Longe dos palcos, dos holofotes e do grande público a partir de 2007, o autor de clássicos como “Alucinação” e “Como Nossos Pais” — que faria 80 anos nesta segunda-feira, 26 — mergulhou em um misterioso autoexílio que durou até sua morte, em abril de 2017, aos 70 anos.
O paradeiro, a rotina e os dilemas desse período de reclusão foram detalhados por repostagens jornalísticas, biografias e relatos de pessoas que o acolheram (via g1 , Terra e site Igor Miranda ). Tais informações revelam uma existência marcada pelo anonimato itinerante e pela busca por privacidade no interior do Rio Grande do Sul e no país vizinho, Uruguai .
As cidades de Belchior
Sem paradeiro fixo, Belchior e sua companheira, Edna , passaram por cerca de 15 cidades ao longo dessa década de isolamento. No Rio Grande do Sul, o casal adotou um estilo de vida que dependia da solidariedade de fãs e amigos.
Em cidades como Santa Cruz do Sul — onde passou parte importante de seus últimos anos —, o cantor viveu em diferentes casas. A regra imposta aos anfitriões era simples: sua presença deveria ser mantida em absoluto sigilo.
Problemas e rotina
O afastamento de Belchior da vida pública coincidiu com problemas financeiros e judiciais. Com bens e rendimentos bloqueados pela Justiça devido a processos e dívidas acumuladas (como o episódio em que deixou uma conta expressiva por diárias em um hotel em Artigas , no Uruguai), o músico praticamente sobrevivia de favores.
Apesar disso, os dias de Belchior em sua reclusão não eram ociosos. Quem conviveu com ele no final de sua trajetória relata que o cantor passava horas lendo, escrevendo e pintando. Ele dedicava-se também a traduções, tanto de outros poetas como de sua obra para o espanhol.
Segundo relatos, Belchior havia deixado de comer carne vermelha, não fazia uso de medicamentos contínuos e costumava nadar na piscina da residência onde estava hospedado por último, em Santa Cruz do Sul. Amigos e pessoas próximas disseram que ele não aparentava estar debilitado ou com alguma doença.
Belchior faleceu de causa natural durante o sono, em decorrência de um rompimento da artéria aorta, enquanto dormia no sofá da sala de estar.
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