# Loja de materiais de construção fecha após 80 anos mesmo com clientes e pedidos; dono revela que faltam profissionais para manter o negócio aberto

- Seção: Itatiba e Região
- Fonte: Tribuna de Jundiaí (https://tribunadejundiai.com.br/economia/loja-de-materiais-de-construcao-fecha-apos-80-anos-mesmo-com-clientes-e-pedidos-dono-revela-que-faltam-profissionais-para-manter-o-negocio-aberto/)
- Publicado em: 2026-10-26T15:13:43.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1369502-loja-de-materiais-de-construcao-fecha-apos-80-anos-mesmo-com-clientes-e-pedidos

> A foto mostra a frente de uma loja de materiais de construção com portas fechadas e aspecto de encerramento, sem revelar o nome da empresa nem o motivo do fechamento, apenas o vazio do ponto comercial. Imagem criada por Inteligência Artificial

A Klok Bouwmaterialen, loja familiar de materiais de construção em Assen, capital da província de Drenthe no nordeste dos Países Baixos e cidade média a cerca de 30 km de Groningen conhecida por comércio e serviços regionais, encerra as atividades depois de 80 anos.

O coproprietário Jan Paul Klok declarou que a empresa enfrentava dificuldades crescentes para se manter viável mesmo com demanda por produtos e serviços, e que a escassez de mão de obra qualificada se tornou o fator decisivo. A frase que resume o diagnóstico dele é direta: trabalho não falta, mas não temos as pessoas.

O fechamento encerra um ciclo típico de varejo especializado de porte regional que abastecia obras locais e da região de Drenthe com tijolos, madeira, ferragens, isolantes e demais insumos da construção civil. O Dagblad van het Noorden registrou o anúncio e a fala do coproprietário sobre a dificuldade de manutenção do negócio e a falta de profissionais técnicos formados nos ofícios da construção.

A empresa operava há oito décadas como negócio familiar e, segundo o próprio Jan Paul Klok, a combinação de pressão operacional e ausência de gente preparada para repor aposentadorias e preencher postos técnicos tornou a continuidade inviável. Não se trata de falta de encomendas. Trata-se de não conseguir reunir a equipe necessária para atender o que ainda chega à porta.

Esse descompasso entre demanda existente e capacidade de execução é o que empurrou a decisão de fechar as portas.

A declaração do coproprietário e o peso da falta de profissionais formados

Jan Paul Klok descreveu um cenário em que o trabalho continua a aparecer, porém a empresa já não consegue reunir as pessoas certas para executá-lo. A escassez de mão de obra qualificada, conhecida no mercado holandês como falta de vakmensen, profissionais técnicos de ofício, prejudicou de forma direta a operação.

Em uma loja de materiais de construção, isso significa dificuldade para carregar, orientar, cortar, entregar e manter o ritmo de atendimento a pedreiros, empreiteiros e particulares que dependem de reposição rápida de insumos. Quando a equipe encolhe e não há reposição, o estoque deixa de girar no tempo certo e o atendimento se deteriora, mesmo que o cliente continue batendo à porta.

A empresa familiar de Assen ilustra um padrão que se repete em cidades médias holandesas: negócios longos, com nome conhecido na região, encontram ao mesmo tempo o problema da sucessão e o da contratação.

Os filhos ou parentes próximos muitas vezes não querem ou não podem assumir a rotina pesada do varejo de construção, e o mercado de trabalho local não entrega em volume suficiente os técnicos formados que a operação exige. O resultado é o encerramento de um ciclo de 80 anos sem que a demanda tenha desaparecido. O que desapareceu foi a capacidade de responder a ela com gente preparada.

Como a escassez de ofícios técnicos se espalha pelo varejo da construção

No setor de materiais de construção, a falta de profissionais qualificados não se limita ao canteiro de obras. Ela atinge o balcão, o depósito, a logística de entrega e a orientação técnica ao cliente. Uma loja como a Klok Bouwmaterialen precisa de pessoas que conheçam especificações de isolantes, tipos de madeira, ferragens e sistemas de fixação, além de saber operar o fluxo físico de mercadorias pesadas.

Quando esses profissionais se aposentam ou migram para outras atividades e não há formação técnica em ritmo adequado para repô-los, a loja perde eficiência e margem de manobra. O coproprietário deixou claro que o problema não era ausência de serviço, e sim ausência de gente para realizá-lo. Esse fenômeno é recorrente nos Países Baixos há anos.

A pressão demográfica, com envelhecimento da força de trabalho em ofícios manuais e técnicos, soma-se a uma formação profissional que não acompanha a necessidade de reposição. Obras residenciais, reformas e manutenções regionais continuam a existir, mas o elo entre o pedido e a execução se rompe quando falta o trabalhador especializado.

Empresas familiares de porte médio, que durante décadas sustentaram o abastecimento local, são as primeiras a sentir o aperto porque não dispõem da escala de grandes redes para atrair e treinar pessoal em volume.

O ciclo de 80 anos que se encerra sem sucessor à vista

A Klok Bouwmaterialen representava o tipo de comércio especializado que cresceu junto com a cidade e a região. Ao longo de oito décadas, a família manteve o negócio de materiais de construção em Assen, atendendo a um mercado que mistura obras novas, reformas e manutenção de edificações.

O fechamento não é apresentado como resultado de falência formal ou de dívidas publicamente detalhadas, e sim como consequência da impossibilidade de manter a operação em pé diante da falta de pessoas. A fala de Jan Paul Klok deixa o diagnóstico em aberto e ao mesmo tempo preciso: há trabalho, faltam as pessoas. Em negócios familiares longos, a sucessão costuma ser o ponto crítico.

Quando a geração seguinte não assume e o mercado externo não oferece profissionais prontos, a conta não fecha. A loja deixa de conseguir cumprir prazos, manter horário completo de atendimento e garantir a qualidade do serviço que o cliente regional espera. Nesse ponto, o encerramento se torna a saída possível.

O caso de Assen se encaixa nesse molde e serve de espelho para situações semelhantes em outras cidades médias europeias onde o varejo de construção ainda é, em grande parte, familiar e dependente de ofícios técnicos locais.

Demanda que permanece e capacidade que some

O paradoxo descrito pelo coproprietário é o que torna o episódio relevante para além da fronteira holandesa. Trabalho não falta. O que falta é a mão de obra qualificada para transformá-lo em entrega concreta.

Em uma economia que ainda constrói, reforma e mantém estoque habitacional e comercial, a ausência de pedreiros, carpinteiros, instaladores e operadores de depósito especializados trava a cadeia inteira. A loja de materiais sente primeiro, porque é o elo visível entre o fabricante e o canteiro.

Quando ela fecha, o pedreiro local precisa se deslocar mais longe, o prazo da obra se alonga e o custo sobe para o cliente final.

A região de Drenthe, no nordeste dos Países Baixos, convive com esse aperto de forma típica de áreas que não são grandes metrópoles. O comércio e os serviços regionais sustentam a economia local, e a construção civil é parte desse tecido. Sem reposição de profissionais formados, mesmo empresas com décadas de reputação perdem o fôlego.

O anúncio da Klok Bouwmaterialen é a face concreta desse processo: 80 anos de história interrompidos não por falta de clientes, mas por falta de gente para atendê-los.

O diagnóstico holandês ecoa de forma direta na construção civil brasileira, onde a escassez de mão de obra qualificada também trava canteiros, atrasa entregas e empurra empresas familiares de materiais de construção e de empreitada para o limite.

No Brasil, o problema se manifesta tanto na falta de pedreiros, eletricistas, encanadores e carpinteiros com formação consistente quanto na dificuldade de sucessão em negócios familiares que há décadas abastecem bairros e cidades médias.

Muitas lojas de materiais e pequenas construtoras chegam ao ponto de reduzir horário, recusar obras ou simplesmente fechar porque não encontram quem queira ou saiba exercer o ofício com a regularidade que o serviço exige. Empresas familiares brasileiras do setor de construção e de varejo de materiais enfrentam o mesmo duplo aperto descrito em Assen.

De um lado, a geração mais nova frequentemente prefere outras carreiras, com horários menos pesados e status social diferente do trabalho manual no canteiro ou no depósito. De outro, a formação técnica e os cursos profissionalizantes não recompõem na velocidade necessária o contingente que se aposenta ou abandona o ofício.

O resultado é um apagão de mão de obra que não é falta de demanda por moradia, reforma ou infraestrutura, e sim falta de gente preparada para executar. Construtoras relatam obras paradas por ausência de equipes completas, e lojas de bairro perdem vendas porque não conseguem manter entregadores e balconistas técnicos em número suficiente.

Sucessores que não aparecem e ofícios que envelhecem sem reposição

No Brasil, o fechamento de empresas familiares por falta de sucessores e de trabalhadores qualificados já deixou de ser exceção em cidades médias e periferias de grandes centros. O dono que construiu a loja de materiais ao longo de 30 ou 40 anos descobre que os filhos não querem herdar a rotina de carregar saco de cimento, negociar com caminhoneiro e abrir cedo para o pedreiro.

Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho local oferece poucos candidatos com experiência real em alvenaria, instalação hidráulica ou leitura de projeto simples. A empresa fica sem continuidade interna e sem reforço externo. O caminho mais curto, em muitos casos, é o encerramento ou a venda a um concorrente maior que ainda consegue centralizar pessoal.

A construção civil brasileira depende historicamente de ofícios aprendidos na prática e transmitidos de geração em geração. Quando essa transmissão se interrompe e a escola técnica não preenche o vazio com volume e qualidade, o canteiro sente imediatamente.

Prazo de entrega de apartamentos se estica, reforma residencial vira fila de espera e o custo da mão de obra sobe porque o profissional disponível cobra o preço da escassez. Lojas de materiais, que vivem do giro rápido e do aconselhamento técnico ao cliente, perdem competitividade quando não têm equipe para orientar sobre argamassa, impermeabilizante ou esquadria.

O caso holandês de 80 anos que se encerra por falta de pessoas funciona como espelho: a demanda existe, a gente sumiu.

Por que a formação técnica não acompanha o ritmo das obras e do varejo

Tanto nos Países Baixos quanto no Brasil, a raiz do problema passa pela desvalorização social relativa dos ofícios manuais e técnicos em comparação com carreiras de escritório ou de serviços digitais. Jovens evitam a construção porque a enxergam como trabalho pesado, inseguro e pouco prestigioso, mesmo quando a remuneração pode ser competitiva.

No Brasil, essa percepção se soma a jornadas irregulares, informalidade residual e falta de planos de carreira claros dentro de pequenas e médias empresas familiares. O resultado é um funil estreito de novos profissionais entrando no setor enquanto a geração mais velha se aposenta. As escolas técnicas e os programas de aprendizagem existem, porém a escala e a atratividade ainda não resolvem o descompasso.

Empreiteiros e donos de loja de materiais relatam dificuldade crônica para achar ajudante que evolua a pedreiro, ou balconista que entenda de especificação de produto. Quando a vaga fica aberta por meses, a empresa reduz o escopo do que oferece ao mercado. Obras menores são recusadas, entregas demoram, o horário de funcionamento encolhe.

Em casos extremos, como o da Klok Bouwmaterialen em Assen, a conta deixa de fechar e as portas se fecham depois de décadas de história.

O efeito em cadeia sobre o cliente final e sobre a cidade média

Quando uma loja familiar de materiais fecha ou uma pequena construtora desiste de continuar, o impacto não fica só no balanço da empresa. O pedreiro autônomo perde o ponto de abastecimento próximo, o morador que reformava a casa precisa buscar insumos mais longe e pagar frete maior, e a cidade média perde um elo de emprego e de circulação de mercadoria.

No Brasil, esse efeito se multiplica em centenas de municípios onde o comércio de construção ainda é puxado por negócios de família. A escassez de mão de obra qualificada vira freio de desenvolvimento local porque trava a capacidade de construir, reformar e manter o estoque construído.

O coproprietário holandês resumiu em uma frase o que muitos empresários brasileiros do setor já vivem no dia a dia: trabalho não falta, mas não temos as pessoas. A diferença de escala e de contexto institucional não apaga a semelhança do mecanismo. Demanda por construção e reforma permanece. A reposição de profissionais formados e de sucessores dispostos a tocar o negócio familiar não acompanha.

Enquanto essa equação não se resolve com formação atrativa, valorização do ofício e caminhos claros de sucessão, o fechamento de empresas com décadas de história continuará a se repetir, seja em Assen, na província de Drenthe, seja em cidades médias brasileiras que dependem do mesmo tipo de varejo e de mão de obra técnica para manter as obras em pé.

A lição que o encerramento da Klok Bouwmaterialen deixa é a de que a longevidade de um negócio familiar de construção não garante a continuidade quando faltam as duas peças centrais: quem herda a responsabilidade e quem executa o ofício no chão. Oitenta anos de operação não bastaram para superar a combinação de sucessão interrompida e escassez de profissionais qualificados.

No Brasil, onde a construção civil carrega peso ainda maior na geração de emprego e na oferta de moradia, o mesmo diagnóstico exige atenção permanente. Sem gente preparada e sem sucessores dispostos, o trabalho que existe deixa de se transformar em obra entregue, e o comércio que durante gerações sustentou a região simplesmente encerra o expediente pela última vez.

Reportagem completa: https://tribunadejundiai.com.br/economia/loja-de-materiais-de-construcao-fecha-apos-80-anos-mesmo-com-clientes-e-pedidos-dono-revela-que-faltam-profissionais-para-manter-o-negocio-aberto/

— Itatiba1 (https://www.itatiba1.com.br). Notícias agregadas e traduzidas; os direitos pertencem aos veículos de origem.