Depois de uma virada histórica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisa cumprir, desta vez, sua promessa e governar não só com o PT, mas também com partidos da Frente Ampla.
Aliados de Lula reconhecem que ele errou ao não compartilhar suas principais decisões com os partidos de Centro que ajudaram na sua eleição para o terceiro mandato. Agora, no quarto, mais do que nunca precisará destas legendas para enfrentar um Congresso com uma direita fortalecida.
No discurso da vitória, Lula já fez os primeiros acenos. Disse que vai governar para todos e irá chamar os empresários, mulheres e jovens para decidir os rumos do seu quarto e último mandato à frente da Presidência da República.
Ele fez promessa semelhante ao vencer o ex-presidente Bolsonaro, disse que iria pacificar o país, mas apostou a maior parte de seu terceiro mandato na polarização.
Davi Alcolumbre parabeniza Lula pela reeleição
O resultado foi uma eleição acirrada, complicada e que, até certo momento do domingo (25), com um temor real de derrota no ar no comando da campanha de Lula.
O clima começou a mudar por volta do meio-dia, quando algumas projeções do próprio mercado, que chegaram às mãos de interlocutores do presidente, já mostravam que ele iria fazer uma virada histórica e vencer a eleição.
Até então, desde a redemocratização, ninguém havia conseguido virar entre o primeiro e o segundo turno.
Lula terá de ganhar o apoio em partidos como PSD, MDB, Republicanos, União Brasil e Progressista. Não só isso. Terá de compartilhar com alguns deles suas decisões no Palácio do Planalto.
Afinal, sua vida no quarto mandato não será nada fácil. A começar pela economia. Um ajuste fiscal será necessário para garantir crescimento, inflação e desemprego baixos, além do cumprimento de promessas na área social feitas durante a eleição.
O presidente reeleito deixou claro que pretende manter vivo o apoio da população a seu quarto mandato. Uma forma de pressionar o Legislativo a aprovar suas medidas. Mas ele terá de compor num Congresso mais adverso neste seu último mandato à frente da Presidência da República.
A direita se fortaleceu, mas sozinha não tem maioria nem no Senado nem na Câmara dos Deputados.
Plenário do Senado Federal durante sessão solene. Na mesa: presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP); presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Saulo Cruz/Agência Senado
Nestas duas casas, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) terão, agora, mais chances de serem reeleitos. Principalmente o deputado do Republicanos, que se manteve fiel a Lula em toda a eleição.
Alcolumbre entrou de corpo e alma no barco de Lula no segundo turno e também se fortaleceu, num Senado que, se Flávio Bolsonaro tivesse vencido, não teria nenhuma chance de permanecer à frente do cargo.
Mas como dizia ontem à noite um amigo de Lula, o momento agora é de celebrar a vitória histórica.
Lula terá de contemplar no seu mandato não só integrantes da Frente Ampla, mas também a ala do PT que sai vitoriosa nesta eleição.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador Camila Santana (CE). Outro nome da esquerda, não do PT, que fez diferença neste segundo turno foi o deputado André Janones.
A cúpula do PT que não gostava nem um pouco dele terá de conviver com a realidade de que o deputado da Rede foi fundamental para a virada de Lula.

