A reação amplia a expectativa de um gap de baixa na Bolsa brasileira, movimento caracterizado pela abertura dos preços abaixo dos fechamentos anteriores. A intensidade das perdas, contudo, dependerá das ordens de compra e venda e das condições de liquidez no início do pregão.

O cenário representa uma mudança importante nas expectativas dos investidores, que vinham precificando a possibilidade de alternância de poder. Com a reeleição de Lula, as atenções se voltam novamente à trajetória da política fiscal, à dívida pública, aos juros e às perspectivas para a economia brasileira.

O contraste com o primeiro turno é significativo. Em 5 de outubro , o Ibovespa disparou 7,70% , encerrando aos 206.911 pontos , na maior valorização diária desde março de 2020. Posteriormente, o índice renovou sua máxima histórica intradiária em 209.713 pontos , antes de iniciar um movimento de consolidação.

Entre os fechamentos de 2 e 23 de outubro , o Ibovespa acumulou valorização de 6,9% , passando de 192.144 para 205.082 pontos . No mesmo intervalo, o dólar recuou 4,4% , de aproximadamente R$ 5,21 para R$ 4,98 .

Agora, parte dessa valorização pode ficar ameaçada diante da forte reação negativa observada no exterior. O movimento coloca em destaque as ações de Petrobras ( PETR4 ), Itaú Unibanco ( ITUB4 ), Banco do Brasil ( BBAS3 ) e Vale ( VALE3 ), especialmente pelos riscos de rompimento de regiões importantes de suporte.

Queda do EWZ eleva risco de circuit breaker na B3

A intensidade da desvalorização dos ativos brasileiros no exterior coloca no radar a possibilidade de acionamento do circuit breaker , mecanismo utilizado pela B3 para interromper temporariamente as negociações em momentos de quedas extremas.

Pelas regras da B3, a primeira paralisação ocorre quando o Ibovespa registra queda de 10% em relação ao fechamento anterior, suspendendo as negociações por 30 minutos . Caso a desvalorização alcance 15% , após a retomada, ocorre uma nova interrupção de uma hora . Já uma queda de 20% permite à bolsa determinar um novo período de suspensão.

Com os gráficos de sexta-feira (23) como referência, a análise técnica das quatro companhias mostra quais suportes poderão ser testados caso a pressão vendedora se confirme na abertura.

Petrobras ( PETR4 ): rali histórico pode dar lugar à forte correção

As ações da Petrobras ( PETR4 ) chegam ao pregão pós-eleição após uma sequência de valorizações, mas sob risco de correção diante da forte queda dos ADRs no exterior. Na sexta-feira (23), o papel avançou 1,47% , encerrando aos R$ 58,68 , após renovar sua máxima histórica intradiária em R$ 59,79 .

Em 2026, a ação chegou a corrigir até a região de R$ 36,37 , antes de iniciar uma recuperação consistente. O movimento ganhou força no primeiro pregão após o primeiro turno, em 5 de outubro , quando o papel disparou 8,19% . Desde então, manteve a trajetória positiva, beneficiada também pelo avanço do petróleo no mercado internacional.

No gráfico diário, observo que PETR4 negocia acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos , todas inclinadas para cima, preservando a tendência de alta no curto e médio prazo. Entretanto, o IFR (14) está em 70,09 pontos , na região de sobrecompra, indicando um movimento esticado e maior vulnerabilidade a realizações diante do novo cenário político.

Para o movimento corretivo, considero fundamental acompanhar inicialmente a região de R$ 56,90 . A perda desse suporte poderá ampliar a pressão vendedora, levando o ativo a testar R$ 53,00 e R$ 51,35 . Abaixo dessas regiões, os próximos suportes aparecem em R$ 47,56 , R$ 43,55 e, em um movimento mais prolongado, R$ 39,70 .

Por outro lado, caso a pressão inicial seja absorvida e o fluxo comprador retorne, a principal resistência permanece na máxima histórica de R$ 59,79 . Acima desse patamar, os objetivos aparecem em R$ 63,20 , R$ 64,70 e R$ 70,00 , com projeções mais longas em R$ 74,15 , R$ 77,00 e R$ 81,75 .

Petrobras (PETR4): gráfico diário mostra tendência de alta e máxima histórica em R$ 59,79, enquanto o IFR em sobrecompra aumenta a atenção para o risco de correção. Fonte: Nelogica.

Itaú Unibanco ( ITUB4 ): queda dos ADRs ameaça suportes importantes

As ações do Itaú Unibanco ( ITUB4 ) chegam ao primeiro pregão após o segundo turno sob expectativa de forte pressão vendedora, acompanhando a reação negativa dos ADRs negociados nos Estados Unidos. Na sexta-feira (23), o papel avançou 0,62% , encerrando aos R$ 48,30 , acumulando valorização de 25,39% em 2026 .

Após atingir a antiga máxima histórica de R$ 48,81 , em fevereiro, o ativo iniciou um movimento de baixa que levou à mínima anual de R$ 37,32 , em agosto. A recuperação ganhou força antes do primeiro turno, com destaque para a valorização de 10,37% em 5 de outubro. Na sequência, o papel renovou sua máxima histórica em R$ 50,85 , antes de iniciar um movimento corretivo.

No gráfico diário, observo que o Itaú negocia entre as médias móveis de 9 e 21 períodos, permanecendo acima da média de 200 períodos. A estrutura principal ainda é positiva, mas o canal corretivo recente mostra uma acomodação dos preços. O IFR (14) está em 60,09 pontos , indicando perda de força em relação ao movimento de valorização anterior, embora ainda não confirme uma reversão.

Diante do cenário negativo no exterior, considero fundamental acompanhar a faixa entre R$ 47,50 e R$ 47,00 , próxima da média de 21 períodos. A perda dessa região poderá intensificar a correção, com suportes em R$ 45,25 , R$ 43,13 e R$ 41,50 . Abaixo desses patamares, os próximos objetivos aparecem em R$ 39,77 e na mínima anual de R$ 37,32 .

Para uma eventual retomada das altas, o papel precisará superar o canal corretivo e, posteriormente, a máxima histórica de R$ 50,85 . Acima dessa região, as projeções aparecem em R$ 52,25 , R$ 55,35 e R$ 58,00 , com objetivos mais longos em R$ 60,50 e R$ 62,70 .

Na minha leitura, a perda da região de R$ 47,00 poderá ampliar o movimento corretivo do Itaú , especialmente se a forte pressão observada nos ADRs persistir durante o pregão brasileiro. Apesar da tendência principal ainda positiva no fechamento de sexta-feira, a preservação dos suportes será determinante para evitar uma deterioração mais ampla.

Itaú Unibanco (ITUB4): gráfico diário destaca máxima histórica em R$ 50,85, canal corretivo de curto prazo e região de suporte entre R$ 47,50 e R$ 47,00. Fonte: Nelogica.

Banco do Brasil ( BBAS3 ): ação pode devolver ganhos do rali eleitoral

As ações do Banco do Brasil ( BBAS3 ) também entram no radar diante da expectativa de forte volatilidade após a reeleição de Lula. Na sexta-feira (23), o papel avançou 3,34% , encerrando aos R$ 24,72 , enquanto acumula valorização de 15,15% em 2026 .

Após atingir R$ 27,43 , em fevereiro, o ativo recuou até a mínima anual de R$ 17,69 , em agosto. A partir desse fundo, iniciou uma recuperação que ganhou força antes do primeiro turno. No pregão de 5 de outubro , a ação disparou 11% , acompanhando o forte movimento positivo da Bolsa após a primeira votação.

Desde então, o papel entrou em uma fase de acomodação, voltando a negociar dentro de uma faixa mais lateralizada, semelhante à observada em setembro.

No gráfico diário, observo que BBAS3 permanece acima das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos , preservando a tendência de alta. O IFR (14) está em 61,12 pontos , indicando predomínio comprador no fechamento anterior, embora a pressão esperada para a abertura possa modificar essa configuração.

Para o movimento corretivo, considero fundamental acompanhar inicialmente a região de R$ 23,29 . A perda desse suporte poderá levar o ativo a testar R$ 22,04 , próximo da média de 200 períodos, seguida por R$ 21,18 . Caso a pressão vendedora ganhe intensidade, os próximos suportes aparecem em R$ 18,89 , R$ 17,69 e R$ 17,00 .

Na direção contrária, uma eventual retomada compradora precisará superar a região de R$ 24,97 . Acima desse patamar, as resistências aparecem em R$ 26,33 e R$ 27,43 , antes da máxima histórica de R$ 28,83 . A superação dessa última faixa poderá abrir espaço para testes na região psicológica de R$ 30,00 .

Banco do Brasil (BBAS3): gráfico diário mostra recuperação após a mínima anual, consolidação recente e suportes que podem ganhar importância diante da pressão pós-eleitoral. Fonte: Nelogica.

Vale ( VALE3 ): tendência de baixa aumenta atenção para novos suportes

As ações da Vale ( VALE3 ) chegam ao pregão pós-eleição em situação técnica diferente das demais companhias analisadas. O papel já vinha apresentando forte tendência de baixa, pressionado pelo cenário das commodities e pelo movimento de valorização do real observado entre os dois turnos. Na sexta-feira (23), avançou 0,67% , encerrando aos R$ 61,90 , mas ainda acumula desvalorização de 11,85% em 2026 .

Após registrar sua máxima histórica em R$ 89,41 , em fevereiro, a ação iniciou uma trajetória descendente dentro de um canal de baixa. Nas últimas semanas, o fluxo vendedor ganhou intensidade, provocando a perda de suportes importantes, incluindo a região de R$ 70,00 , e levando a cotação para próximo dos R$ 60,00 .

No gráfico diário, observo que VALE3 negocia abaixo das médias móveis de 9, 21 e 200 períodos , reforçando o predomínio vendedor. Entretanto, o forte afastamento dessas médias, associado ao IFR (14) em 21,65 pontos , na região de sobrevenda, aumenta a possibilidade de um repique técnico.

Apesar disso, considero importante destacar que ainda não há sinal gráfico consistente de reversão . O movimento esticado pode favorecer uma recuperação pontual, mas não permite afirmar que a ação encontrou um fundo. A tendência principal permanece negativa.

Para a continuidade das quedas, a perda de R$ 61,40 poderá abrir espaço para testes em R$ 59,67 e R$ 56,80 . Abaixo dessas regiões, os próximos suportes aparecem em R$ 52,60 , R$ 47,33 e, em um cenário mais prolongado, R$ 44,00 .

Na direção contrária, uma tentativa de recuperação precisará superar inicialmente a região de R$ 64,00 , próxima da média móvel de 9 períodos, seguida pela faixa de R$ 68,00 , próxima da média de 21 períodos. Acima desses níveis, as resistências aparecem em R$ 74,27 , R$ 77,56 , R$ 81,31 e R$ 83,35 , com projeções mais longas em R$ 87,58 e na máxima histórica de R$ 89,41 .

Na minha avaliação, a Vale permanece tecnicamente pressionada, embora sua exposição ao dólar possa funcionar como fator de compensação parcial caso a moeda americana avance frente ao real. O IFR em sobrevenda abre espaço para um repique, mas a perda de R$ 61,40 poderá ampliar a tendência de baixa , exigindo cautela diante da volatilidade esperada após as eleições.

Vale (VALE3): gráfico diário mostra aceleração da tendência de baixa, perda de suportes importantes e IFR em sobrevenda, sem confirmação de reversão. Fonte: Nelogica.

( Rodrigo Paz é analista técnico )

Guias de análise técnica:

O que é uma linha de tendência na análise gráfica?

O que são médias móveis e como usá-la para estratégia de Trade

Bandas de Bollinger: como usar e interpretar?

Confira mais conteúdos sobre análise técnica no IM Trader . Diariamente, o InfoMoney publica o que esperar dos minicontratos de dólar e índice .

The post Após eleição de Lula, até onde podem cair as ações de PETR4, ITUB4, BBAS3 e VALE3? appeared first on InfoMoney .