Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o UBS aponta três condições para que investidores aceitem um novo arcabouço fiscal e para que o sentimento em relação ao Brasil se estabilize.

O desafio, segundo o banco, ocorre em um momento em que a dívida pública está acima de 80% do PIB e o déficit fiscal roda próximo de 10% do PIB , em parte devido ao custo da dívida com juros de dois dígitos.

Além disso, o UBS afirma que os gastos relacionados à eleição tornaram o ponto de partida do novo governo mais desafiador.

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Apesar da cautela com o desempenho agregado dos ativos brasileiros, o banco ressalta que algumas empresas podem apresentar desempenho relativo superior nos próximos meses

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1. Pacote fiscal com números concretos

O primeiro teste será a apresentação de um pacote de consolidação fiscal com medidas quantificadas .

Na avaliação do UBS, declarações de intenção não serão suficientes. O mercado deve buscar medidas concretas que permitam avaliar a dimensão e a credibilidade do ajuste proposto pelo governo.

2. Conciliar R$ 300 bilhões em compromissos de campanha

O segundo ponto envolve os compromissos de gastos assumidos durante a campanha.

O UBS estima esses compromissos em cerca de R$ 300 bilhões e afirma que eles precisarão ser conciliados com o esforço de ajuste fiscal.

Segundo o banco, os gastos adicionados durante a campanha atuam na direção contrária à consolidação das contas públicas e, por isso, precisarão ser compensados dentro do pacote fiscal.

3. Mostrar capacidade de aprovar medidas no Congresso

O terceiro teste será político.

O UBS considera necessária uma trajetória crível para aprovação das medidas em um Congresso de inclinação à direita antes do fim do ano .

Sem essa aprovação, o pacote fiscal permaneceria apenas como uma sinalização, segundo o relatório.

O banco avalia que a composição do Congresso também pode funcionar como um limite à atuação do Executivo, reduzindo o risco de uma deterioração mais profunda das contas públicas.

Mercado deve esperar novas evidências

Para o UBS, a responsabilidade de demonstrar uma mudança na trajetória fiscal está agora com o governo.

O banco avalia que investidores podem permanecer cautelosos e aguardar novas evidências do ministro da Fazenda e da política econômica antes de reprecificar os ativos brasileiros com base em uma eventual correção da trajetória do déficit orçamentário.

Nesse cenário, a credibilidade fiscal será determinante para a evolução da Bolsa, do real e dos juros após a eleição, conforme o banco.

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