Antes de se tornar um conservador aliado de Lucas Pavanato (PL), o deputado estadual eleito Thomaz Henrique (PL) votou em um candidato do PSOL e gostava de ler Karl Marx. Hoje, ele defende pautas conservadoras e, após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, publicou uma mensagem defendendo a independência de São Paulo.

Thomaz Henrique foi eleito deputado estadual por São Paulo em 2026 e defendeu, neste domingo (25), a separação do estado paulista do restante do Brasil após a vitória de Lula. Em publicação nas redes sociais, Thomaz afirmou que os paulistas "pagam a conta do Brasil e precisam se submeter às vontades de outras unidades federativas". Ele defendeu que a autonomia do estado fosse discutida "de forma pacífica e constitucional".

A Constituição Federal, porém, estabelece que o Brasil é uma união indissolúvel de estados, municípios e Distrito Federal. O texto também proíbe emendas constitucionais que tenham como objetivo abolir a forma federativa do país.

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Após a vitória de Lula, Thomaz também mudou a foto de perfil em uma rede social para um cartaz de convocação de voluntários da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado ocorrido em São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas.

Deputado eleito por São Paulo defende independência do estado após vitória de Lula

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Nascido em 14 de dezembro de 1990, em Jacareí (SP), Thomaz é filho de uma professora e de um caminhoneiro. Nas redes sociais, ele se declara jornalista, redator, cientista político, casado e pai.

Em entrevista à TV Câmara de Jacareí, em 2017, ele contou que se formou em Rádio e TV e que sonhava em ser roteirista. Também relatou interesse por literatura, citando autores como Fiódor Dostoiévski, Machado de Assis e Rubem Fonseca. Na época, escrevia poemas e contos e já havia feito teatro.

Na mesma entrevista, Thomaz disse que votou no então deputado federal Ivan Valente, do PSOL, em 2010, e que gostava de ler Karl Marx, uma das principais referências teóricas do socialismo e do comunismo.

Porém, ele afirmou que depois passou a se identificar com o liberalismo e se aproximou do Movimento Brasil Livre (MBL), sendo um líder regional no Vale do Paraíba. O grupo defendia pautas como a redução de privilégios na política, fim da corrupção e a privatização de serviços e empresas estatais.

Thomaz Henrique já foi do MBL.

Vereador de São José dos Campos por duas vezes, Thomaz construiu a trajetória política ligado a movimentos de direita e ao bolsonarismo. Ele começou a se envolver com a política em 2016, organizando manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), em São José dos Campos.

Na época, atuava como estagiário da TV Câmara de Jacareí e coordenava o MBL na região. Também participou de mobilizações contra o PT e apoiou a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República.

Foi nesse período que conheceu Lucas Pavanato, hoje deputado federal eleito pelo PL. Os dois participaram de manifestações contra o PT e defenderam a eleição de Bolsonaro.

De voto no PSOL e leitor de Marx a conservador aliado de Pavanato: quem é Thomaz Henrique, deputado eleito que defende independência de SP

Thomaz chegou a trabalhar na capital paulista na equipe do então vereador Fernando Holiday, ao lado de Pavanato, que também passou a integrar o grupo.

Em 2020, Thomaz se candidatou a vereador de São José dos Campos pelo Novo e foi eleito para o primeiro mandato, com 5.159 votos. Pavanato atuou como voluntário em sua campanha.

Depois do primeiro mandato, Thomaz deixou o Novo e se filiou ao PL. Em 2024, foi reeleito vereador, com 8.221 votos. Já em 2026, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com 178.164 votos, o equivalente a 0,76% dos votos válidos no estado. Ele contou com o apoio de Pavanato nas disputas eleitorais.

Thomaz segue como vereador em São José dos Campos. Os deputados estaduais eleitos em 2026 tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, para mandatos de quatro anos.

Postagem no "x" do deputado estadual eleito Thomaz Henrique (PL) na noite deste domingo (25).

Foto 1: Reprodução. Foto 2: Reprodução/Rede Vanguarda

Projetos e polêmicas

Durante a atuação na Câmara Municipal, Thomaz apresentou propostas relacionadas à segurança, à educação e a pautas conservadoras.

Algumas iniciativas provocaram controvérsias e questionamentos judiciais. Em 2023, Thomaz foi autor de uma lei municipal que estabelecia o sexo biológico como critério para a participação de atletas em equipes esportivas masculinas e femininas em São José dos Campos.

Em agosto de 2025, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo considerou a norma inconstitucional, após pedido do Ministério Público de São Paulo. Segundo a decisão, o município não tinha competência para legislar sobre o tema nos termos previstos pela lei.

O vereador também criticou o conteúdo do livro Meninas Sonhadoras, Mulheres Cientistas, que foi retirado das escolas municipais de São José em junho de 2024. A obra homenageia 20 mulheres, entre elas a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, e a antropóloga Débora Diniz.

A Justiça considerou irregular o recolhimento e determinou a devolução dos exemplares às escolas, além de proibir novas restrições à obra por motivos político-ideológicos. Na época, Thomaz afirmou que a retirada havia ocorrido após a identificação do que considerava doutrinação ideológica e apologia ao aborto.

Em setembro de 2025, Thomaz também publicou um vídeo criticando a participação da jornalista Milly Lacombe na Festa Litero Musical (Flim), em São José dos Campos. Ele reproduziu um trecho de uma entrevista em que ela criticava o conceito de família tradicional e pediu que a organização, a Prefeitura e os patrocinadores fossem cobrados para que ela não participasse do evento.

De voto no PSOL e leitor de Marx a conservador aliado de Pavanato: quem é Thomaz Henrique, deputado eleito que defende independência de SP

Após a repercussão, o prefeito Anderson Farias (PSD) anunciou o cancelamento da participação da jornalista. A decisão provocou reação de convidados e integrantes da curadoria, que apontaram censura e cancelaram a participação. A organização adiou a edição de 2025 da feira.

Outra polêmica ocorreu durante a campanha eleitoral de 2024, quando Thomaz publicou um vídeo em que simulava um fiscal municipal cobrando propina. O Sindicato dos Servidores Municipais de São José dos Campos entrou na Justiça contra o vereador, que foi condenado a pagar R$ 50 mil por danos morais coletivos. Em julho de 2026, porém, o Tribunal de Justiça de São Paulo reverteu a condenação, por entender que o vídeo estava protegido pela liberdade de expressão.

Em 2023, Thomaz publicou outro vídeo em que afirmava que o PT era aliado do Primeiro Comando da Capital (PCC), do Comando Vermelho (CV) e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O partido acionou a Justiça, e o vereador foi condenado a pagar indenização. Na época, Thomaz informou que recorreria da condenação.

Entre as iniciativas que se tornaram lei está a autorização para a criação de um Programa Municipal de Defesa Pessoal para Mulheres. A proposta prevê cursos, palestras e oficinas com técnicas de autodefesa, além de orientações para identificar e lidar com situações de risco e violência.

Outra proposta instituiu o Dia Municipal de Combate à Cristofobia, celebrado no Domingo de Páscoa. A data foi incluída no calendário oficial de eventos da cidade, apesar da Constituição Federal já garantir a liberdade de consciência e de crença, além do livre exercício dos cultos religiosos.

Thomaz também é autor de uma lei que autoriza a Prefeitura a firmar parcerias com instituições religiosas para ações de evangelização e recuperação de dependentes químicos. O texto estabelece que a abordagem religiosa só pode ocorrer com autorização ou solicitação da pessoa em tratamento.

Na área da educação, apresentou uma proposta que autoriza a implantação do modelo de escolas cívico-militares na rede municipal, por meio de convênio com o governo estadual. O texto prevê que o modelo seja complementar às políticas de melhoria da educação básica, sem substituir as metas do Plano Municipal de Educação.

Ele também propôs diretrizes para prevenir e combater o assédio sexual contra mulheres no transporte coletivo, incluindo campanhas informativas, materiais nos ônibus e terminais e orientações para denunciar casos de importunação sexual.

Procurado pelo g1, Thomaz disse que o post sobre a independência de São Paulo é "autoexplicativo" e que "no futuro, quando projetos nesse sentido andarem, vai falar mais disto e detalhar" a ideia que tem.

Globo / Divulgação

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