O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar.

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A expectativa é de forte alta do dólar e queda substancial da bolsa nesta segunda-feira. Já os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos.

Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,40% perto das 7h40, cotado a US$ 115,09. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha perdas de 1,95%, a US$ 101,26 o barril.

Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.

Acumulado da semana: -1,57%;

Acumulado do mês: -3,50%;

Acumulado do ano: -9,03%.

Acumulado da semana: -0,17%

Acumulado do mês: +10,06%;

Acumulado do ano: +27,28%.

Vitória de Lula muda projeções do mercado

A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).

Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.

Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.

Segundo analistas afirmaram à Reuters, a expectativa é que a B3 ative os mecanismos de interrupção de negociações logo cedo.

“Nenhuma pesquisa estava dando vitória de Lula, e quando olhamos a metade da tarde do pregão de sexta-feira, parece que o mercado realmente se posicionou para a vitória de Flávio”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research.

“Vimos na sexta-feira um estirão do dólar para baixo e a bolsa para cima. Nesta segunda-feira, dado que houve essa alavancagem, é possível que haja circuit breaker na bolsa e parada de negócios no dólar”, acrescentou.

Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Uma terceira paralisação ocorre no caso de queda de 20%.

“A gente viu um movimento na sexta-feira, com o mercado apostando em uma vitória do Flávio, mas como isso não aconteceu, a tendência é de que se faça compras de defesa no câmbio”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Ações brasileiras caem no exterior

A vitória de Lula também já se reflete nas ações brasileiras negociadas no exterior. O EWZ, principal fundo que acompanha os papéis brasileiros, negociado em Nova York, caía 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26).

Na véspera, o fundo de índice já havia recuado mais de 19%.

Risco de disputa na Justiça

Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.

Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.

“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.

Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado?

A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como "circuit breaker", foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais.

Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão:

1997 - Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.

1999 - Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.

2008 - Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.

2020 - Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira.

Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram:

24/04/2020: -5,45% após saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça;

28/10/2020: -4,25%, com aumento dos casos de Covid-19 e proximidade das eleições nos EUA;

22/02/2021: -4,87% após intervenção do governo de Jair Bolsonaro na Petrobras;

05/12/2025: -4,31% após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.

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Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026.

Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta segunda-feira, conforme investidores adotavam uma postura mais cautelosa diante de uma semana movimentada, marcada por importantes reuniões de bancos centrais.

O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,19%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,80% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,46%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve ganhos de 0,51%.

* Com informações da agência de notícias Reuters.

Jornal Nacional/ Reprodução