O Grupo Canto de Várzea, referência da música regional e da identidade cultural de Santarém, no oeste do Pará, foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do município. O projeto de lei, de autoria da vereadora Bárbara Matos, foi aprovado pela Câmara Municipal e destaca a trajetória do grupo, que há mais de quatro décadas traduz a realidade amazônica em poesia e canção.
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A aprovação representa um reconhecimento à contribuição dos músicos e compositores para a preservação da cultura local. As letras do Canto de Várzea abordam as paisagens da região, os rios, as praias, o cotidiano dos povos amazônicos e a importância da preservação ambiental.
A autora da proposta destacou que as canções do grupo vão além do entretenimento e trazem reflexões profundas sobre a identidade regional. Entre as obras marcantes, a vereadora citou a canção “Santarém”, composição da década de 1980 que já alertava sobre os impactos do desmatamento na Amazônia.
O Canto de Várzea surgiu há mais de 40 anos por iniciativa de jovens músicos e poetas santarenos. A proposta era construir uma identidade musical ligada ao ritmo da vida na região, inspirada no ciclo das águas que transforma as paisagens e a vida das comunidades ribeirinhas. A própria palavra "várzea" no nome do grupo faz referência às áreas que inundam e secam ao longo do ano.
Inicialmente, o repertório foi marcado pelas composições de Beto Paixão, autor da maioria das músicas. Com o tempo, outros artistas também colaboraram para consolidar o trabalho do grupo. Entre os maiores sucessos estão canções como “Dança na Mata”, “Amor de Índio”, “Diretamente Falando”, “Boca de Forno” e “Gênesis da Pérola”.
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