A iniciativa aposta na publicação de conteúdos na internet e no monitoramento das respostas das IAs, que vêm sendo consultadas por eleitores para obter informações sobre candidatos e propostas.
A estratégia conhecida como GEO tenta influenciar as informações sobre políticos usadas por sistemas de inteligência artificial. – Imagem: Mijansk786/Shutterstock
Da busca tradicional às recomendações de IA
Uma apresentação preparada para Mike Minogue, candidato republicano ao governo de Massachusetts contra a governadora Maura Healey, detalha como ampliar a presença do político nas respostas dos assistentes virtuais.
O plano, elaborado pela consultoria Visigent, recorre à GEO, sigla em inglês para otimização para mecanismos generativos. A proposta é influenciar as informações que os sistemas encontram ao responder a perguntas políticas.
O documento recomenda criar centenas de páginas sobre as propostas de Minogue, publicar referências em sites frequentemente citados pelas IAs e produzir conteúdo para YouTube e Reddit. A estratégia também prevê acompanhar as respostas dos chatbots e ajustar os materiais publicados na internet .
“Se você não divulgar as informações certas, quem sabe o que os mecanismos de IA vão encontrar?”, afirmou Thomas Howell, CEO da Visigent, à Reuters .
A campanha de Minogue não respondeu aos pedidos de comentário da agência.
Eleitores recorrem aos chatbots
O interesse das campanhas acompanha a mudança nos hábitos de consulta dos eleitores. Segundo Cameron Hickey, CEO da National Conference on Citizenship, cerca de 25% dos eleitores elegíveis já perguntaram a um chatbot sobre algum candidato ao decidir em quem votar.
Meg Schwenzfeier, da Caucus AI, que monitora o uso dessas ferramentas por eleitores, alerta para outro aspecto dessa mudança: os sistemas podem apresentar informações não verificadas com bastante segurança.
“Os chatbots falam com muita autoridade e podem consumir grandes quantidades de informações não verificadas, por isso precisamos nos proteger contra a desinformação”, afirmou à Reuters .
A preocupação não se limita ao conteúdo publicado pelas próprias campanhas. Informações encontradas em diferentes fontes também podem influenciar a maneira como os candidatos são apresentados, o que torna a confiabilidade dessas referências uma questão importante.
Jordan Haines, diretor de tecnologia da organização Run for Something, oferece uma avaliação menos alarmista. Ele afirmou à Reuters que, até o momento, os modelos têm conseguido distinguir informações confiáveis de conteúdos de procedência duvidosa. Segundo Haines, a organização chegou a observar informações publicadas no Reddit aparecerem nas respostas das IAs no dia seguinte.
Campanhas políticas migraram o foco do SEO tradicional para o treinamento direto de robôs de IA como ChatGPT, Claude e Gemini. – Imagem: Mehaniq/Shutterstock
Quanto custa influenciar as respostas?
Os preços variam conforme o serviço contratado e o tamanho da campanha. A reportagem da Reuters apresenta opções que vão de ferramentas de monitoramento a consultorias com publicidade paga.
Monitoramento básico: software da Visigent a partir de US$ 134 mensais (cerca de R$ 668,66).
Campanhas menores: a CampSight cobra entre US$ 9 e US$ 250 por mês (aproximadamente R$ 44,91 a R$ 1.247,50).
Consultoria política: os contratos da Visigent começam em US$ 5 mil mensais (cerca de R$ 24.950).
Estratégias com publicidade e influenciadores: os custos podem chegar a US$ 50 mil por mês (aproximadamente R$ 249.500), com remuneração de até US$ 200 mil (cerca de R$ 998 mil) por uma vitória em determinada categoria.
Joe Bonilla, sócio-diretor da consultoria Relentless Awareness, acredita que a prática ganhará escala até a próxima eleição presidencial americana. “As campanhas que usam treinamento para influenciar a IA são uma realidade que enfrentamos e isso será onipresente no ciclo eleitoral de 2028”, afirmou.
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