O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em inglês no qual afirma, sem apresentar provas, que houve fraude na eleição presidencial vencida por Lula (PT) e pede pressão internacional para que o resultado não seja reconhecido.

Na gravação, Eduardo repete argumentos apresentados por seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), após a derrota: questiona a virada de Lula entre o primeiro e o segundo turnos e a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o horário de votação.

Eduardo também usa pesquisas eleitorais e a soma dos votos recebidos por candidatos derrotados no primeiro turno para colocar sob suspeita o crescimento de Lula na etapa final da eleição. Ele afirma que seria “estatisticamente impossível” o petista ter aumentado sua votação na proporção registrada, mas não apresenta provas de fraude.

“Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora”, diz Eduardo no vídeo.

Na sequência, ele pede o cancelamento da eleição e uma mobilização fora do país.

“Como Flávio disse, precisamos cancelar esta eleição. Ela foi claramente fraudulenta. Mas precisamos de pressão internacional. Precisamos que vocês compartilhem este vídeo”, afirma.

Flávio diz que tentará anular eleição

Flávio diz que é inexplicável prorrogação da votação e vai pedir anulação das eleições

A publicação ocorre após Flávio Bolsonaro afirmar que não reconhece sua derrota para Lula e anunciar que tentará anular a eleição.

Lula foi reeleito presidente neste domingo (25), após uma virada inédita na disputa. Quando o resultado foi confirmado pelo sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 21h08, com 97% das urnas apuradas, o petista tinha 51,74% dos votos, contra 48,26% de Flávio.

No primeiro turno, o cenário havia sido inverso: Flávio ficou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Após a confirmação da derrota, Flávio chamou o resultado de “sacanagem”, disse ser “impossível” reconhecê-lo e afirmou que acionaria sua equipe jurídica para pedir a anulação da eleição.

Uma das principais críticas do senador foi direcionada à decisão de Zanin de prorrogar em duas horas o encerramento da votação.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi inclusive inaceitável”, afirmou Flávio. Segundo ele, Zanin teria mudado “a regra do jogo no meio do jogo”.

Flávio Bolsonaro após pronunciamento em que não reconhece derrota para Lula

A própria campanha de Flávio, no entanto, havia pedido ao TSE, na tarde de domingo, a extensão do horário de votação em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Flávio também afirmou que fiscais do PL haviam sido retirados da sala-cofre do TSE durante a apuração. O tribunal negou a afirmação e disse que o local não é aberto à visitação e que fiscais da sigla acompanharam a totalização e divulgação dos resultados em uma área destinada à fiscalização.

TSE e PGR defendem processo eleitoral

Após o resultado, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também reconheceu o processo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, afirmou que o Ministério Público atuou para fiscalizar a eleição, combater irregularidades e garantir o respeito à vontade dos eleitores.

“A democracia se fortalece quando as regras são cumpridas e cada pessoa pode exercer seu direito de escolha de forma livre. O respeito à vontade manifestada nas urnas fortalece as instituições democráticas e garante legitimidade à representação política”, afirmou Gonet.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também afirmou após o resultado que “não há o que se contestar” e que a vitória “foi da democracia”.

Kassio Nunes: 'Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral'

Eduardo já havia questionado urnas antes do 2º turno

Dois dias antes da votação, Eduardo já havia colocado em dúvida o sistema eleitoral brasileiro durante participação no podcast americano “Louder with Crowder”, apresentado pelo comentarista político Steven Crowder.

Na ocasião, afirmou que era possível fraudar as urnas, sem apresentar provas, e defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado.

“O problema é que nós não usamos papel, não há contagem pública dos votos, e você precisa confiar na máquina. Nós usamos máquinas e é isso. Esse é o problema”, afirmou naquela entrevista.

A urna eletrônica é utilizada no Brasil desde 1996, e o TSE afirma que nunca houve fraude comprovada no sistema. Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim com o total de votos da respectiva seção. Os boletins também são disponibilizados na internet e podem ser comparados com o resultado oficial.

Eduardo Bolsonaro no programa de Steven Crowder.

Condenado pelo STF

Eduardo vive nos Estados Unidos desde 2025. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda do mandato dele por excesso de faltas às sessões.

Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a denúncia da PGR aceita pelo Supremo, Eduardo atuou junto ao governo americano para promover medidas contra o Brasil com o objetivo de interferir no julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.

A pena é de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. A condenação se tornou definitiva em 3 de outubro. Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena, a expedição de mandado de prisão e o cancelamento dos passaportes brasileiros de Eduardo.