reguladas, como a Sabesp, contam com fluxos de caixa mais previsíveis e frequentemente corrigidos pela inflação.

O BBI também destaca a BB Seguridade pelo dividend yield próximo de 10% e a Cury pela elevada rentabilidade, com retorno sobre patrimônio estimado em cerca de 70%.

O que pode fazer o banco voltar a recomendar Brasil

Apesar da realização parcial de lucros, os estrategistas ressaltam que a mudança não representa uma deterioração da visão estrutural sobre o país. Para o banco, o mercado brasileiro pode voltar a ser uma posição de destaque caso ocorra uma correção relevante dos preços das ações, um pacote fiscal considerado crível pelo mercado, um ciclo de flexibilização monetária mais intenso ou ainda o retorno dos investidores locais à Bolsa.

Segundo o relatório, os fluxos estrangeiros continuam fortes, mas os investidores domésticos seguem com uma das menores alocações em ações da história recente, o que pode representar uma fonte adicional de demanda caso a confiança no cenário econômico aumente nos próximos meses.

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