# 41 anos de democracia e nova chance para Lula

- Seção: Política
- Fonte: Poder360 (https://www.poder360.com.br/editorial-do-poder360/41-anos-de-democracia-e-nova-chance-para-lula/)
- Publicado em: 2026-10-26T05:26:24.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1362074-41-anos-de-democracia-e-nova-chance-para-lula

> O Brasil foi às urnas. Elegeu 1.035 deputados estaduais, 24 deputados distritais, 27 governadores, 54 senadores e 1 presidente da República. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para comandar o país pelos próximos 4 anos. Começa seu…

A atual fase democrática brasileira começou em 15 de março de 1985, há 41 anos, quando deveria ter tomado posse como presidente Tancredo Neves (1910-1985) –ele foi internado às pressas com uma diverticulite e, no seu lugar, assumiu José Sarney.

Não foi fácil chegar até aqui. Sarney, um civil, havia sido o presidente da Arena, partido que deu sustentação à ditadura militar (1964-1985). O Brasil já teve 10 eleições diretas para presidente. Enfrentou 2 impeachments. Muitos solavancos vieram, como o da decisão de ontem, domingo (25.out.2026), no final da tarde, assinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin. O magistrado determinou que o horário de votação fosse prorrogado em duas horas –isso pouco antes de 17h, quando as urnas já estavam sendo fechadas. Felizmente, nada de grave acabou acontecendo para mudar o resultado das urnas por conta dessa medida extemporânea.

O fato é que o ambiente institucional anda sendo tisnado por decisões intempestivas como essa do ministro Cristiano Zanin. A institucionalidade fica comprometida. Não é à toa que as taxas de aprovação do Supremo Tribunal Federal , do Congresso e do Executivo são baixas. As desavenças entre as instituições são combustível para o Brasil continuar dividido. Há muita beligerância no ar.

Num regime presidencialista, cabe ao ocupante do Palácio do Planalto comandar um processo de pacificação. O maior desafio de Lula será construir um ambiente mais harmônico entre os Três Poderes. Quando o petista foi eleito em 2022, o empresário Abílio Diniz (1936-2024) escreveu um artigo para este Poder360 e fez um apelo logo no momento seguinte à disputa: “Que o presidente eleito consiga pacificar e unir o nosso país, gerando crescimento, criando empregos, melhorando a distribuição de renda e diminuindo fortemente a desigualdade” .

Esse conselho de Abílio Diniz foi desprezado por Lula nos últimos 4 anos. Ao assumir seu 3º mandato, o petista afirmou que governaria com uma frente ampla de partidos e setores da sociedade. Não cumpriu o prometido e não pacificou o ambiente do poder. Ao contrário. A política hoje está mais belicosa e o grau de agressividade subiu de patamar. Caiu o nível de civilidade entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Nesse clima, perde a República, perdem os cidadãos, perde o país.

No seu discurso de vitória no domingo à noite, o presidente afirmou novamente que pretende governar para todos os brasileiros e que, terminada a eleição, não tem mais adversários. Só que no mesmo discurso afirmou que venceu um “representante genuíno do milicianismo” , uma pessoa que não tem “uma célula de humanismo” . Era uma referência derrogatória ao candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL). O que Lula ganhou fazendo essa referência? Nada. Ele dobrou a aposta e fez uma anedota, lembrando da má fase de seu time do coração: “O Corinthians está parecendo o Bolsonaro: só perde” .

Saber ganhar é mais difícil do que saber perder.

Em 1635, o pintor espanhol Diego Velásquez finalizou um quadro que produziu a pedido do rei Filipe 4º. A ideia era celebrar as vitórias do monarca. A pintura “A Renúncia de Breda” está no Museu do Prado , em Madri. É um retrato da vitória de Ambrósio Spínola, chefe das forças espanholas, sobre o governador de Breda, Justino de Nassau. Diz muito sobre como se comportar ao vencer uma batalha.

No 1º plano dessa obra-prima, Spínola demonstra respeito por Nassau, o derrotado. Dá a impressão de que está impedindo o holandês de se ajoelhar para entregar-lhe a chave de Breda. As lanças dos soldados vitoriosos estão na vertical. Não há ameaça aos derrotados, que tampouco se defendem com as suas.

Museu du Prado via Wikimedia Commons

Quadro &#8220;A Rendição de Breda&#8221; (1635), de Diego Velásquez: general Ambrósio Spínola trata com dignidade o derrotado, o governador Justino de Nassau: exemplo de como o vencedor pode ser magnânimo

É difícil saber se a cena pintada por Velásquez é verdadeira ou não. O que é possível afirmar é que nas disputas políticas brasileiras quase nunca os vencedores são magnânimos. Há sempre um pensamento de revanche e vingança no ar. Essa atitude deletéria retroalimenta o ambiente lúgubre dentro dos Poderes da República.

Os 41 anos da democracia brasileira dão a Lula uma nova chance para mudar tudo isso.

O 4º mandato faz do petista de quase 81 anos (que completa em 27 de outubro) o político mais vitorioso da democracia brasileira. Ele tem poder e capital político como nenhum outro neste momento. Nesta fase de sua vida pode realmente tentar harmonizar a política e colocar o Brasil numa rota de crescimento sustentável, responsabilidade fiscal, economia aberta, liberal e amigável para os negócios.

Lamentavelmente, durante a campanha e no seu discurso na noite do domingo, o petista deu poucas dicas sobre como pretende desarmar a bomba-relógio que armou para si próprio com aumento exacerbado dos gastos públicos.

Talvez o discurso de ontem de Lula tenha sido só um ato final de campanha, com o presidente ainda inebriado pelo impacto da vitória. Ele tem 4 anos para mostrar que deseja de fato e vai governar para todos os brasileiros, sem estimular o “nós contra eles” e trazer um pouco de paz para a política, com uma economia em crescimento e controle das contas públicas.

Reportagem completa: https://www.poder360.com.br/editorial-do-poder360/41-anos-de-democracia-e-nova-chance-para-lula/

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