Vale lembrar: não estamos falando da música inteira, mas apenas daqueles momentos em que o vocalista solta a voz de verdade e o nível de agressão às cordas vocais chega a ser criminoso. Esta lista não é para quem tem pulmões fracos.

31º lugar: The Pixies, ‘Rock Music’ (1991)

A capacidade singular dos Pixies de dar um toque surreal ao rock alternativo fica inesquecivelmente evidente aqui. A segunda faixa do terceiro álbum da banda, Bossanova, não tem um momento específico de grito do vocalista Black Francis. A música inteira é um chilique de 1 minuto e 52 segundos, com cada verso berrado como se o cabelo dele tivesse acabado de pegar fogo. Ele começa repetindo a frase “Your mouth’s a mile away” (“Sua boca está a quilômetros de distância”) oito vezes, e cada repetição soa mais descontrolada que a anterior, enquanto o guitarrista Joey Santiago responde com explosões de ruídos fantasmagóricos. — Jon Dolan

30º lugar: The Clash , ‘London Calling’ (1980)

Neste clássico do punk rock, Joe Strummer pinta um retrato sombrio de Londres, uma cidade distópica que avança a passos largos rumo ao apocalipse. O característico punk do The Clash, temperado com reggae, serve de base para uma letra inspirada pelos acontecimentos caóticos que marcaram o mundo em 1979, como a injustiça racial, a brutalidade policial, o aumento do desemprego, uma epidemia de drogas, o risco de um desastre nuclear e a ascensão de Margaret Thatcher. Na ponte da música, Strummer dispara um chamado às armas entrecortado e estridente, que ecoa no frio sobre o rio Tâmisa como um sinal de socorro. — Jessica Shalvoy

29º lugar: Childish Gambino , ‘Redbone’ (2016)

Donald Glover estabeleceu as bases vocais e a atmosfera setentista com seu primeiro single, “Me and Your Mama”, do terceiro álbum de estúdio, Awaken, My Love!, soltando lamentos ao longo de toda a faixa. Mas foi o segundo single, “Redbone”, que mostrou ao grande público o quanto o alcance vocal de Glover pode ser versátil. Por volta da metade dessa faixa de R&B com toques de funk psicodélico, ele hipnotiza com um lamento sensual capaz de ressuscitar Marvin Gaye. Um falsete em que cada segundo desse chamado parece transbordar de alma. — J.S.

28º lugar: Sleater-Kinney, ‘Call the Doctor’ (1996)

Quando o Sleater-Kinney surgiu com toda a força da cena riot grrrl, em meados dos anos 1990, uma das primeiras coisas que chamaram a atenção foi a maneira como os vocais potentes de Corin Tucker atravessavam o punk rock dinâmico da banda. Na faixa de abertura, que também dá nome ao segundo álbum do grupo, Call the Doctor, Tucker leva a própria voz ao limite enquanto repete o título da canção. Igualmente impressionante é a sequência de gritos quase assustadoramente intensos que se ouvem ao fundo, dando à música a sensação de uma raiva profunda que finalmente vem à tona. — J.D.

27º lugar: Wednesday, ‘Bull Believer’ (2023)

É impressionante que as guitarras pesadas e lamacentas deste épico de oito minutos da banda Wednesday, da Carolina do Norte, presente no álbum Rat Saw God, que revelou o grupo em 2023, sejam apenas o segundo elemento mais intenso da música. Elas são barulhentas, mas não tão explosivas quanto os gritos da cantora e guitarrista Karly Hartzman, que encerra a faixa. Ela canta sobre assistir a um amigo sucumbir ao vício. A letra faz referência ao videogame Mortal Kombat, e Hartzman pega uma frase do jogo — “Finish him” (“Acabe com ele”) — e a repete até que sua voz se transforme em um lamento improvisado, que se estende por mais de dois minutos de pura crueza. — J.D.

26º lugar: System of a Down , ‘Chop Suey!’ (2001)

O single de sucesso do inovador álbum Toxicity, lançado pelo System of a Down em 2001, é uma montanha-russa de prog metal com uma mensagem contundente sobre a hipocrisia religiosa — em especial, sobre como a vida das pessoas costuma ser julgada pelas circunstâncias de sua morte. O vocalista Serj Tankian prova ser um dos cantores mais versáteis do rock, alternando entre berros disparados como tiros de metralhadora e lamentos operísticos. A maneira como ele prolonga a palavra “die” no verso “I cry when angels deserve to die” (“Eu choro quando os anjos merecem morrer”) é épica, e o urro de vingador do metal que vem em seguida é daqueles que entram para a história. — J.D.

25º lugar: Mitski , ‘Drunk Walk Home’ (2014)

Um dos grandes destaques do terceiro álbum da cantora e compositora indie Mitski, Bury Me at Makeout Creek, “Drunk Walk Home” acompanha a artista voltando para casa depois de uma noite regada a álcool, que termina em frustração e decepção. Ao som de uma bateria marcada como uma marcha e guitarras implacáveis, ela canta: “E me sento na calçada porque é a noite mais bonita / Sem mais ninguém à vista / Você sabe que vesti este vestido por você / Estes saltos matadores por você”. Sua raiva contida explode em um grito infernal que ocupa os últimos 30 segundos da música. — J.D.

24º lugar: My Chemical Romance , ‘I’m Not Okay (I Promise)’ (2004)

Ao expressar a angústia de sobreviver à adolescência tendo os atentados de 11 de setembro no retrovisor, uma guerra acontecendo ao redor e uma recessão iminente pairando sobre a entrada na vida adulta, esta música inevitavelmente se tornou um hino para a geração mais angustiada de todas. Na ponte deste clássico emo de 2004, Gerard Way tenta desesperadamente — mas sem convencer muito — assegurar que está emocionalmente estável, dando à palavra “okay” (“bem”) uma ênfase vingativa, como um ponto de exclamação desferido a socos. Foi esse “okay” que levou o emo da era do MySpace ao mainstream, por meio do apelo desesperado de um homem à beira do limite. — J.S.

23º lugar: The Cure , ‘Subway Song’ (1979)

Em seu álbum de estreia, Three Imaginary Boys, de 1979, o The Cure deu ao pós-punk britânico, de sonoridade angulosa, seu próprio toque sombrio, acompanhado de delineador preto. O momento mais obscuro e assustador do disco é “Subway Song”. Sobre uma linha de baixo sinistramente retumbante, Robert Smith canta sobre uma mulher que caminha sozinha pelo metrô de Londres, convencida de que está sendo seguida por um predador. “Vire-se”, ele sussurra. Quando a música desaparece gradualmente, ficamos com a impressão de que a história termina em aberto — até Smith soltar um grito de terror capaz de gelar o sangue. É, sem dúvida, uma forte candidata ao maior susto de filme de terror da história do rock. — J.D.

22º lugar: Wet Leg , ‘Ur Mom’ (2022)

Uma das bandas mais legais dos últimos cinco anos, o Wet Leg sempre encontra as letras provocativas perfeitas para acompanhar suas músicas afiadas. “Quando penso no que você se tornou, sinto pena da sua mãe”, canta Rhian Teasdale para um ex que não valeu o tempo perdido. Mas a verdadeira alfinetada vem mais adiante na faixa, quando Teasdale avisa: “Tenho praticado meu grito mais alto e mais longo”. Bom, ela avisou. A gargalhada catártica que solta dura dez segundos e atravessa os vocais de fundo melódicos e o embalo doce das guitarras da banda como uma faca quente na manteiga. — J.D.

21º lugar: Judas Priest , ‘Painkiller’ (1990)

Muitos dos artistas desta lista chegaram aqui graças a gritos descontrolados ou urros selvagens. Rob Halford, por sua vez, merece seu lugar pela precisão absoluta: o tipo de controle e potência que fez dele um dos vocalistas mais respeitados da história do metal. Depois de se consolidar como uma das maiores bandas de metal do fim dos anos 1970 e início dos 1980, o Judas Priest precisava provar que ainda tinha força para impressionar na década de 1990. A banda cumpriu a missão com “Painkiller”, que atinge um patamar olímpico aos 1 minuto e 22 segundos. Halford berra “Este é o analgésico!” e solta um grito agudo e penetrante capaz de deixar até um experiente cantor de ópera imobilizado. — J.D.

20º lugar: Hole , ‘Violet’ (1994)

“Esta é uma música sobre um babaca. Joguei uma maldição nele, e agora ele está perdendo o cabelo”, disse Courtney Love ao apresentar este clássico do grunge no programa de TV Later… With Jools Holland, em 1995. O ressentimento é palpável na maneira como ela cospe a palavra “forever” (“para sempre”) durante o refrão, num grito que parece dilacerar a garganta, acompanhado de sons guturais como se ela gargarejasse pedras. Em seguida, ela consegue superar isso com os “take everythings” (“leve tudo”) que encerram a faixa. — J.S.

19º lugar: Adam and the Ants, ‘Prince Charming’ (1981)

O mutante da new wave Adam Ant era um verdadeiro rei da fronteira selvagem. Os gritos repetidos que ele solta após cada batida da bateria e cada rasgada de guitarra na abertura de “Prince Charming” são a preparação perfeita para a mensagem desafiadora da música: “O ridículo não é motivo para ter medo”. O clipe da canção, inspirado em Cinderela e com meias-irmãs malvadas interpretadas por homens vestidos de mulher, é uma das produções mais insanas dos primeiros anos da MTV. Tudo funciona como uma defesa da extravagância por seu próprio poder libertador — e a música tocou em um ponto sensível, chegando ao primeiro lugar das paradas britânicas. — J.D.

18º lugar: Foo Fighters , ‘Monkey Wrench’ (1997)

No explosivo single de estreia do segundo álbum do Foo Fighters, The Colour and the Shape, de 1997, Dave Grohl processa o fim de seu casamento em tempo real, entregando um dos hinos de separação mais honestos e arrebatadores dos anos 1990. À medida que a música avança com toda a força, a frustração e a raiva de Grohl crescem cada vez mais, enquanto ele leva a voz ao limite. Logo depois de chegar à epifania catártica “Ainda assim, há uma coisa que me conforta / Já que sempre vivi preso e agora estou livre”, ele solta um uivo que realmente soa como o de um animal selvagem recém-libertado do cativeiro. — J.D.

17º lugar: Screaming Jay Hawkins, ‘I Put a Spell on You’ (1956)

Pioneiro do shock rock, Hawkins inicialmente pretendia criar uma canção de amor refinada, com toques de blues. Mas, depois de tomar alguns drinques, abraçou uma abordagem mais estranha e sinistra, dando origem a um clássico cult. Com uma essência macabra que permeia toda a música, ele encerra a faixa com uma sequência de sons caóticos e histéricos — incluindo grunhidos e fungadas — que carregam nuances selvagens e assustadoramente violentas. A canção era tão perturbadora para a época que chegou a ser banida das rádios. — J.S.

16º lugar: Beastie Boys , ‘Sabotage’ (1994)

Este clássico contundente dos Beastie Boys era uma provocação bem-humorada ao engenheiro de som e produtor Mario Caldato Jr., que trabalhou no álbum Ill Communication e estava ficando cada vez mais irritado com a incapacidade do trio de concluir qualquer coisa no estúdio. Como um adolescente rebelde, Adam “Ad-Rock” Horovitz escreveu uma letra para tirar sarro de Caldato, acusando-o de sabotar a arte do grupo. Esse espírito travesso atinge seu ápice logo após a pausa na música, quando o riff característico entra em cena. A sucessão de xingamentos culmina em uma explosão de tamanha energia que parece capaz de fazer a banda atravessar uma parede de concreto. — J.S.

15º lugar: Suicide, ‘Frankie Teardrop’ (1977)

Armada apenas com um órgão Farfisa, uma bateria eletrônica e um pedal de distorção, a pioneira dupla de electro-punk formada por Martin Rev e Alan Vega era muito mais experimental e intensa do que praticamente qualquer um de seus contemporâneos munidos de guitarras na cena punk nova-iorquina dos anos 1970. O ápice do terror sonoro e emocional do grupo é “Frankie Teardrop”, um colapso de dez minutos sobre um homem que perde o emprego na fábrica e sai em uma onda de assassinatos. O tema já é assustador o suficiente, mas a maneira como Vega pontua a letra com gritos descontrolados torna tudo ainda mais perturbador.

14º lugar: Olivia Rodrigo , ‘All-American Bitch’ (2023)

As mulheres há muito enfrentam a expectativa irreal de serem sempre positivas, gentis e gratas, sem nunca demonstrar raiva, expressando apenas as emoções consideradas “boas”. A abordagem sarcástica de Olivia Rodrigo, com seu pop-punk, chega ao ponto de ebulição quando ela declara: “Eu grito por dentro para lidar com isso”, liberando o grito agudo e reprimido de uma jovem sufocada pelas pressões sociais e políticas de existir como mulher. Em seguida, ela volta a assumir a imagem pública da garota americana perfeita. — J.S.

13º lugar: Rolling Stones , ‘Gimme Shelter’ (1969)

Parece impossível roubar os holofotes de uma banda como os Rolling Stones em seu auge. Merry Clayton conseguiu fazer isso aos 20 anos, grávida e recém-saída da cama, de pijama e com bobes no cabelo, para uma sessão de gravação que aconteceu no meio da madrugada. É o grito de “murder” (“assassinato”), no terceiro refrão, que se destaca: Clayton solta a voz com tanta força que produz uma quebra vocal tão icônica que nem Mick Jagger consegue esconder o espanto. Sua reação, um “uh!” de admiração, pode ser ouvida ao fundo da gravação original. — J.S.

12º lugar: Little Richard, ‘Good Golly, Miss Molly’ (1956)

O primeiro grande gritador do rock & roll. As performances de Little Richard aperfeiçoaram a ideia de que a música pode levar alguém a um ponto em que as palavras já não são suficientes para transmitir a força do que está sendo feito. O exemplo definitivo é o grito de euforia que ele solta antes do solo de saxofone em “Good Golly, Miss Molly”. “O grito que dou logo antes de o saxofonista começar seu solo é um grito de empolgação”, explicou. Todos os grandes vocalistas do rock que apostam nos berros ainda vivem à sombra dele. — J.D.

11º lugar: Paramore , ‘All I Wanted’ (2009)

Apesar de esta épica balada emo ser uma das favoritas dos fãs do Paramore, os vocais de Hayley Williams são tão precisos em “All I Wanted” que ela evitou interpretar a música ao vivo até o festival When We Were Young, em 2022. Aos 2 minutos e 39 segundos da faixa, a música para abruptamente, e a voz de Williams parece ascender aos céus enquanto ela se entrega a um desespero avassalador, em uma combinação impressionante de potência e vulnerabilidade. — J.S.

10º lugar: Nirvana , ‘Where Did You Sleep Last Night’ (1993)

O Nirvana encerrou sua apresentação no MTV Unplugged, em 1993, com uma interpretação arrebatadora da tradicional canção folk-blues “Where Did You Sleep Last Night”, baseada na versão gravada por Lead Belly nos anos 1940. Kurt Cobain mergulha cada vez mais fundo no sentimento de traição desesperada que permeia a música, até soltar um som que parece mais o de um animal ferido do que o de um cantor de rock triste. Talvez seja o momento mais arrepiante de toda a sua carreira. — J.D.

9º lugar: Linkin Park , ‘Given Up’ (2007)

Só um talento que surge uma vez a cada geração, como Chester Bennington, seria capaz de capturar tamanha raiva, exaustão e sensação avassaladora de derrota e canalizá-las para uma explosão vocal de 17 segundos, perfeitamente controlada, equivalente a um desastre nuclear nas cordas vocais. Neste novo petardo de nu metal, o vocalista do Linkin Park parece recorrer às profundezas de seu próprio inferno pessoal, liberando a frustração acumulada com uma precisão cirúrgica. — J.S.

8º lugar: Big Brother and the Holding Company, ‘Piece of My Heart’ (1968)

Janis Joplin é a ponte que une lendas do blues como Ma Rainey a vocalistas explosivos do rock dos anos 1970, como Steven Tyler. Seu estilo incendiário exigia tanto fisicamente que ela precisava evitar falar depois dos shows. O clássico de 1968, gravado à frente dos gigantes do blues psicodélico de San Francisco Big Brother and the Holding Company, atinge o ápice aos 3 minutos e 31 segundos, com uma explosão vocal capaz de fazer as janelas tremerem, transmitindo resiliência diante da devastação amorosa. — J.D.

7º lugar: John Lennon , ‘Mother’ (1970)

Em 1970, John Lennon e Yoko Ono se submeteram à terapia do grito primal. Lennon levou essa experiência para a criação de seu clássico álbum Plastic Ono Band, especialmente na faixa de abertura, sobre sua falecida mãe, Julia (“Mamãe, não vá”, ele canta). É um momento decisivo na história dos gritos no rock, que vai além da simples dor de um coração partido para desenterrar um sofrimento psicológico profundo. — J.D.

6º lugar: Prince , ‘Darling Nikki’ (1984)

Quando o icônico falsete de Prince se transforma em um grito cru e provocador, é impossível não ficar hipnotizado. Ele reinventou a sensualidade do rock & roll com o gemido orgástico de “Do Me, Baby”, os vocais rasgados que encerram “Computer Blue” e a introdução provocante de “Temptation”. Mas nada em seu arsenal vocal se compara ao magnetismo erótico de “Darling Nikki”, que parte de uma piscadela da guitarra e se transforma em uma descarga cinematográfica que percorre o corpo inteiro. — J.S.

5º lugar: Guns N’ Roses , ‘Welcome to the Jungle’ (1987)

Os anos 1980 foram repletos de vocalistas de metal espalhafatosos, mas o grito agudo, penetrante e quase sobre-humano que abre o clássico de 1987 do Guns N’ Roses, Appetite for Destruction, apresentou à selva do rock & roll uma espécie completamente diferente de animal. Era um som preciso e difícil de reproduzir, uma verdadeira proeza de acrobacia faríngea que transborda sensualidade em sua entrega primitiva. — J.D.

4º lugar: James Brown, ‘Get Up Offa That Thing’ (1976)

Nenhum cantor sabe implorar, gritar ou berrar como o padrinho do soul. Seja nos “uau!” que pontuam “I Got You (I Feel Good)” ou na profundidade dos “lost” de “It’s a Man’s Man’s Man’s World”, James Brown sabia usar seu grito característico para despertar uma variedade de emoções. Neste caso, é um berro estrondoso, digno de um alerta máximo, que desafia você a se levantar e dançar: um convite para uma festa alucinante que atravessa a noite inteira, na qual todas as suas preocupações são engolidas de uma só vez. — J.S.

3º lugar: Ike & Tina Turner , ‘River Deep — Mountain High’ (1966)

A obra-prima do revolucionário produtor Phil Spector nasceu de uma sessão frenética, na qual ele reuniu um número de músicos de estúdio e vocalistas de apoio sem precedentes para a época. Os vocais roucos de Tina Turner irrompem pela famosa Muralha do Som de Spector com a força de um furacão, culminando em um grito estridente e fantasmagórico que continua sendo uma das maiores performances da história do rock e do soul. — J.S.

2º lugar: The Who , ‘Won’t Get Fooled Again’ (1971)

Potência, êxtase, terror, fome, fúria, desespero e euforia: Roger Daltrey reuniu tudo isso e muito mais no momento culminante deste clássico hino do The Who sobre alienação política, entregando o que é, sem dúvida, o urro mais vulcânico da história do rock clássico. “É quase como se ele fosse um ator do Método do fim dos anos 1950 e início dos 1960”, disse Pete Townshend à Rolling Stone, referindo-se à capacidade de Daltrey de incorporar uma canção. Na verdade, quando Daltrey gravou os vocais da faixa, os integrantes da banda, que almoçavam em outra sala, correram para o estúdio, impressionados com o que tinham acabado de ouvir. — J.D.

1º lugar: Aerosmith , ‘Dream On’ (1973)

Grite até que seus gritos se tornem realidade. É difícil imaginar que um artista como Steven Tyler pudesse ter sentido sequer a menor insegurança em relação à própria voz. Mas, até a gravação da balada que se tornaria a marca registrada do Aerosmith, ele escondia sua voz por trás de um estilo vocal mais rouco e contido, por falta de confiança em si mesmo.

“Eu mudei minha voz quando gravamos os vocais definitivos”, recordou Tyler mais tarde. “Eu me sentia inseguro, mas ninguém me disse para não fazer aquilo. Achava que minha voz não soava bem na gravação. […] Usei essa voz no álbum inteiro […], exceto em ‘Dream On’. ‘Dream On’ sou eu de verdade.”

O resultado é uma performance que culmina em um agudo estrondoso, capaz de fazer o teto tremer, carregado de liberdade e determinação. O momento consagrou imediatamente Tyler como uma das vozes mais poderosas do rock. — J.S.

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