# 170 mil é o piso? O que esperar para o Ibovespa após forte queda com vitória de Lula

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mercados/ibovespa-170-mil-pontos-e-o-piso-o-que-esperar-para-indice-apos-forte-queda-com-vitoria-de-lula/)
- Publicado em: 2026-10-26T17:32:37.000Z
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> A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu caminho para uma forte reprecificação dos ativos brasileiros nesta segunda-feira (26), com queda que chegou a ser de mais de 17% para o Ibovespa e abaixo dos 170 mil pontos, mas as…

Enquanto bancos como JPMorgan, Morgan Stanley e BTG Pactual projetam um período de correção relevante para a bolsa, parte dos investidores argumenta que um eventual tombo do mercado pode criar oportunidades de compra para quem tem horizonte de longo prazo.

O consenso entre os estrategistas é que o rali eleitoral observado nas últimas semanas foi construído sobre a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de uma agenda econômica mais focada em ajuste fiscal. Com a vitória de Lula, o mercado tende a desmontar essas posições, pressionando ações, câmbio e juros.

O BTG Pactual estima que o Ibovespa possa recuar para cerca de 170 mil pontos, o equivalente a uma queda de aproximadamente 17% em relação aos níveis anteriores ao resultado eleitoral. O banco também projeta desvalorização de 10% a 15% do real, o que ampliaria as perdas da bolsa medida em dólar para perto de 30%.

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Os estrategistas destacam que a principal preocupação passa a ser a trajetória das contas públicas

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Nesse contexto, ações domésticas mais sensíveis ao ciclo econômico brasileiro tendem a sofrer mais, enquanto exportadoras devem apresentar desempenho relativo superior, beneficiadas pela expectativa de desvalorização do real

Já o JPMorgan chegou a traçar um cenário de queda de cerca de 20% para o índice nos próximos dias até a última sexta-feira, quanto o Ibovespa fechou a 205 mil pontos, enquanto o Morgan Stanley avalia que a correção pode variar entre 20% e 30%, caso os investidores passem a exigir um prêmio maior para financiar a dívida pública brasileira.

O principal fator por trás dessas projeções é a preocupação com a política fiscal. Na avaliação das instituições, a continuidade do governo Lula reduz a expectativa de mudanças na condução das contas públicas, o que tende a elevar os juros de longo prazo e dificultar um ciclo mais agressivo de cortes da Selic.

Juros serão a chave para a bolsa

Para os estrategistas, o desempenho do Ibovespa dependerá principalmente da trajetória dos juros reais nos próximos meses.

O BTG Pactual argumenta que a combinação entre câmbio mais fraco, expectativas de inflação desancoradas e dúvidas sobre o ajuste fiscal pode limitar a capacidade do Banco Central de reduzir os juros na velocidade esperada pelo mercado. Segundo o banco, apenas a indicação de uma equipe econômica vista como crível e sinais concretos de disciplina fiscal poderiam reverter esse quadro.

Essa leitura ajuda a explicar por que os bancos enxergam o risco de uma queda mais concentrada justamente nas ações ligadas ao mercado doméstico, como varejo, construção civil e empresas altamente dependentes do ciclo de crédito.

Mas o cenário não é necessariamente só negativo. Para Rohan Daswani, da Gavekal Research, uma eventual correção forte dos ativos brasileiros deveria ser analisada como oportunidade de compra, e não apenas como motivo para abandonar posições.

Segundo ele, embora os mercados possam reagir inicialmente de forma intensa ao resultado eleitoral, os principais argumentos estruturais para investir no Brasil permanecem válidos. Entre eles estão os juros reais ainda elevados, a forte exposição a commodities e a crescente relevância do país na produção de minerais críticos utilizados pelas cadeias globais de energia e tecnologia.

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Outro argumento citado pelo estrategista é o fato de o Congresso continuar com perfil majoritariamente conservador, o que tende a limitar mudanças mais radicais na política econômica.

Avaliação semelhante vem de gestores internacionais. Cathy Hepworth, responsável pela área de dívida de mercados emergentes da PGIM, afirmou que a reação inicial deve envolver uma reprecificação significativa dos ativos, mas ponderou que o mercado brasileiro historicamente encontra pontos de estabilização após choques políticos.

Já Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, observa que movimentos de queda costumam ser amplificados por pânico e reações emocionais dos investidores, o que pode provocar oscilações maiores do que aquelas justificadas pelos fundamentos.

Quais ações podem resistir melhor?

Mesmo entre as casas mais cautelosas, existe relativa concordância sobre os setores que tendem a apresentar desempenho superior em um cenário de real mais fraco e juros mais altos.

O BTG Pactual destaca empresas exportadoras como Vale ( VALE3 ), Suzano ( SUZB3 ), Gerdau ( GGBR4 ), PRIO ( PRIO3 ), WEG ( WEGE3 ) e Embraer ( EMBJ3 ), além de nomes defensivos como Caixa Seguridade ( CXSE3 ), Porto ( PSSA3 ), Ambev ( ABEV3 ), Petrobras ( PETR4 ) e Itaú Unibanco ( ITUB4 ).

A lógica é que essas companhias se beneficiam da receita em dólar, possuem balanços mais sólidos ou atuam em segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico doméstico.

O estudo do BTG Pactual também mostra que a experiência de 2022 pode servir de referência para os próximos meses. Após a vitória de Lula naquele ano, o Ibovespa teve desempenho modesto, enquanto setores mais ligados à economia doméstica sofreram perdas bem mais expressivas. Consumo, bancos e construção ficaram entre os segmentos mais pressionados, ao passo que empresas de materiais básicos e exportadoras apresentaram desempenho superior.

Para os analistas, o mercado seguirá observando dois fatores, que são a escolha da equipe econômica e os primeiros sinais sobre a estratégia fiscal do novo governo. Desses elementos dependerá se a correção esperada para o Ibovespa será apenas um ajuste temporário ou o início de um período mais prolongado de pressão sobre os ativos brasileiros.

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