O que salta imediatamente da lista é a recorrência do cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul , que aparece não uma, não duas, mas três vezes. Mal dos Trópicos (2004), Síndromes e um Século (2006) e Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010), Palma de Ouro em Cannes, formam um bloco que revela onde Anderson busca o cinema que de fato o alimenta. Weerasethakul opera em um registro único no audiovisual contemporâneo: seus filmes vivem na fronteira entre o real e o sobrenatural, entre o documentário e o sonho, sem jamais resolver a tensão entre esses mundos. Que um diretor como Anderson , conhecido pela câmera em movimento perpétuo e pela precisão narrativa, se curve tanto a uma obra assim diz muito sobre a amplitude do seu apetite cinematográfico.

Mas a lista recusa qualquer pretensão de purismo. Quase Famosos (2000), de Cameron Crowe , e Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola , convivem na mesma seleção com Ted (2012), a comédia de animação adulta de Seth MacFarlane , e com Entrando Numa Fria (2000), o blockbuster de Jay Roach com Ben Stiller e Robert De Niro . Papai Noel às Avessas (2003) e Cabana do Inferno (2002), o terror B de Eli Roth , completam esse lado mais despretensioso da curadoria. Longe de ser contradição, essa mistura revela um cineasta que nunca separou o prazer popular do prazer artístico, e que enxerga tanto a gargalhada fácil quanto o plano lento de cinco minutos como expressões igualmente legítimas do que o cinema pode fazer.

Um dos títulos mais comentados da lista é Gunda (2020), documentário do cineasta russo-norueguês Viktor Kossakovsky filmado em preto e branco, sem narração e sem trilha sonora, que acompanha o cotidiano de uma porca e seus filhotes em uma fazenda. Anderson o descreveu com uma generosidade quase litúrgica: “Este é um filme para se banhar dentro. Ele está despido até seus elementos essenciais, sem qualquer interferência.” E foi além: “É mais como uma poção do que um filme”. Gunda é o oposto estrutural de Grindhouse (2007), de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez , que também está na lista. Que os dois coexistam sem desconforto é o sinal mais honesto do tamanho desse apetite do cineasta.

Em Uma Batalha Após a Outra , Anderson deixou suas referências transbordarem para a tela de forma quase declarada: o personagem Bob aparece assistindo a A Batalha de Argel enquanto fica chapado, e o filme acumula citações a Um Dia de Cão , Operação França e até Star Wars , construindo o retrato de um cineasta como arquivista apaixonado, alguém que absorve décadas de cinema e devolve tudo como obra própria.

Confira a lista dos 20 melhores do século XXI, segundo Paul Thomas Anderson :

Quase Famosos (2000)

A Última Noite (2006)

Um Lugar Silencioso (2018)

Papai Noel às Avessas (2003)

O Mundo de Jack e Rose (2005)

Indomável Sonhadora (2012)

Cabana do Inferno (2002)

Dançando no Escuro (2000)

Encontros e Desencontros (2003)

Entrando Numa Fria (2000)

Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)

Sobre Meninos e Lobos (2003)

Eu Ainda Estou Aqui (2010)

Síndromes e um Século (2006)

Mal dos Trópicos (2004)

Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas (2010)

Conte Comigo (2000)

+++LEIA MAIS: As 12 melhores músicas de jazz de todos os tempos, segundo Flea

+++LEIA MAIS: Os 16 melhores filmes de todos os tempos, segundo Tom Hardy

O post Os 20 melhores filmes do século XXI, segundo Paul Thomas Anderson apareceu primeiro em Rolling Stone Brasil .