Os estrategistas destacam que a principal preocupação passa a ser a trajetória das contas públicas. Na visão da instituição, os compromissos assumidos durante o ciclo eleitoral, a rigidez do orçamento e a desaceleração da atividade econômica ampliam os riscos para o resultado fiscal de 2027 e podem levar a uma deterioração mais pronunciada da dívida pública.

O banco ressalta que a escolha do próximo ministro da Fazenda e os sinais sobre um eventual ajuste fiscal serão cruciais para determinar o comportamento dos mercados nas próximas semanas. O cenário político também é visto como desafiador, uma vez que o novo Congresso terá perfil mais inclinado ao centro e à centro-direita, o que pode dificultar a aprovação de medidas estruturais.

Dólar pode testar R$ 5,60

No mercado de câmbio, o Morgan Stanley prevê uma desvalorização gradual do real. Em um primeiro momento, o banco espera que o dólar teste a faixa de R$ 5,50, podendo avançar para R$ 5,60 ou R$ 5,70 à medida que investidores incorporem um prêmio de risco fiscal mais elevado.

Em um cenário mais adverso, no qual o mercado passe a enxergar risco de dominância fiscal, o câmbio poderia alcançar R$ 6,00. Os analistas observam ainda que fatores sazonais tradicionalmente negativos para a moeda brasileira nos meses de novembro e dezembro podem intensificar os movimentos de depreciação.

Ibovespa Ao Vivo: Ibovespa futuro cai 19% e dólar sobe 12% após reeleição de Lula

Mercado vive expectativa por circuit breaker após resultado eleitoral

No mercado de juros, a instituição estima uma abertura de pelo menos 300 pontos-base na curva, com parte relevante do movimento refletindo a redução das apostas de cortes da Selic e a incorporação de um prêmio adicional ligado à situação fiscal.

Bolsa pode cair entre 20% e 30%

Para a renda variável, a visão também é cautelosa, com o banco apontando que o cenário eleitoral aumenta a probabilidade de um ambiente mais desafiador para as ações brasileiras, marcado por câmbio mais fraco, juros elevados e crescimento econômico mais lento.

Segundo o relatório, o Ibovespa poderia recuar para cerca de 130 mil pontos até meados de 2027 em um cenário de deterioração fiscal contínua. O movimento implicaria uma compressão relevante dos múltiplos de negociação da bolsa, com potencial de queda entre 20% e 30% frente aos níveis recentes.

Apesar disso, a instituição avalia que os lucros agregados das empresas devem permanecer relativamente resilientes graças ao peso de exportadoras e bancos no índice. Ainda assim, a expectativa é de uma redução significativa na exposição dos investidores a ativos brasileiros, sobretudo em empresas domésticas mais dependentes do ciclo econômico local.

Crédito também deve sentir o impacto

O cenário negativo se estende ao mercado de crédito soberano, com o Morgan Stanley projetando uma abertura de cerca de 50 pontos-base nos spreads dos títulos brasileiros denominados em dólar e de aproximadamente 40 pontos-base nos contratos de CDS de cinco anos logo nas primeiras sessões após a eleição.

Para os estrategistas, embora parte do movimento possa ser revertida posteriormente, a combinação de incertezas fiscais, juros potencialmente mais altos e menor apetite global por risco tende a manter a pressão sobre os ativos brasileiros no curto prazo.

Na avaliação do banco, o desempenho dos mercados daqui para frente dependerá principalmente da capacidade do governo reeleito de apresentar um plano fiscal considerado crível pelos investidores e de avançar em reformas que contribuam para estabilizar a trajetória da dívida pública.

The post Morgan Stanley vê dólar até R$ 5,60 e queda de 30% da Bolsa após reeleição de Lula appeared first on InfoMoney .